A Busca Pela Luz Começa Quando Percebemos Que Podemos Ser Mais…

Lana Bella

Visão. Ação. Resultado.

Visão é aquilo que acreditamos e enxergamos sobre nós mesmos a partir de resultados anteriores, por muitas vezes está correlacionada a inseguranças e deméritos. Recebemos nota baixa na prova, terminamos um relacionamento, fomos demitidos do emprego – então não possuímos valor algum.

Ação é como agimos e que decisões tomamos a partir daquela visão premeditada, costuma estar ligada a falta de ânimo e empolgação devido a um sentimento de incapacidade. Somos ruins em matemática, namoro e trabalho – então nem estudamos para a próxima nem flertamos com o próximo nem entregamos currículo ao próximo.

Resultado é aonde chegamos e o que conseguimos a partir de nossas ações, na maioria do tempo fortalece nossa visão causando ainda mais insatisfações e angústias. Não tivemos iniciativas ou atitudes diferentes, consequentemente chegamos a resultados iguais ou parecidos – então obviamente não evoluímos.

Passamos por diversas situações nos limitando a crenças que geralmente não são reais, nos rendemos ao medo e nos deixamos levar pelo piloto automático. Sair desse looping “visão, ação e resultado” não é nada fácil, mas vale a pena e é extremamente transformador, nos devolve motivação e propósito.

Presentear-nos com próximas oportunidades e viver o presente é amar a si mesmo e não temer mais o futuro ou o passado, não porque não temos mais medo e sim porque escolhemos a coragem de tentar outra vez. Esse processo só ocorre no momento de “ação” negando a “visão” e obtendo diferentes “resultados”.

A busca pela luz começa quando percebemos que podemos ser mais do que meras pessoas ansiando pelo futuro e insatisfeitas com o presente, nos doando e sacrificando pelos outros ou por “algo maior”. Nosso brilho mais lindo renasce quando repensamos nossas questões e escolhemos o amor ao invés do medo.

Eu tinha medo de ficar sozinha, nunca tive amigos, e procurei nos relacionamentos amorosos me apoiar e sentir que tinha algum valor. Não me encaixava e nem possuía um lugar no mundo, e mesmo pulando de um namoro a outro no fim do dia eu podia deitar a cabeça no peito de quem quer que fosse, a sensação de solidão estava lá.

Cresci uma menina pensando que meu papel era ser a mulher da vida de alguém – por mais de três anos da minha adolescência lutei insistentemente para fazer o outro feliz – e esqueci-me de mim mesma. Uma intuição me dizia que algo estava errado, então eu comecei a nadar contra a maré, escolhi o amor próprio dando um basta numa relação que me ilhava.

Era 20 de outubro de 2017, após 10 meses dizendo ao meu parceiro que eu precisava ficar sozinha e conhecer gente nova, quando eu finalmente consegui sair daquela bolha e começar a descobrir o universo a minha volta. Estar com outras pessoas era me permitir estar comigo mesma de uma forma diferente, conhecê-los era aprender e entender mais sobre mim.

Assim, minha vida tomava outro rumo e eu ia me abrindo cada vez mais para novas possibilidades. Porém, a busca pela luz nunca é um caminho linear – geralmente costuma se parecer mais com um labirinto confuso. Por isso, entre idas e vindas com o mesmo rapaz, eu parecia estar tentando fugir da minha própria sombra ao ansiar pela luz que ele se tornava comigo.

Não era fácil deixar de me expressar através do sexo e da sexualidade, ao invés de procurar amizades eu tentava preencher o vazio com amantes, e tudo bem. Até que parecia funcionar por um tempo, mas ceder à promiscuidade era o contrário do que eu realmente precisava, eu estava me afundando naquilo que tanto me assombrava e sempre pedia socorro ao mesmo alguém.

Portanto, numa coisa eu acertei, não dava mais para me apoiar apenas em colóquios amorosos por mais que eu sempre caísse na mesma armadilha de achar que sim. Entretanto, isso não era apenas sobre namorar, e sim sobre tudo que envolvia a sensualidade feminina e como eu usava e abusava dela a todo momento e para extremamente tudo.

Transferi-me para um colégio público ao completar 18 anos e fui aprendendo que era possível ser admirada de outras formas e por outras coisas ao finalmente me enturmar num grupo de 2 garotos e 4 garotas, contando comigo. Este era um ambiente muito mais saudável para mim do que qualquer local de elite jamais fora antes.

Também aprendi a valorizar minha família, quando entrei num namoro de finais de semana e passava muito tempo em casa com minha mãe, meu irmão e nosso cachorro. As coisas foram se ajeitando, eu estava bem – tinha namorado, amigos e família – porém, além de me encontrar como criança de luz ainda me faltava aceitar minha sombra.

Lana Bella, Autor em Resiliência Mag

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Lana Bella
Apenas uma jovem adulta de alma intensa, livre, transparente e autêntica - apaixonada por si e por tudo que o mundo ainda possui a me oferecer. Nascida em São Paulo, aos 19 anos luto a cada dia para ser minha melhor versão. Encontrei na escrita uma maneira de organizar meus pensamentos, aquietar meu coração e conhecer a mim mesma. Correndo sempre atrás do sonho de ajudar o próximo a estar bem consigo mesmo em toda sua complexidade do ser e de ser humano.