Acreditar no amor é pouco. Quem ama mesmo põe a mão na massa

André J. Gomes

Eu acredito no amor a toda prova e ninguém me prova o contrário. Acredito mesmo. O amor é a única saída para qualquer canto. É o único caminho. Mas eu ponho fé e ponho em prática. Acreditar é pouco. Não basta. Tem de pôr a mão na massa!

O maior trabalho de quem acredita é não deixar que a crença vire só uma ideia vaga, simpática, passiva, acomodada e inútil. É trabalho para a vida inteira. E põe vida e põe trabalho nisso!

Tem gente que senta e espera uma graça cair do céu assim, sem esforço, sem se mexer para que aconteça, sem fazer por merecer. O mundo anda cheio de gente confundindo fé em Deus com acomodação, inércia, conformismo. Isso não é fé. É abuso. Tem gente que abusa da bondade divina.

Penso aqui comigo que no amor acontece a mesma coisa. Quem espera o amor surgir sozinho, chegar por acaso, aparecer do nada é alguém que deseja vencer na loteria sem fazer a aposta. Um bobo infantilóide, perigoso e mais comum do que você e eu imaginamos.

Perigoso, sim. Porque quem espera o amor chegar sem mover uma palha em sua direção é, em geral, um sujeito que culpa o outro por falhas que são suas, que espera do outro atitudes que ele tampouco toma, que pede demais do outro e pouco dá de si mesmo. Que se volta contra o outro com fúria, babando veneno, quando o outro não atende às suas expectativas. O errado é sempre o outro, o outro, o outro.

Quem ama mesmo paga o preço de se saber incompleto, imperfeito, impreciso. E vai em busca de corrigir tudo quando possa em si mesmo. O outro é outra história. Amar é um ofício prático, um trabalho braçal. Exige labuta, construção, honestidade.

Acho bonito quando as coisas se acertam devagarinho. A gente corre, salta, escorrega, cai, levanta, carrega uma tonelada, caminha um dia inteiro e percebe que resolveu um passinho e pouco daquele problema, porque tudo tem seu tempo.

E o amor também é questão de tempo. Tudo se resolve no seu prazo quando a gente se dispõe, se envolve, se aplica. É quando o amor decide fazer das suas, acontecer por dentro e por fora, empurrar a gente para frente.

Eu acredito no amor, sim. O amor que tomba o braço do carrasco, que trava todos os gatilhos, enferruja todas as armas, enfraquece qualquer vingança, desarma todas as bombas, varre do mundo todas as guerras. O amor que desperta em quem agride um colossal e vergonhoso senso do ridículo, estraga toda vinganca, enfraquece qualquer fúria, rouba o sentido de toda ação violenta.

E assim, de acreditar no amor, eu acredito em você que tem nos olhos qualquer coisa que me fará seguir adiante.
Você que virá me roubar da solidão e seguirá caminhando ao meu lado, feliz da vida. Você que vai surgir e pôr as mãos na massa comigo. Você que há de chegar e ficar. Eu acredito em você.

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André J. Gomes
http://www.revistaletra.com.br/ Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.