As armaduras que nos protegem são facas de dois gumes

Resiliência Humana

Pode ser que em alguns momentos seja difícil para nós enfrentar o que está acontecendo. Seja lá qual for o motivo, já aconteceu com todos nós. Pode ser que o medo nos invada, que não saibamos como agir ou também que estejamos evitando um sofrimento futuro. É por isso que muitas vezes nos vestimos com diferentes armaduras emocionais com a intenção de proteger nossas emoções do que está lá fora.

A questão é que ao fazer isso, também acabamos negando a nossa essência. Isso porque nos escondemos embaixo de uma aparência que não necessariamente tem relação com quem nós somos. Inclusive, pode ser que nos apeguemos demasiadamente a essas falsas imagens que oferecemos ao mundo e mais tarde tenhamos dificuldade para nos desfazer delas.

Às vezes temos tanto medo de mostrar quem somos que colocamos uma grande armadura para nos proteger e assim evitar o sofrimento.

O que acontece é que quando estamos embaixo desse tipo de blindagem acabamos perdendo as experiências mais autênticas. É como se puséssemos uma grande barreira diante de nós que, além de nos limitar, impede também que os outros nos conheçam de verdade. Desse modo, as armaduras que colocamos com a única intenção de nos proteger acabam se tornando um obstáculo para a possibilidade de se abrir para o universo.

Quanto mais grossa for a nossa armadura, mais nos distanciaremos dos outros, de tudo que nos rodeia e de nós mesmos.

Armaduras como mecanismos de defesa

Utilizamos estas armaduras para enfrentar a realidade e evitar o sofrimento. Deste modo, evitaremos sentir mal-estar e nos protegeremos daquilo que consideramos graves ameaças, como as seguintes situações:

Relações com os demais. Temos medo de que nos julguem, que pensem mal de nós ou que nossa forma de ser não seja adequada. Dessa forma, escondemos nossa essência enquanto oferecemos aos demais aquilo que acreditamos que eles esperam e desejam.

O futuro. Costumamos nos adiantar ao que vai acontecer e pensamos em um milhão de cenários possíveis para não perder a sensação de controle. Desse modo, acreditamos estar blindados e protegidos porque já estaremos, teoricamente, preparados para o que está por vir. O problema é que por mais que pensemos no futuro, o controle é apenas uma ilusão.

Nós mesmos. Temos medo das nossas reações, dos nossos pensamentos, e inclusive das nossas emoções. Por isso usamos tantas armaduras.

Além disso, não só nos protegemos das diferentes ameaças que possam aparecer, mas fazemos isso a partir de diferentes disfarces, diferentes formas de agir. Estamos falando dos mecanismos de defesa, como são comumente conhecidos. Vejamos algum deles.

Isolamento. Esta armadura nos empurra para o isolamento de nossos pensamentos e sentimentos. Obriga-nos a desconectar para nos proteger, para suportar o que está acontecendo sem sofrer. O problema é que ela impede também o contato com nós mesmos.

Repressão. Esta forma de agir consiste em eliminar os aspectos que poderiam ser dolorosos, tornando-os inconscientes. Se os apagarmos da nossa mente, não poderão mais nos machucar. O que acontece é que apesar de não sermos conscientes, eles podem se expressar de outros modos.

Projeção. Uma das armaduras mais utilizadas e a que pode funcionar de maneira mais inconsciente. Trata-se de atribuir nossos pensamentos e sentimentos aos demais.

Negação. Trata-se de utilizar a negação para bloquear de alguma forma o que pensamos e sentimos, porque é muito difícil assimilar o que está se passando conosco.

Transferência. Este disfarce atua redirecionando nossos pensamentos e sentimentos para outras pessoas, situações ou coisas.

Regressão. Às vezes, quando é difícil para nós enfrentar os problemas, repetimos comportamentos próprios de outras idade que não a nossa. Essa é uma forma imatura de assumir o que está acontecendo conosco.

As máscaras que funcionam como armaduras

Como se desfazer das armaduras?

O primeiro passo para se libertar das armaduras é conectar-se consigo mesmo, ou seja, se conhecer. Uma vez que você tiver bem claro quem você é e aceitar isso, poderá mostrar-se para os outros com autenticidade. Portanto, trata-se de fazer um exercício de sinceridade consigo mesmo para depois poder realizá-lo com os demais.

Uma vez que você já tiver estabelecido uma conexão profunda, o próximo passo é começar a ser consciente daqueles momentos nos quais você utiliza a sua armadura. Em que situações eu faço isso? Acontece quando me relaciono com todo tipo de pessoa? Quando eu consigo ser autêntico com alguém? Essas perguntas facilitarão o processo.

Por outro lado, é importante trabalhar e gerir outros âmbitos de nós mesmos, além de ter em mente outros aspectos como os seguintes:

Ame-se. Quando você se amar, o medo de ser quem você é vai desaparecer porque você vai começar a se valorizar.

Fique perto de pessoas que gostam de você. É impossível fugir do medo por completo. Quando ele aparecer e você não puder controlá-lo, divida-o com pessoas que o aceitam como você é. Fale sobre como você se sente. Isso será um grande apoio.

Deixe de lado as pessoas que não te aceitam como você é. Não vale a pena insistir para que outras pessoas o aceitem como você é. Nem todo mundo vai gostar de nós. O importante é saber identificar com quem nos conectamos de verdade para cultivar a relação com essas pessoas.

Dê adeus aos preconceitos. Se você deixar os preconceitos de lado, será muito mais fácil aceitar os outros e conhecê-los de forma sincera. Isso vale para você também e repercutirá na diminuição da distância entre o que você é por fora e por dentro.

Não suponha nada. As suposições não são fatos reais, são apenas hipóteses. Tentar adivinhar o que vai acontecer ou como os outros vão agir não lhe trará mais nada além de agonia.

Tornar-se consciente desses aspectos facilitará que você deixe sua armadura pouco a pouco, que você se descubra, se valorize e comece a viver a experiência de ser quem você realmente é.

Sua força interior iluminará seu caminho e irá livrá-lo daquilo que você não é.

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