As mulheres desejam um Rodrigo Hilbert, mas querer uma Fernanda Lima é machismo?

Luciano Cazz

Ele pinta e borda, além de cozinhar, tomar conta dos filhos e construir casas em árvores. Ainda é bonito. Fora aqueles atributos que a gente não faz nem ideia.

Até os homens se renderam ao Rodrigo Hilbert. Alguns inclusive pediram clemência. E não é para menos. Que mulher não sonha chegar em casa e encontrar os dois filhos de banho tomado, com a lição da escola feita, a casa arrumada, o encanamento da cozinha consertado, uma nova e linda mesa artesanal na sala, feita pelo próprio marido, com seu prato preferido, o qual ele plantou, colheu e cozinhou para mulher. E claro que um homem desses não iria deixar a esposa lavar a louça depois de um longo e pesado dia de trabalho, concorda? E, com tudo limpo, ela ainda ganha uma noite de amor com um Rodrigo Hilbert. Parece aquela cena de filme que você olha, dá uma risadinha e diz: Até parece que esse cara existe. Mas ele existe, sim, lá no lar doce lar do casal RodriNanda.

Agora, e se um marido desejar que sua mulher seja uma excelente cozinheira? Machista? Isso que o Rodrigo Hilbert, inclusive, tem um programa de culinária.

Imagina um homem falar em voz alta que gostaria de ter uma mulher que cuidasse casa, dos filhos, com talento na cozinha e para o bordado. Seria escrachado sem piedade, porque parece que os homens não podem exigir nem sequer uma boa mãe para seus filhos, quanto mais clamarem por uma Fernanda Lima… Seria conservadorismo e total desrespeito às mulheres desejarem ter uma esposa que carregou os filhos gêmeos na barriga até os 9 meses de gestação e os teve de parto normal sem anestesia. E, horas depois desse mesmo parto, já estava trabalhando, fazendo um comercial, ainda, pasmem, em prol de uma causa: o parto normal. Uma modelo que virou apresentadora, cujo apelido é Fernanda Linda. Além da beleza e do corpo escultural é uma gaúcha faca na bota, guerreira, divertida, com valores de família, inteligente, doce, mas de atitude, e apaixonada pelo marido. Sem mencionar o alto salário.

O resto dos homens que fiquem com as mulheres: “Eu sou o que eu quiser”, “Mulher não precisa agradar homem, isso é machismo”. E então, os direitos iguais se desvanecem. Somem exatamente como se a Fernanda não existisse, apenas o Rodrigo. Mas ela existe sim e entra em nossas casas, há anos, com, nada mais e nada menos do que Amor & Sexo. Talvez os homens nem queiram uma mulher ao nível de uma Fernanda Lima, mas eles não só podem como têm todo o direito de também ter suas preferências em relação às suas futuras parcerias. Sem machismo e nada contra o feminismo.

Até porque, igualdade não tem “ismos”. É claro que fica compreensível a postura defensiva na reação das mulheres quando são exigidas pelos homens. São anos de exploração. De uma escravidão velada. Criadas para serem donas de casa, aturar as amantes dos maridos, sem poder votar, trabalhar e, às vezes, nem abrir a boca sem levar um sopapo.

Mas esse discurso “Faço o que eu quiser” não pertence a essas lindas e delicadas mulheres do nosso Brasil. Essa liberdade incondicional é a filosofia de adolescentes revoltados, quiçá políticos corruptos e até estupradores, porque quem faz o que quer, não tem o menor respeito em relação ao outro. E as coisas não funcionam assim.

Então, é preciso encontrar um equilíbrio. Independência é coisa gente forte, centrada, madura e não de um rebelde. Porque a revolta indica que estamos enredados a algo que nos amarra a nós mesmos. E a mulher pode tomar seu espaço com as qualidades que todos sabem que ela tem, assim como as minorias raciais e aqueles que são discriminados por sua opção sexual ou por sua condição financeira. Precisamos, sim, de mais Rodrigos e Fernandas, não para satisfazer nosso machismo ou o sonho de quase toda mulher, mas para nos tornarmos capazes de construirmos um mundo melhor, onde o respeito impere e os valores familiares estejam acima de tudo.

Essa NÃO é uma guerra entre homens e mulheres, mas uma luta entre a situação que vivemos hoje e um mundo melhor, mais igualitário e mais em paz que queremos no futuro para os nossos meninos ou meninas, gêmeos ou não, que ainda estão por vir…

E os Rodrigos Hilbert e as Fernandas Lima pelo Brasil afora entenderão.

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Luciano Cazz
"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A Tempestade depois do Arco-íris."

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