Amor vazio: quando a paixão morre e resta apenas o compromisso

O compromisso é necessário para que um relacionamento dure, mas raramente é suficiente para que um relacionamento permaneça no tempo e seja satisfatório.

O conceito de amor que cada pessoa tem é diferente e, claro, a dinâmica de cada casal pode variar muito. Existem aqueles que priorizam o comprometimento e aqueles que valorizam a liberdade, existem aqueles para os quais a sexualidade é um pilar fundamental e outros para os quais não é mais do que um complemento.

Em qualquer caso, quando um relacionamento é baseado apenas no compromisso, estamos diante de um amor vazio.

Paradoxalmente, essa é uma situação enfrentada por muitas pessoas que estão juntas há anos.

O passar do tempo aliena emocionalmente o casal, a rotina esgota o vínculo, tornando o dia-a-dia e o compromisso – que um dia foi firmado – os fatores que fundamentam a relação.

É tão comum que isso aconteça que passamos a normalizá-lo. Resignamo-nos a viver um amor vazio, assumindo que é inevitável e que não podemos aspirar a mais.

No entanto, ser um casal é muito mais do que morar junto e compartilhar obrigações; não importa quanto tempo passe, está em nosso poder cultivar um vínculo mais completo e enriquecedor .

Teoria triangular do amor de Sternberg

O conceito de amor vazio surge da famosa teoria triangular de Sternberg. A psicóloga americana deu contribuições relevantes para a compreensão das relações interpessoais e afetivas, desenvolvendo uma teoria que continua sendo uma referência.

Para Sternberg, o amor é como uma pirâmide com três vértices; em cada um deles existe um elemento essencial para moldar o amor:

Paixão

Refere-se à atração física, excitação e ao desejo ou necessidade de estar perto de outra pessoa.

Abrange todo o âmbito da sexualidade, mas não se limita a ela, engloba também o desejo romântico de grande intensidade e a tendência de buscar a união física e emocional com o outro. Está muito presente no início do relacionamento e é comum diminuir com o tempo.

Privacidade

A intimidade é a conexão, cumplicidade e confiança entre os parceiros. Designa os sentimentos de amizade, afeto e proximidade mútua. A intimidade permite que os membros do relacionamento se conheçam, nutrindo assim a confiança que têm um no outro.

Esse elemento predomina em estágios mais avançados do relacionamento, quando a paixão se estabiliza e as pessoas se redescobrem na mudança.

Comprometimento

Este último aspecto refere-se à decisão de continuar no relacionamento de longo prazo. É a vontade de permanecer no vínculo apesar das dificuldades, a favor da história compartilhada e do projeto de vida em comum.

Amor vazio: consequência do descuido

Dependendo dos três elementos propostos por Sternberg, podem surgir várias combinações que dão origem a sete tipos de amor. Por exemplo, a paixão surge quando há apenas paixão; amor sociável quando a intimidade e o compromisso são combinados.

No amor vazio, apenas a vontade de continuar está presente, mas não há cumplicidade, desejo sexual ou romântico, apenas, compromisso.

Este tipo de amor é típico das relações de interesse ou de conveniência, mas também, como já assinalamos, é frequente que surja em casais com uma longa história.

Fica-se no vínculo pelos filhos, pelos amigos mútuos, pela casa que se compartilha, mas os membros da relação são praticamente dois estranhos.

É verdade que a própria passagem do tempo faz com que os relacionamentos se transformem.

Substâncias como dopamina, serotonina, oxitocina ou endorfinas, muito presentes no início, diminuem a partir dos primeiros anos, fazendo com que as sensações vividas diminuam sua intensidade.

No entanto, o amor não é determinado pela biologia, mas depende de quanto cultivamos e cuidamos do vínculo,

Diferentes investigações descobriram que há casais que, após 20 anos de relacionamento, apresentam a mesma ativação cerebral ao verem seus parceiros como pessoas de casais recém-iniciados.

Ou seja, eles sentem a mesma paixão, intimidade e desejo de proximidade que nos primeiros anos. E isso se deve aos hábitos e comportamentos que têm mantido para cuidar do vínculo.

Do amor vazio ao amor consumado

Para Sternberg, o amor consumado é a aspiração máxima de um relacionamento afetivo, pois inclui os três componentes da pirâmide.

É inegável que o compromisso é essencial para um casal perdurar, pois sem essa decisão não há amor que seja flexível e intenso o suficiente para sobreviver às mudanças impostas pela vida. No entanto, é possível trabalhar para restaurar a paixão perdida e a intimidade.

Para fazer isso, temos que abordar as áreas que tendem a levar ao amor vazio:

– Negligência da imagem física que provoca redução na atração do parceiro.

– Excesso de obrigações, rotinas e compromissos que impedem os colegas de passarem bons momentos juntos.

– Pouca auto-revelação, não compartilhando com o parceiro preocupações, tribulações, sonhos e desejos.

– Uma rotina monótona e repetitiva que leva à perda de incentivos para ambos.

– Estresse mal administrado que nos leva a ficar irascíveis e a iniciar dinâmicas de interação negativa com o parceiro.

– Negligenciar o relacionamento e tomá-lo como certo, abandonando elementos essenciais como detalhes, gentileza, gratidão e demonstrações diárias de afeto.

Em última análise, está ao nosso alcance valorizar os aspectos que falham neste momento da relação, compreendendo as causas e trabalhando em equipa para revitalizar o vínculo.

A terapia de casal pode ser muito útil neste momento, fornecendo ferramentas de comunicação e orientações para despertar esse amor adormecido.

Lembre-se de que paixão e intimidade podem flutuar em momentos diferentes no vínculo e isso não significa que você tenha que se contentar com um amor vazio.

*DA REDAÇÃO RH. Com informações LLM.

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