Uma professora primária do sul da Inglaterra decidiu desabafar ao jornal britânico Daily Mail sobre um problema que, segundo ela, virou rotina nas salas de aula: crianças de 4 a 7 anos chegando à escola sem saber usar o banheiro sozinhas e pais que parecem esperar que a escola resolva isso por eles.
O relato da professora
Tudo começou quando uma mãe esqueceu de deixar roupas e fraldas extras pro filho de 6 anos. Prometeu voltar em uma hora; passou de noventa minutos sem aparecer. Quando a professora ligou para avisar que o menino estava molhado, a resposta foi direta: “Não tenho tempo! Ele está na escola, então o problema é seu.”
A professora teve que pedir a um assistente que fosse a um mercado comprar fraldas do tamanho certo, enquanto o próprio aluno, já com consciência social suficiente aos 6 anos, ficava visivelmente constrangido com a situação.
De acordo com ela, esse não foi um caso isolado. Na escola onde trabalha, numa cidade de classe média no sul da Inglaterra, atendendo crianças de 4 a 6 anos, existe até um vestiário equipado com roupas extras, fraldas, lenços e loções, tudo pago pelo orçamento da própria escola.
Em 11 anos de carreira, ela diz lidar quase diariamente com alunos dessa faixa etária que ainda não completaram o desfralde.
O tempo que isso consome da sala de aula
Trocar uma criança não é só trocar a roupa: cada escola tem protocolo próprio, muitas vezes exigindo contato com os pais, verificação de permissão e interrupção da aula em andamento.
De acordo com a professora, isso consome entre quatro e cinco horas da semana dela, tempo que poderia estar sendo usado para ensinar, não para resolver uma tarefa que, na visão dela, deveria ter sido trabalhada em casa.
Quem são os pais que mais recorrem a isso, segundo ela
Na observação pessoal da professora, quem mais costuma terceirizar esse tipo de cuidado para escola são famílias de classe média, habituadas a contar com babás no dia a dia.
Ela cita especificamente pais que trabalham como médicos ou enfermeiros, que passam o dia orientando pacientes sobre hábitos de vida, mas que, segundo ela, acabam deixando passar detalhes básicos do desenvolvimento dos próprios filhos, incluindo atraso crônico na busca das crianças e pouca disponibilidade para conversas presenciais com a escola.
O conselho dela pros pais
Para a professora, o desfralde exige atenção dedicada: elogiar a criança em casa quando ela usa o banheiro sozinha, e criar um sistema simples de recompensa, como adesivos, costuma funcionar bem.
Segundo ela, muitos pais reagem como se esse pedido fosse um fardo enorme, respondendo só com “estou muito ocupado”. A frustração dela é direta: como alguém pode estar ocupado demais para ensinar uma habilidade tão básica para o desenvolvimento físico e emocional do próprio filho?
“Sim, treinamento para desfralde pode ser chato, mas quem disse que ser pai era uma longa festa de risadas?”, resumiu.
Qual é a idade ideal pro desfralde e a diferença entre dia e noite
Do ponto de vista fisiológico, o controle dos esfíncteres começa a se desenvolver por volta de 1 ano e meio a 2 anos. Pediatras costumam recomendar iniciar o processo entre os 2 e 3 anos, mas o sinal mais importante é a própria criança demonstrar prontidão, desconforto com fralda suja, ou avisar quando está fazendo xixi ou cocô.
O desfralde diurno costuma ser mais rápido, já que acontece com a criança acordada e consciente, geralmente dura de um a dois meses, com alguns incidentes ainda esperados depois disso. Já o desfralde noturno exige mais desenvolvimento neurológico, já que acontece durante o sono, e costuma levar de seis meses a um ano até a criança acordar seca com regularidade.
Por isso, os pediatras normalmente recomendam começar pelo processo diurno antes de avançar pro noturno.
Imagem de Capa: Sábias Palavras