Amiga, não é saudade do ex, é só frio. Não ligue para ele!

Kassia Luana

Todo inverno é a mesma coisa: as temperaturas caem rapidamente; a turma troca os barzinhos e baladas por filme, pipoca, vinho e chocolate quente; fica mais reclusa.

Principalmente quem mora ou está sozinho, sente mais a pressão: chuva, frio, dia dos namorados. As pessoas começam a passar mais tempo com elas mesmas, precisam lidar com seus pensamentos, carências, medos. E esta falta de hábito causa um mal que aflige a centenas de pessoas todos os anos: recaídas!

Os sintomas da primeira fase começam com um incômodo por ficar mais tempo em casa, pensamentos dos quais você fugiu por muito tempo teimam em querer roubar sua atenção. Abre a janela e vê a chuva que lhe tira a vontade de ligar para uma amiga e ir a um restaurante. Pede comida para entregar ou prepare algo bem rápido. Essa repetição, por dias a fio, começa a ficar insuportável.

A segunda fase é a dos pensamentos que começam com o “Poxa, seria legal ter uma boa companhia aqui”. Passa pelo “porque mesmo eu terminei com fulano de tal?”. E termina com o temido: “não custa nada ligar para fulano. Ele nem era tão ruim assim”.

E aí o mal se instala e sempre termina da mesma forma: algum tempo depois, muito arrependimento. Pode demorar uma noite, um mês ou muito mais. Mas a consequência sempre vem.

Para começar, amiga, se precisa ficar frio e sentir-se muito sozinha para sentir saudade de alguém, é porque você não está com saudades dessa pessoa de fato. Você está, apenas, com muita dificuldade de lidar com sua própria companhia. E a outra pessoa será usada para resolver isso. Ou seja, você não gosta nem dela, nem de você.

Segunda observação: o que tem de errado com a sua própria presença? É tão incômoda que você prefere abafar os sons dos seus pensamentos, trazendo de volta uma pessoa que já expulsa da sua vida? Como você pode desejar a companhia de uma pessoa, querer dividir a vida com outra pessoa, se você não suporta a sua própria presença? Não confunda nunca estar sozinha, com solidão.

Moro no interior, e muitas pessoas ainda estranham o fato de eu sair para tomar uma taça de vinho e comer algo sozinha, ou ir a um distrito vizinho ouvir música, ou experimentar um prato novo, ir à praia, a palestras, conhecer um bar de Jazz e, muitas vezes, no passado, sair para dançar.

Saio também com amigos. Mas posso dizer, com muito orgulho: amo estar em minha própria companhia. Batalhei muito para crescer e batalho, diariamente, para melhorar ainda mais.

Seja espiritual, mental ou fisicamente. Quantas vezes, no passado, eu me decepcionei com relacionamentos, seja de amizade ou namoro, por esperar das pessoas coisas que elas não poderiam me dar. Ou seja, eu mesma decepcionei a mim!

Repito: se não gosto da minha companhia, quem vai gostar? Se não consegui curar minhas feridas internas, quem conseguirá curá-las? Se não enfrento os meus próprios pensamentos, quem enfrentará? Se não consigo rir das minhas próprias piadas ou bobagens, quem rirá? Se não respeito a mim mesma, quem respeitará?

Sim, pode me chamar de maluca da terapia e da meditação. Eu sou mesmo! (Risos). Recomendo sempre, porque é cientificamente comprovado que funciona. O autoconhecimento é a saída para resolver quaisquer problemas que você tenha na sua vida. Acredite! E tanto a terapia quanto a meditação são portais para o autoconhecimento.

Meditar é colocar-se em silêncio e entrar em sintonia com o Universo. Quando começamos, é difícil ficar alguns segundos que seja sem pensar em nada. Mas, depois, torna-se um prazer tremendo.

Você começa a controlar o que passa pela sua mente, sabe a causa e a consequência, percebe quando são coisas sem sentido, que fazem parte do passado, ainda voltam e tentam roubar-lhe o presente e o futuro. Percebe o quanto você era controlado por coisas que não pertencem a você. Então você limpa, pega o controle e muda sua vida!

A terapia é outra forma de resolver estas questões. Encontrar-se, aceitar-se e seguir em frente. É um fato! Você começa a perceber que certos fantasmas nunca existiram e isso é libertador.

Seja pela meditação ou terapia, você descobrirá que a resposta está sempre dentro de você e nunca mais vai se deixar controlar por falsos sentimentos de medo, solidão, ansiedade, insegurança.

Quando você se conhecer de verdade, vai começar a amar sua própria presença. Vai entender que estar com o outro é mais prazeroso, se for opcional e não obrigatório. Cada vez os fatores externos influenciarão menos. Frio ou calor, multidão ou “casa vazia”, nada disso vai interferir no seu estado constante de graça, de felicidade, de prazer. Descobrirá que estar com o outro é bom, mas a sua eterna companhia é você mesmo, então precisa tornar-se uma excelente companhia!

Leia aqueles livros que você comprou, guardou e esqueceu que estavam lá. Aventure-se e faça aquela receita que você encontrou na internet. Ligue a TV em um Canal que você nunca parou para assistir. Vá ao cinema assistir a um filme diferente dos que você costuma ver. Vá conhecer o bar de Jazz que está em um bairro vizinho e que nunca foi porque sua amiga não curte muito este tipo de música. Experimente ir aquele novo restaurante da cidade, quem tem um cardápio incrível. Ponha uma roupa bacana e vá dançar.

Você tem um leque de opções do que pode fazer na melhor companhia do mundo: você mesmo! Se ainda não é essa boa companhia, torne-se!

E quando bater aquela vontade de ligar para o ex, amiga, lembre-se: se fosse bom para você, seria atual. Então, acorde! Daqui a pouco o frio passa e você quer mesmo que o dito esteja aí? Desapegue!

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Kassia Luana
escritora, promotora de vendas e divulgadora Seicho No Ie (SNI). Apaixonada pela vida, acredito na auto cura, na gratidão e amor ao próximo.

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