A mulher de 30 anos conhece suas qualidades e defeitos, não se acomoda, mas também não se desespera.

Marian Koshiba

A mulher de 30 anos é uma mulher interessante… Ela olha, do alto de uma montanha, por trás de seus ombros, e percebe o quanto aquela pessoa insegura, amedrontada, preocupada demais com o julgamento alheio, desconectada de sua verdade, era ainda… uma menina.

Tão inocente, com uma visão tão míope do entorno e de si, tropeçando em obstáculos óbvios e em suas próprias pernas desengonçadas.

Ela olha aquela criança com um pouquinho de dó até, mas muita empatia.

A mulher de 30 anos olha pra frente.

O que ela pensava que seria do seu futuro é tão diferente do que ela imaginou aos 15, tão menos cor de rosa, tão menos cinematográfico, mas tão mais real, tão mais… ela mesma!

Essa mulher também entende que por trás dos morros altos do futuro estão partes dessa história que ela não consegue ver, nem sequer imaginar… e ela não teme mais essa incerteza.

Ela sabe, em si, que o mistério da vida já trouxe coisas melhores do que podia supor, e as piores… bem… fizeram dela o que ela é hoje (e ela se orgulha muito de quem se tornou, e de cada cicatriz das guerras vencidas).

A mulher de 30 anos fecha então os olhos, e aprofunda em si mesma, no presente.

Com certeza ela pensava, há anos atrás, que estaria em outros lugares, com outras conquistas, com outro corpo e talvez com outras pessoas.

Ela sorri. Porque a mulher de 30 anos chega num daqueles cumes de maturidade em que consegue olhar tudo em perspectiva.

A clareza daquilo que é e não é, é tão mais presente, e isso traz a ela uma paz que ela não provou nos anos pulsantes e inquietos da adolescência e nem nos dias de crise e ansiedade do início da vida adulta.

Ela sabe o que quer, quem quer, sabe o que merece, sabe seu lugar no mundo (pelo menos, por agora).

Ela tem aquela gana de querer viver a vida no seu máximo, mas também sabe que paciência é uma virtude necessária, afinal as coisas nascem mais como semeadura do que como explosão.

A mulher de 30 anos sabe que tem seus limites e quais são eles, e sabe que está tudo bem deixá-los claros.

Ela sabe que ninguém tem direito de fazê-la se sentir inferior.

Sabe que a diplomacia é importante, ser rebelde sem causa não é bacana, mas também sabe lutar as lutas com unhas e dentes quando precisar.

A mulher de 30 anos sabe bem suas qualidades e defeitos, suas habilidades e limitações, não se acomoda, mas também não se desespera.

Sabe que tem a vida toda para evoluir.

A mulher de 30 anos sabe sobre sua essência por sua própria observação, e não mais pelos olhos externos.

Ela também vê os demais com muito mais nitidez, e graças a isso é muito mais tolerante, mas também muito mais seletiva.

Sabe escolher pessoas de confiança e bom coração para manter ao seu lado.

Ela sabe que não precisa ter medo de ser só, mas sim, ter medo de sentir-se só dentro de uma relação vazia.

Ela chegou aos 30… e finalmente deixa de ser menina para ser MULHER.

** Revisão e edição Iara Fonseca

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Marian Koshiba
Formada em Direito, escritora por necessidade de alma, cantora e compositora por paixão visceral. Só sabe viver se for refletindo sobre tudo, sentindo o mundo à flor da pele. Quer transmitir tudo que apreende (e aprende) por todas as formas criativas possíveis.