Autores

As vezes, a nossa zona de conforto é exatamente onde devemos estar.

 

    O CARA DO MEIO E A ZONA DE CONFORTO. As vezes, a nossa zona de conforto é exatamente onde devemos estar.

Eu sempre fui o “cara do meio”. Para ser mais exata, desde 21 de dezembro de 1979. Este é o dia em que minha irmã mais nova nasceu. Nós somos o que alguns chamam de “gêmeas irlandesas”, nascemos no mesmo ano.

Quando eu tinha cerca de 22 anos sofri um acidente de carro. Desta vez, (não era a primeira) por sorte, apenas quebrei o nariz. Mas o carro ficou destruído e foi bem assustador.

No dia seguinte iríamos almoçar na casa da minha tia, e eu já estava esperando a maior bronca. Mas ao invés disso ela veio com uma história.

“Fernandinha, eu estava aqui lembrando com o seu tio de quando você era bebê” (meu tio é quase completamente surdo, o que quer dizer que ela devia estar falando com ela mesma).

“Quando você era um bebê a sua mãe estava o tempo todo com a sua irmã no colo e o seu pai correndo atrás do seu irmão. Você ficava quietinha dentro do cercadinho e qualquer pessoa que passasse você estendia os bracinhos pedindo colo.” E assim, ela finalizou a história: “Que saudade daquele tempo que você ficava presa no cercadinho.

Eu nunca comi peixe na vida. Não como cebola por um milhão de dólares.

Brinco que é porque sou filha do meio e que ninguém tinha tempo para me forçar comer isto ou aquilo, que me criei sozinha.

Bem, mas ser a filha do meio me tornou bastante independente e eu era muito ativa.

Em especial, socialmente. Eu estava sempre juntando pessoas, intermediando novas amizades.

Até casamentos saíram daí e, como resultado, fui madrinha de quantos casamentos… nem sei.

Muitos anos depois, em 2018, eu estava tão infeliz no trabalho como diretora de contas de uma agência de Relações Públicas em São Paulo, que quando pedi demissão queria mudar completamente, queria deixar tudo o que tivesse a ver com este universo pra trás.

E nada tem mais a ver com relações públicas do que ser “o cara do meio”, o intermediador, o conector.

O que eu não percebia, é que mesmo acreditando ter deixado as Relações Públicas para trás, eu continuava conectando.

Na verdade, eu estava conectando ainda mais: pessoas, informações, oportunidades.

Eu estava conectando até gente que eu nem conhecia nas redes sociais.

Então, um ano depois de ter “deixado tudo” eu estava na Tanzânia, trabalhando voluntariamente com um jovem empreendedor social, quando uma conexão do passado surgiu no feed do Instagram.

Cacilda é catadora, foi a vida inteira. Eu assisti uma palestra com ela em São Paulo.

Foto: Cacilda em evento da Prisma – Globo News/Fernanda Nobre

Orgulhosa do seu trabalho, vestia uma roupa que havia customizado do lixo e era radiante.

Agora eu vejo um post dela cantando uma música que compôs.

Bingo! Tenho um gancho! (momentos “bingo!” são os melhores).

Contatei uma amiga que dirigia um programa sobre mulheres em uma rádio nacional.

A matéria saiu, um apresentador de TV viu, fez outra entrevista, e a Cacilda ganhou um carro e equipamentos para trabalhar.

Há algumas semanas (*2019) ela me contou pelo direct do Instagram mesmo, e disse que aquilo tudo ia mudar a sua vida.

Eu flutuei aquele dia.

E entendi que não tinha nada de errado com o que eu estava fazendo antes. Só faltava um propósito.

Descobri que, às vezes, a nossa zona de conforto é exatamente onde devemos estar.

VOCÊ JÁ VISITOU O INSTAGRAM E O FACEBOOK DO RESILIÊNCIA HUMANA?

SE TORNE CADA DIA MAIS RESILIENTE E DESENVOLVA A CAPACIDADE DE SOBREPOR-SE POSITIVAMENTE FRENTE AS ADVERSIDADES DA VIDA.

Fernanda Nobre

Fernanda Nobre é jornalista e CEO do POSSO AJUDAR, MUNDO? @pam__insta no Instagram.

Recent Posts

Quantos rostos você consegue ver nesta árvore? Não existe resposta certa — e isso diz muito sobre como você enxerga o mundo

À primeira vista, é só uma árvore comum, com galhos secos e uma copa ampla.…

3 dias ago

“Não tenho tempo! Ele está na escola, então o problema é seu”: professora revela frustração com pais que não desfraldam os filhos

Uma professora primária do sul da Inglaterra decidiu desabafar ao jornal britânico Daily Mail sobre…

3 dias ago

Você se lembra dela? Ela virou sensação nos anos 60 com um programa de TV e, décadas depois, ainda brilha ao lado da própria filha no Oscar

Tem rostos que atravessam gerações sem perder o brilho. Esse é um deles: uma atriz…

3 dias ago

Aos 81 anos, essa atriz nunca recorreu a cirurgia plástica e segue ativa em Hollywood — e é madrinha de uma estrela mundialmente famosa. Você sabe quem é?

Existem carreiras que atravessam décadas sem perder o brilho, e existem atrizes que encaram o…

4 dias ago

Ele foi um dos maiores ídolos teen dos anos 80 — e morreu na pobreza depois de tentar vender os próprios dentes e cabelo. Você lembra dele?

Nos anos 80, era impossível não reconhecer aquele rosto. Poucos anos depois, o mesmo ator…

4 dias ago