A Escolha de Sofia: primeiro a economia, depois a vida!

Jackson César Buonocore
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A Escolha de Sofia: primeiro a economia, depois a vida!

A necropolítica move as suas engrenagens doentias para determinar quem deve morrer e quem deve viver nesse cenário terrível de pandemia do coronavírus, que assola o mundo.

É a negação da vida que se potencializa na prática e no discurso político, religioso e econômico, que me faz lembrar o filme e o livro ‘’A Escolha de Sofia”.

A obra de William Clark Styron trata do dilema de Sofia, uma mãe polonesa que foi presa em um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial, sendo forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto.

Sofia era mãe de duas crianças: um menino e uma menina. Certo dia, no campo de concentração, um soldado exigiu que ela escolhesse qual das crianças queria que fosse morta:

“Sua filha ou seu filho?” Ela disse que não poderia fazer tal escolha, de forma alguma.

O soldado respondeu:

“Se você não escolher qual dos dois devo matar, então matarei os dois. Pense bem, você pode salvar um dos dois!”.

Sofia olhou para os rostos de seus filhos que tanto amava e pensou:

“Minha menina é tão frágil, se ela viver, não terá como se defender desses soldados imundos. O que farão com ela? Coisas horríveis certamente. Já meu menino é mais forte, talvez possa sobreviver e um dia se tornar um bom homem. Ele tem chance maior de sair deste lugar”.

Assim, ela escolheu a sua filha para ser morta. E diante do olhar apavorado de Sofia, o soldado levou o seu filho, que acreditou ter salvado da morte, pois teria uma chance de sobreviver, contudo, ela nunca teve notícias dele, restando-lhe uma eterna dúvida e seu coração jamais deixou de sangrar. A Escolha de Sofia é uma história de horror que nunca será esquecida!

Na história do Brasil, a defesa da vida sempre encontrou obstáculos nos interesses privados. Entretanto, nunca se viu autoridades e grupos que de forma perversa pressionam o retorno das atividades econômicas em meio à pandemia com recordes diários de mortes, onde o nosso país pode se tornar o epicentro do vírus.

Essa conduta é análogo a do soldado nazista, que por obediência ao um poder nefasto demonstra desdém a vida humana.

Aliás, o poder constituído e seus apoiadores querem decidir que primeiro deve-se salvar a economia, depois preservar a vida, relegando à própria sorte milhões de pessoas que devem escolher em morrer de fome ou de coronavírus, porque precisam enfrentar o dilema da falta renda, moradia, saúde, educação, etc.

Portanto, o que estamos assistindo é a manifestação de surtos autoritários e seu desejo fascista, que se aproveita do medo e do cansaço causados pela covid-19, a fim de acabar com as medidas sanitárias e impor uma droga sem eficácia científica no tratamento do vírus, que pode levar a óbito.

Porém, muitas autoridades, lideranças, trabalhadores e empresários não aceitam essa normalização do absurdo, visto que não existe economia com empresários falecidos e trabalhadores mortos.

Afinal, a economia de um país por mais prejudicada que esteja é recuperável, mas é impossível trazer de volta à vida de familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.

*DA REDAÇÃO RH.

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Jackson César Buonocore
Sociólogo e Psicanalista