Alguns dos piores atos de terrorismo do Talibã que não podemos esquecer:

Vocês estão acostumados com os meus textos como neurocientista, muitas vezes, com leves toques de história, que é uma das minhas formações assim como antropologia. Desta vez, vou dar uma pincelada de neurociência recorrendo a história, para relembrar o que não pode nunca ser esquecido.

Quanto mais afetada a sociedade pela ansiedade, mais pessoas esquecem o passado, reclamam do presente e seguem na ilusão de que tudo será diferente.

Muitos se esquecem ou amenizam a história de crimes de alguns e, neste caso, estamos falando do terror do Talibã.

Tem relação com o negacionismo, mediante a falta de coerência, conhecimento e clareza sobre as possibilidades de retrocesso nas questões de direitos humanos que poderão acontecer a partir da retomada do poder do Talibã no Afeganistão.

Neurociência e o retorno do Talibã ao poder

O sistema límbico no cérebro coordena as nossas ações, e quando o córtex pré-frontal está menos ativo, ele que está relacionado com a inteligência, nós não conseguimos orquestrar ações mais racionais. O que nos diferencia dos demais animais é o maior desenvolvimento desta região do lobo frontal que nos tornou mais inteligentes. Mas o cérebro reptiliano ainda dita regras com influência do instinto e perturbações provenientes da cultura tecnológica, e também, da mídia social. Essa é a resposta que eu dou para a atitude dos talibãs em relação ao terrorismo e as mulheres, é sim, uma deficiência na atividade racional cerebral.

Contexto histórico

A Al Qaeda é composta por árabes e, o Talibã são tribos afegãs, a maioria deles da etnia pashtun. Os dois grupos são aliados e se ajudam nas questões de logística, armas e dinheiro; expulso de vários países, Osama Bin Laden, um dos fundadores da Al Qaeda, foi acolhido pelo Talibã no Afeganistão após os ataques de 11 de Setembro que deixou milhares de mortos nos Estados Unidos.

Acrescentando, segundo os dados do Índice Global do Terrorismo publicado em 2019 colocam o Talibã como o maior grupo terrorista da história, mais violento que o conhecido do Estado Islâmico.

Para se ter ideia, em 2018, o Talibã foi responsável por 38% do total de fatalidades em atos terroristas no mundo (6.103 mortes), 71% a mais na comparação com o ano anterior.

Além da violência em suas ações, o grupo impôs mudanças culturais profundas no Afeganistão.

O que não podemos esquecer de jeito nenhum

Em 1996, quando dominou a capital do país, Cabul, pela primeira vez, leis islâmicas foram impostas a todo o povo afegão. Foi a partir dali que, por exemplo, as mulheres foram obrigadas a se cobrirem da cabeça aos pés, não puderam mais frequentar escolas ou trabalhar fora de casa, além de serem proibidas de viajar sozinhas.

Outro detalhe é que TV, música e feriados não islâmicos também foram proibidos.

Vamos recordar alguns atos terroristas assumidos por esse grupo, considerado o grupo terrorista mais violento do mundo, superando o Estado Islâmico.

O Talibã:

Em 10 de setembro de 2011 – Dois cidadãos do Afeganistão foram mortos e 77 soldados dos EUA são feridos na explosão de um caminhão-bomba na entrada do Posto Avançado de Combate Sayed Abad, que é uma base das forças internacionais na província de Wardak. O grupo assume a responsabilidade pelo ataque.

• Três dias depois, membros do Talibã abrem fogo contra a embaixada dos EUA e a sede da Força Internacional de Apoio à Segurança (ISAF) no centro de Cabul. Quatro pessoas morreram ali.

Em 27 de fevereiro de 2012 – O Talibã assume um atentado suicida perto do portão da base da ISAF no aeroporto de Jalalabad, no Afeganistão. Pelo menos 9 pessoas morreram e 12 ficaram feridas naquele momento. O grupo revela que o bombardeio é uma retaliação pela queima de Alcorões pelas tropas da Otan.

Em 11 de fevereiro de 2017 – O Talibã assume a responsabilidade pela explosão de um carro-bomba que matou oito pessoas em Lashkar Gah, capital da província de Helmand.

Dois meses depois, uma base do exército no norte do país é atacada, deixando mais de 100 mortos e feridos.

No dia 3 de agosto de 2017 – Forças do Talibã e do Estado Islâmico fizeram um ataque a uma vila no norte do Afeganistão, matando 50 pessoas. Segundo autoridades locais, até crianças e mulheres foram mortas neste embate.

Em 27 de janeiro de 2018 – uma ambulância cheia de explosivos foi detonada em Cabul, matando 95 pessoas e ferindo outras 191. O Talibã assume a responsabilidade.

Em 7 de junho de 2018 – foi anunciado que as forças afegãs concordaram com um cessar-fogo com o Talibã entre 12 e 21 de junho. A trégua proposta coincide com o feriado de Eid al-Fitr, período durante o qual os muçulmanos celebram o fim do Ramadã, o mês sagrado do jejum islâmico. Dois dias depois os militantes do Talibã mataram 17 policiais em um ataque a uma base.

No dia 10 de agosto de 2018 – O Talibã ataca a cidade afegã de Ghazni, ao sul da capital Cabul, invadindo edifícios importantes e trocando tiros com as forças de segurança. A ação deixou 16 mortos e 40 feridos.

Em 15 de janeiro de 2019, o Talibã usou um carro-bomba e deixou quatro mortos e 113 feridos em uma área residencial frequentada por estrangeiros no leste de Cabul.

Qual é o objetivo do Talibã?

Atualmente, o grupo atua no Afeganistão e no Paquistão, seu objetivo principal é implementar a Sharia e recuperar o controle dos territórios, com ofensivas contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e os governos do Paquistão e Afeganistão.

Para isso, a organização utiliza táticas de guerrilha e ataques de homens-bomba. No Paquistão, a mesma é nomeada de Tehrik-i-Taliban Pakistan. O seu atual líder do grupo é o Mullah Haibatullah Akhunzada.

Com o enfraquecimento do Estado Islâmico e a volta do Talibã, a Al Qaeda poderá ganhar mais força, eles são como os “meninos rebeldes” que levam a culpa, assumem atentados internacionais e o Talibã finge não saber de nada, mas estão sempre a ampará-los.

Ação dos EUA

No Afeganistão, durante os últimos 20 anos, a estratégia dos Estados Unidos era de fortalecer o governo e o exército afegãos para que o país tivesse como frear os avanços do Talibã.

Ainda na gestão Donald Trump, foi assinado um acordo para retirar as tropas americanas dali. Com a saída norte-americana em 2021, ao contrário do que todos desejavam, o Talibã voltou novamente ao caminho de dominação do país de forma tão rápida que impressionou a todos.

Chega-se assim ao fato que ganhou as páginas dos jornais nos últimos dias.

Com quase 75% do território do país ocupado pelo Talibã, o presidente Ashraf Ghan fugiu e o grupo assumiu o poder novamente.

O resultado disso é aquela imagem que repetidamente se espalhou por todo o mundo, de milhãres de afegãos tentando deixar o país, lotando o aeroporto de Cabul, com medo do que o Talibã será capaz de fazer com a população que ajudava o Estado e contribuía com a permanência dos EUA.

Estado Islâmico

Em contrapartida, o Estado Islâmico não está morto, encontra-se na África recrutando pessoas fáceis de serem manipuladas devido à pobreza e suas consequências.

O que vejo é a volta daquilo que parece nunca terminar, igual ao que acontece no tráfico de drogas no Brasil, quando um morre, sempre tem outro para ficar em seu lugar. E mesmo mediante a este histórico, tanto a Rússia quanto a China demonstraram que estão dispostos a não se indisporem com o Talibã.

Russos anunciam contato com representantes das ‘novas autoridades afegãs’, enquanto chineses dizem que desejam manter ‘relações amistosas. ‘

Ressalto que os ataques terroristas escolhidos foram apenas alguns a partir de 2011, há muitos outros ataques não relatados neste texto e um outro terrorismo que acontece é contra a liberdade das mulheres naquele país.

Conheça agora as 26 restrições aplicadas pelos talibãs às mulheres, segundo a RAWA:

1 – Proibidas de trabalhar: Existia a proibição total do trabalho feminino fora de casa. Apenas algumas médicas e enfermeiras tinham permissão para trabalhar em alguns hospitais de Cabul (capital do Afeganistão).

2 – Presas dentro de casa: As mulheres só podem sair de casa se forem acompanhadas pelo marido ou por um familiar masculino como pai, avô, irmão ou filho.

3 – Proibidas de realizar negócios com comerciantes do sexo masculino.

4 – Proibidas de ser tratadas por médicos homens.

5 – Proibidas de estudar: As mulheres não tinham permissão de andar na escola, universidade ou qualquer outra instituição educativa. As escolas para raparigas foram convertidas pelos talibãs em seminários religiosos.

6 – Obrigadas ao uso de um longo véu (burca) que as cobre da cabeça aos pés.

7 – Podem ser chicoteadas, espancadas e vítimas de abusos verbal: A mulheres que não se vistam de acordo com as regras dos talibãs ou que não estejam acompanhadas pelo marido ou por um familiar masculino podem ser vítimas de violência física e verbal. Podem ser chicoteadas em público as mulheres que não escondessem os tornozelos.

8 – As mulheres acusadas de ter relações sexuais fora do casamento são condenadas ao apedrejamento público até à morte.

9 – Proibidas de usar produtos de cosmética: Não podiam usar por exemplo maquilhagem nem esmalte.

Houveram casos de mulheres que, por usarem esmalte nas unhas, tiveram os dedos amputados.

10 – Proibidas de falar ou apertar a mão a homens: Só o podem fazer aos maridos ou familiares.

11 – Proibidas de rir em voz alta: Os talibãs consideravam que ninguém estranho à mulher poderia ouvir a sua voz.

12 – Proibidas de usar saltos altos que produzissem som ao caminhar: Os homens não podiam ouvir os passos de uma mulher.

13 – Proibidas de apanhar um táxi: Só podem fazer acompanhadas pelo marido ou familiares do sexo masculino.

14 – Proibição da presença feminina na rádio, televisão ou reuniões públicas de qualquer natureza.

15 – Proibidas de praticar desportos ou entrar em qualquer clube desportivo.

16 – Proibidas de andar de bicicleta ou mota: Só o podiam fazer se fossem acompanhadas pelo marido ou familiar do sexo masculino.

17 – Proibidas de usar roupas de cores vivas: Para os talibãs, as cores vivas eram consideradas “cores sexualmente atraentes”.

18 – Proibidas de reunir para festividades: Como para os Eids, as celebrações em nome de Alá.

19 – Proibidas de lavar roupa nos rios ou praças públicas.

20 – Modificação de todos os nomes de ruas e praças que incluíam a palavra “mulher”: Por exemplo o nome “Jardim das Mulheres” passou para “Jardim da Primavera”.

21 – Proibidas de espreitar das varandas do seu apartamento ou casa.
Todas as janelas das casas tinham de ser opacas: Esta obrigatoriedade tornava impossível que alguém da rua conseguisse ver as mulheres dentro das suas casas.

22 – Alfaiates masculinos não podem medir, nem costurar roupas femininas.

23 – Proibidas de utilizar casas de banho públicas.

24 – Não podem viajar no mesmo carro que os homens: Existia uma distinção entre os carros para homens e os para mulheres.

25 – Proibidas de usar calças largas: Mesmo que fossem usadas por baixo da burca, as calças largas continuavam a ser proibidas.

26 – Proibição de fotografar ou filmar mulheres: A impressão de imagens de mulheres em revistas, livros, ou penduradas em casas ou lojas eram proibidas.

O receio do mundo é que essas restrições e proibições venham a ser praticadas novamente com grande rigor, e que os ataques terroristas se intensifiquem, isso não poderemos aceitar.

O mundo não pode desamparar essas cidadãs, e é preciso exigir que se respeite os direitos humanos e a liberdade dessas mulheres.

E é por isso, que eu reafirmo e trago essas informações porque esses são só alguns dos piores atos de terrorismo do Talibã que não podemos esquecer.

*DA REDAÇÃO RH. Colocar no final dos artigos do Fabiano: Fabiano de Abreu Rodrigues
Texto de Fabiano de Abreu Rodrigues, PhD, neurocientista, neuropsicólogo, biólogo, historiador, jornalista, psicanalista com pós em antropologia e formação avançada em nutrição clínica. PhD e Mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Psicologia e Neurociências pela EBWU na Flórida e tem o título reconhecido pela Universidade Nova de Lisboa; Mestre em Psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio/Unesco; Pós Graduação em Neuropsicologia pela Cognos em Portugal; Pós Graduação em Neurociência, Neurociência aplicada à aprendizagem, Neurociência em comportamento, neurolinguística e Antropologia pela Faveni do Brasil; Especializações avançadas em Nutrição Clínica pela TrainingHouse em Portugal, The electrical Properties of the Neuron, Neurons and Networks, neuroscience em Harvard nos Estados Unidos; bacharel em Neurociência e Psicologia na EBWU na Flórida e Licenciado em Biologia e também em História pela Faveni do Brasil; Especializações em Inteligência Artificial na IBM e programação em Python na USP; MBA em psicologia positiva na PUC. Membro da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814; Membro da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488; Membro da FENS – Federation of European Neuroscience Societies – PT 30079; Contato: [email protected]

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Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.