A mentira que você conta nas redes sociais afeta a sua saúde mental.

Você conhece alguém que mostra uma vida de mentira nas redes sociais?

Nenhuma mentira suplanta a nossa verdade interior. Por mais que desejemos mostrar uma felicidade nas redes sociais, se ela não existe, acabamos mergulhados em uma sensação de insatisfação que nos adoece.

A autenticidade nos garante momentos de felicidade, mesmo que as coisas não estejam exatamente como a gente gostaria que estivessem, o nosso ser autentico consegue ser feliz com o que tem.

As máscaras sociais, em muitos momentos, são importantes e se fazem necessárias. Ninguém suportaria nossa verdade absoluta, nossa sinceridade massacrante, se assim fosse, nos tornaríamos “sincericidas ou sincerinatas”. Essa atitude nos levaria à solidão.

Usar de “personas” adequadas ao momentos, ambiente, situações e pessoas, e escolher bem o personagem no grande teatro da vida é sim uma tarefa desafiadora que nos assegura nos portarmos adequadamente em cada ambiente, e sermos bem vindos.

Saber exatamente como agir e se apresentar em cada ambiente nos garante participar do enredo do dia a dia, sem temer a exclusão social, o cancelamento, que nos remete ao desamparo, a desimportância, a desesperança que se desdobra em depressão e isolamento.

Fingir o tempo todo nos faz sentir ser uma fraude, e acabamos nos perdendo de quem realmente somos.

Vidas polarizadas são como fios conectados a apenas uma tensão, positiva ou negativa, isso não vai nos “acender”, precisamos do equilíbrio das duas correntes, das duas forças que geram energia e nos iluminam.

As redes sociais são apenas um recorte, um momento de aparição do mundo digital para o mundo real. Quando nos expressamos nas redes temos a sensação de que somos eternos, pois tudo o que postamos continuará ali, a não ser que as excluamos manualmente de lá.

Mas esse sentimento de eternidade é uma grande ilusão, na verdade, nos eternizamos em momentos reais, vividos com pessoas igualmente físicas, concretas, e que vivem a nossa verdade de fato.

Nos sentiremos mais felizes se passarmos a compartilhar verdadeiramente a vida com alguém e se permitirmos que este alguém nos deixe traços que carregaremos até o fim dos nossos dias.

Somente no mundo manifesto e real é que podemos expressar o olhar que comunica o verdadeiro amor, o sorriso de cumplicidade, o momento de tirar a maquiagem, de ficar descabelado, de soltar o nó da garganta, de buscar o ritmo certo no compasso do mesmo coração…

Mentir uma vida perfeita e virtual, num palco iluminado, editado, “fotoshopado”, com a fantasia a substituir a verdade, omitindo de nós mesmos e dos outros os erros e só compartilhando os acertos, em rompantes de calmarias é buscar a engrenagem que moverá a nossa vida, envolvido pela peça do outro.

Ser de verdade é também mostrar fragilidades, demonstrar a vulnerabilidade ao enfrentar desafios, se sentir perdido e aprender a pedir ajuda, oferecer consolo, dar e receber amparo… Ser assim nos traz saúde e vitalidade, mas contar mentira acaba nos colocando doentes.

Nas redes sociais, criamos autoridade, queremos mostrar que sabemos tudo, que somos belos, autossuficientes, que temos opiniões formadas, que somos saudáveis e seguros.

É justamente isso que nos adoece, o fato de parecer sem ser! E mesmo que nos sintamos verdadeiramente assim em nossa vida real, a vida, infelizmente, não é só isso, devemos demonstrar compaixão por quem sofre, ajudar quem precisa, principalmente, quando tudo vai bem em nossas vidas.

Quando queremos receber só para nós, nós adoecemos na ganancia e na falta de amor ao próximo.

A casca que nos recobre é fina demais, não resiste a um olhar que atravessa a alma e encontra a dor que em nós mora, porque todo ser humano têm a sua ferida aberta. Quando uma cicatriza, abre-se uma nova.

Os ciclos da vida são sempre muito democráticos, todos atravessamos crises, ultrapassamos estágios, enfrentamos provas… E é essa verdade abstrata, cíclica e difusa que nos domina e rege.

Manter suas contas e suas aparições no mundo virtual ativas é uma forma de viver. Mas não esqueça que a vida sempre acontece no aqui e agora, no presente concreto, ao lado de pessoas reais. Que escolhem sorrir e chorar, amar e se enraivecer, se aproximar e partir quando querem, deixando memórias.

Escolher viver apenas o mundo virtual, dia e noite conectado a uma tela vai te adoecer.

É preciso se abrir para a verdade do seu interior, e agir com essa verdade sem impor o seu ponto de vista, apenas sendo. Só a autenticidade nos garante a felicidade! Enquanto você viver de posts felizes, bebendo de uma alegria vazia, mais vazio sentirá em sua existência.

Se permita ser diferente porque todos nós somos únicos, ninguém é igual nesse mundo.

Quando tentamos nos igualar, seguir padrões pré-estabelecidos e nos forçamos a segui-los, mesmo que não nos encaixemos neles, acabamos como papagaios, ou seja, só repetimos o que já existe.

Ao nos mover assim pela vida, adoecemos mentalmente, pois estamos fugindo da nossa essência, daquilo que somos de verdade e nos forcando a ser aquilo que achamos que é melhor do que nós mesmos.

Não existe melhor ou pior, existem pessoas que se entregam a sua verdade e por isso se destacam. Seja essa pessoa! Não viva de mentira!

*DA REDAÇÃO RH. *texto de Fabiano de Abreu – Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l’Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University;Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio,Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência,cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal. Neurocientista, Neuropsicólogo, Psicólogo, Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN – Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC – Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS – Federation of European Neuroscience Societies-PT30079. E-mail: [email protected] Foto de arash payam no Unsplash

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Fabiano de Abreu Rodrigues é psicanalista clínico, jornalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e personal branding luso-brasileiro. Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional. Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil. Lançou o livro ‘Viver Pode Não Ser Tão Ruim’ no Brasil, Angola, Espanha e Portugal.