Quantos de nós já não escutaram as célebres frases: “aqui se faz, aqui se paga”; “quem semeia ventos colhe tempestades”; “você colhe o que planta”. Esta ideia de que o universo nos devolve na mesma quantidade o que propagamos está presente em vários ditados populares, há milhares de anos.

Elas nos sugerem que as nossas más ações irão, mais cedo ou mais tarde, ter repercussões negativas na nossa própria vida, e que os nossos erros trarão consequências, e acabamos propagando essas frases como verdades absolutas, e esperamos que a fatura chegará a seu tempo, com um preço que não tardaremos a pagar.

Mas será que a fatura chega para todos mesmo? Será que todos nós recebemos exatamente na mesma medida que damos? Será que a famosa lei do retorno realmente acontece?

Ao me questionar sobre isso penso que talvez tenhamos essa necessidade de acreditar nisso, mas analisando casos, percebi que nem sempre a maldade volta para o seu destinatário em tempo justo.

Poderia citar muitos casos onde isso não acontece de fato, mas as ações corruptas de alguns políticos já ilustram como certas atitudes que prejudicam uma nação inteira podem ficar em punes por anos e anos, e até nunca serem justamente condenadas.

Ou seja, nem sempre o bem vencerá o mal, pelo menos não como gostaríamos. Muitas maldades são mascaradas e escondidas, e impunidades são aceitas à revelia.

Infelizmente, nesses casos, podemos até acreditar piamente que a ordem sempre será soberana ao caos, e que às ações são um eterno ciclo que se cumprem, castigando ou premiando cada um segundo os seus atos, mas esse acreditar, nos tempos em que vivemos, está me parecendo mera utopia.

Carl Sagan tem uma frase celebre: “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”.

Quero com isso dizer que a crença de que tudo ficará bem, de que as maldades terão um preço alto no futuro e que a justiça do mundo enviará sempre sua reposta é algo enraizado nas culturas e também nas religiões.

Mas há evidências sistemáticas de que é o que realmente acontece?

Ou por outro lado pensar desta forma é apenas cômodo e ilusório, uma justificativa para não reagirmos e buscarmos a justiça de fato?

Acredito que essa é uma forma superficial de pensamento sobre as nossas ações, como se a vida se fosse se resolver sozinha, e por conta disso, pudéssemos apenas sentar e esperar.

Esta forma de pensar acabou por constituir a base de muitos pensadores e religiões, e acabaram formando uma forte crença entorno disso, o que contribuiu no controle da revolta social. Mas essa crença, só se transforma em “lei do retorno”, quando o indivíduo, por não reconhecer os próprios erros, volta a cometê-los, mas com o passar do tempo, passa a aprender com ele, e desenvolve a inteligência utilizando o cognitivo para perceber as consequências que podem vir, ou virão das suas ações.

Mas enquanto ele não se arrepender dos seus atos, ele continuará cometendo os mesmos erros, e se aplicará para ser cada vez mais competente em sua atuação, desta forma, passa a conseguir êxitos, e a se beneficiar dos seus atos errados. Essa é a personalidade da maioria dos políticos que aceitam participar de conluios e se tornam corruptos.

O “aqui se faz, aqui se paga”, não funciona para a maioria deles, que vivem uma vida de mentira, enriquecendo com o dinheiro público, e muitos deles acabam assumindo cargos ainda mais importantes e ficando ainda mais poderosos.

Mas tudo isso não mascara o olhar mais atento que consegue perceber que nem toda ação negativa recebe outra ação negativa por consequência, se indignam, não aceitam, e buscam justiça. Pois já perceberam também que passaram a vida realizando muitas coisas positivas, e mesmo assim, continuam recebendo o mal, e nem ao menos recebem de volta todo bem que fazem.

*texto de Fabiano de Abreu – Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University;Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio,Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal;Três Pós-Graduações em neurociência,cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard;Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal.Neurocientista, Neuropsicólogo,Psicólogo,Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS – Federation of European Neuroscience Societies-PT30079.
E-mail: [email protected]

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Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.