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5 razões para pensar duas vezes antes de chamar uma mulher de ‘louca’

“Louca” continua sendo um termo usado, quase que exclusivamente, para mulheres. Enquanto podemos dizer que os homens são “apaixonados”, “cabeças-duras” ou “bravos”, nenhum desses termos são exatamente tão brilhantes e abrangentes – sendo capazes tanto de parar uma conversa em andamento quanto de resumir tudo o que há de errado com alguém. (Como, “A [o nome da ex-namorada] ‘pirou’ de repente e nós rompemos. Não sei como foi”. Simplesmente aconteceu.)

Chamar uma mulher de “louca” é bem mais do que dizer: “Nós não éramos compatíveis”, ou “Eu não concordo com ela”. Isso implica uma incapacidade de racionalizar as coisas; um valor que é praticamente a base de toda a nossa cultura. As mulheres também são geralmente consideradas “emocionais”. A emoção não é racional. Então, pela propriedade transitiva, as mulheres não são racionais e não há necessidade de ouvir pessoas irracionais. Bitches, vocês são loucas!

Por mais ridículo que pareça expor tudo desta forma parece que estamos confortáveis demais com o desprezo dado às pessoas, especialmente as do sexo feminino. Aqui estão alguns motivos por que você deve pensar duas vezes antes de usar essa palavra com uma mulher.

1-Ela não é “louca” se responde às suas mensagens de encorajamento.

Em uma coluna de 2012 do site XOJane, um delirante Cara Solteiro Anônimo escreveu sobre suas experiências quando voltou a sair, incluindo a época que ele (surpresa!) dormiu com “uma mulher louca.” Mas o principal crime dessa “maluca”, apelido dado pelo autor para indicar alguém supostamente insano, parece ter sido que ela respondeu positivamente às palavras e ações do sujeito anônimo,’ apontou Jenna Sauers do site Jezabel.

“[O Anônimo] parece ter vivido 30 anos na Terra”, escreveu Sauers “sem perceber que quando você decide dormir com alguém – especialmente alguém que você sabe que, de fato, gosta de você – e logo lhe diz coisas ambíguas sobre como o seu encontro foi ‘ótimo’, não é tão inconcebível assim que essa pessoa imagine que você gosta dela”.

2-Invalidar os sentimentos de uma pessoa “louca” porque eles fazem você se sentir desconfortável é jogo sujo.

“É a palavra usada em todo fim de argumento”, escreveu Harris O’Malley no The Washington Post. “Sua namorada está chateada por que você não ligou quando você chegou tarde? Ela está sendo irracional. Ela quer que você passe mais tempo com ela, em vez de sair com os seus amigos de novo? Ela está sendo grudenta.” Independente do que ela possa dizer para justificar o seu ponto de vista, chamar uma pessoa de “louca” questiona a capacidade que ela tem de fazer julgamentos racionais, silenciando-a. É também uma maneira muito fácil de desculpar os homens “por não terem que assumir a responsabilidade de como nós fazemos as outras pessoas se sentirem”, escreveu O’Malley.

Como é que uma pessoa responde ao ser chamada de “louca”? Nada parece mais fútil do que a proclamação “Eu não sou louca!” (Isso é exatamente o que uma pessoa louca diria, certo?) Mas, como outros já apontaram, fazer alguém duvidar da sua própria sanidade mental é chamado de “gaslighting”, um tipo de violência psicológica. O que é geralmente considerado um abuso.

3-É possível que as mulheres não sejam mais emocionais (ou seja, mais “loucas”) que os homens, de acordo com a ciência.

Muitos estudos têm examinado a diferença entre gênero e emoção. Um dos estudos testou 1.000 jovens adultos solteiros, concluindo que o estresse decorrente dos relacionamentos pesava mais fortemente na saúde mental dos homens. Outro estudo mostrou que enquanto as mulheres eram mais expressivas do que os homens, elas não sentiam mais emoção do que eles. E finalmente, um outro estudo revelou um grupo de pais que tinha mais reações emocionais a “materiais sentimentais”, quando os monitores estavam ligados, do que as mães.

A pesquisadora de longa data sobre emoção e gênero, Stephanie Shields, disse ao site Refinery29: “Não existe uma ciência que mostre que as mulheres têm sentimentos mais fortes ou mais fora de controle do que os homens. De fato, as pesquisas em laboratório sobre a regulação emocional mostram que as mulheres tendem a ser melhores nisso”.

4-A medicina tem chamado injustamente as mulheres de “loucas” por MUITO tempo.

Desde a teoria do “ventre errante” de Platão – que postula que as partes irritadas das moças vagam pelo corpo causando uma série de problemas de saúde – até a ideia de que poucos orgasmos levariam as mulheres à histeria, o campo da saúde nem sempre foi muito gentil com as mulheres. Hoje, uma em cada quatro mulheres americanas toma remédios para problemas de saúde mental, de acordo com um relatório de 2011. Isso acontece porque as mulheres são simplesmente mais inclinadas a procurar ajuda em relação a saúde mental – e procurá-la mais cedo? Ou porque os médicos receitam drogas demais para as mulheres? Ou porque, como Victoria Bekiempis, do Jornal The Guardian sugere, as mulheres são mais suscetíveis de serem vítimas de estupro, depressão e estresse pós-traumático, que muitas vezes é resultado do estupro? Não está claro.

Os homens sofrem de problemas de saúde mental também, embora de formas diferentes. Lançar a palavra “louca” por aí como se não tivesse a conotação de instabilidade mental real só ajuda a estigmatizar todos os sérios problemas de saúde mental.

5-Nós ainda adoramos ouvir as nossas favoritas artistas “loucas”.

Taylor Swift é acusada de encarnar o estereótipo da louca ex-namorada – mesmo quando ela está bem consciente da sua imagem.

Ao escrever no ThinkProgress, Jessica Goldstein se pergunta, em voz alta, se nós entramos em uma nova era, em que as mulheres simplesmente não se importam se você as chama de loucas ou não. Goldstein lista várias estrelas femininas – Mindy Kaling, uma personagem do programa de TV de sucesso “O Projeto de Mindy”, a comediante Amy Schumer e seus muitos personagens obsessivos, todos mencionados neste artigo do site Pitchfork – cujos críticos não foram capazes de conter seu sucesso.

Em seu livro de memórias de 2012 “Bossypants”, a famosa Tina Fey declara que a definição de “louca” de Hollywood é a de “uma mulher que continua a falar, mesmo depois que ninguém quer mais transar com ela.” Mas talvez Goldstein tenha descoberto algo importante e esta palavra seja a próxima na fila de rótulos recuperados. Nós não temos problemas em popularizar a loucura, desde que a definição seja nos nossos termos.

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