Ah, se eu tivesse coragem de lhe dizer o que sinto!

Cris Souza Fontes

Um dia desses eu amanheci com o coração um pouco mais apaixonado. Coisas que acontecem de quando em vez, mas, comecei a me perguntar como seria se eu tivesse coragem de contar o que eu sinto por ele…

Confesso que, depois dos 40 a gente pensa muito mais do que pensaria aos 16. Mesmo sendo uma pateta nessa idade, hoje é ainda pior! Sou a mestra das patetas!! Antes, existia só a timidez, o medo da rejeição e tal. Hoje, existe também o medo da rejeição (apesar de estar bem mais preparada e segura), a dúvida se quero mesmo passar por algo assim e a certeza que se a resposta for “eu também” poderia eu entrar na maior furada da minha vida! Daí eu fico aqui ainda, pensando.

Mesmo que a gente queira mudar o nosso comportamento, mesmo que pensemos que depois de certa idade as coisas ficam mais fáceis, digo-lhe que não fica não. Eu poderia dizer que é a coisa mais linda você chegar e dizer ao outro o que sente! Eu poderia dizer! Então, logo penso se eu diria também que sinto algo por alguém. Ainda existem muitos pensamentos entre você e o alvo! Ainda existe o “se”.

Começo a pensar que quando se é jovem a gente se refaz como células, mas que depois de mais velho as coisas ficam mais “delicadas”. Delicadas como? Somos um papel amassado que já foi para reciclagem uma dúzia de vezes! Tem ideia do que é isso? Não somos mais um papel novinho, recém saído da fábrica para primeiro uso. Somos um papel cheio de marcas que foi reconstruído várias vezes e que já está muito cansado de todo esse processo! Eu estou cansada de todo esse processo. Você não?

Depois que escrevi o livro #Apaixonadaaos40, muitas mulheres vieram me dizer que estavam como a personagem, a Beatriz, que, após uma crise dolorosa, um divórcio desastroso, ela recomeçou e começou a viver e se arriscar no amor e na vida, de muitas formas que lhe foram oferecidas.

Eu sou uma Beatriz e, digo-lhe que meu próprio livro me ensina todos os dias. Ensina-me a ter coragem de ser uma apaixonada por mim e, se aparecer alguém, que eu seja também por ele!

E por que não amar? E por que não dizer o que sinto e como me sinto? Já ouviu centenas de “nãos” na vida? Oh, bem vinda ao time! E que tal correr o risco de receber mais um?

Bom, eu fui lá dizer. Tive coragem. Pensei comigo mesma que guardar um sentimento é perda de tempo e energia. É um esforço muito grande guardar um sentimento, ficar pensando na pessoa, imaginando vocês juntos… não acha? E se pelo menos eu souber que o sentimento não é recíproco começo a imaginar todo um passeio na praia com outra pessoa, oras! Mas, se eu for correspondida… daí que uma história começa. Boa ou ruim, só vivendo pra saber.

O meu retorno foi um pouco duvidoso. Não recebi um “sim” e também o “não”. Achei uma porcaria, sério! Mas, pressionar também é deixar morrer uma chance que você poderia ter. É perceptível que o outro também sente medo, que se o seu pretendente não tiver 20 anos também sentirá medo, também será um papel reciclado. Então, é preciso ter calma mesmo que esteja louca para amar!

E a coragem onde está? Está na vontade que temos de amar, de oferecer afeto, de ter uma companhia, mesmo que você ame a sua!

Aprendi que guardar um sentimento, agora, nessa fase da minha vida e, em tantas outras, é sufocante demais e nosso coração não quer mais isso. Nosso coração quer liberdade para sentir ou para seguir e, se viver uma relação amorosa depende que o outro lhe corresponda, é melhor chegar e dizer, que tal?

No mais, se estiver apaixonado demais por si mesmo, melhor ainda! Não vai precisar buscar uma coragem, as coisas serão fluidas. Essa conversa que temos, pessoas, é para os tímidos, para os que estão escaldados (tipo eu). Quem gosta de arriscar nem tem pensamentos como o tema deste post.

E quanto a você: BOA SORTE!

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Cris Souza Fontes
Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor e o amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.

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