A morte assusta quem ainda não viveu!

Elen Lima

Poderia dizer que é uma forma de morte, a terrível sensação de se ver sentado à janela da própria existência, vendo sua vida passar, isso resume para mim, um dos significados mais latentes de infelicidade.

“Ninguém sabe o que espera pelos mortos”.

Ouvi essa frase assistindo a um filme, em sua versão legendada, era uma música, e chamou a minha atenção. Dei razão e pensei: de fato, por mais que alguém tenha estudado o assunto e conhecido alguém que morreu, nesta vida, jamais será capaz de afirmar, com total certeza, o que espera por nós após a morte… Ninguém voltou de lá para contar como foi.

Comecei então a pensar sobre o objetivo da vida. Muitas podem ser as respostas disponíveis para essa pergunta. Presumo que grande parte das pessoas responderia assim, como eu também respondi um dia: “Ser feliz! O objetivo da vida é ser feliz”.

Talvez a resposta não seja assim tão simples. Essa é uma questão profunda e, de certa forma, quase polêmica.

Se ainda não temos como saber o que espera pelos mortos vou falar então sobre o conhecemos até aqui: A VIDA.

Nessa vida tão frenética, ansiosa e agitada que vivemos. Tenho a impressão de que, atualmente, o tempo passa rápido demais até mesmo para as crianças.

Quando eu era criança, não era assim.

O tempo passava bem devagar. De um Natal a outro era uma eternidade por ano.

Mesmo assim, diante de toda essa velocidade, vivemos como se FÔSSEMOS IMORTAIS.

Por isso mesmo, para alguns, o diagnóstico de algumas doenças graves ainda soa como uma sentença de morte. Tais diagnósticos trazem à tona algo que fazemos questão de esquecer. O fato de que MORREREMOS.

E assim a vida segue. Dia após dia. Nem todos os dias são felizes. Não conheço ninguém que afirme que todos os seus dias são felizes.

E se formos considerar a máxima de que o objetivo da vida é ser feliz, nos dias infelizes, não atingimos o objetivo da vida?

E se a tristeza for tamanha, que os dias felizes forem raros.

Por quê continuar vivendo, se o objetivo da vida não está sendo atingido?

Deveríamos então morrer de infelicidade?

A pena de morte deveria ser aplicada a quem se reconhece infeliz?

Não é bem assim.

Não se constrói uma vida boa unicamente a partir de dias felizes. Os dias tristes e infelizes fazem parte da jornada.

Digo mesmo que são necessários para que uma vida seja, de fato, boa.

Partindo desse pressuposto, entendo que o objetivo da vida não é “apenas” ser feliz. O objetivo da vida é outro.

É viver tudo o que há para viver. Com todas as situações que a vida nos reserva. Sejam elas boas ou ruins.

Viver. Estar vivo. Estar presente para a realidade. Viver no tempo presente. Experimentar o estar vivo. Aproveitar as experiências que a vida oferece. Nem todas são boas. Mas todas são vivas.

As boas viram memórias. Ficam gravadas na alma e no coração. Podem ser revisitadas a qualquer tempo, em qualquer lugar. E as ruins? Devem ser “deletadas”? Não. A vida não seria boa sem elas.
São lições que aprendemos. Nos fazem melhores. Não precisam ser relembradas.

Uma lição não precisa ser revistada depois que dominamos o assunto. Porém, até dominar o assunto, ele deverá ser treinado.

Unicamente através da memória? Possivelmente não.

Terá que ser através da vivência de várias experiências e da observação da vida. Não somente da própria vida. Também do que outras pessoas passaram e viveram.

Será que o objetivo da vida está sendo atingido? Será que vivemos? Ou apenas sobrevivemos?

Em meio a correria, passam minutos, horas, dias, meses e anos. E assim a vida segue. Será que ela segue? Ou apenas prossegue?

A terrível sensação de se ver sentado à janela da própria existência, vendo sua vida passar, resume, para mim, um dos significados mais latentes de infelicidade. Poderia dizer que é uma forma de morte.

E a morte? Bem, ela só assusta quem ainda não viveu! Então não perca seu tempo com coisas pequenas, apenas, viva!

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS







COMENTÁRIOS




Elen Lima
Elen de nascimento, Maria por opção. Escritora, pensadora, sonhadora, gestora, coach e mãe. Escrever é colorir a realidade com as imagens que a alma captura a cada momento do existir. Tudo que é vivido, pensado ou sentido merece também ser escrito.