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A triste epidemia dos zumbis emocionais.

Esses dias numa conversa com minha mãe, levantamos a seguinte questão: “será que a humanidade está mesmo evoluindo?
As pessoas não conversam mais.
Os relacionamentos são descartáveis. E onde foram parar as gentilezas de antigamente?”
Pois é…

A vida on line nos dá a sensação de que todos estão acessíveis, a um toque de distância. Amigos virtuais aos montes. Os contatos são vários. Tudo e todos estão tão ‘perto’, que esse mar de opções nos dá a falsa impressão que o melhor sempre está por vir. Que talvez nem valha tanto a pena se esforçar por alguém, já que as alternativas parecem nunca ter fim. Então, os relacionamentos se tornam efêmeros. Feitos de um papel tão fino que se desmancha ao primeiro sinal de umidade. Assim, muitos passam a viver constantemente no futuro. Um futuro que nunca chega. E de futuro em futuro deixam de viver o presente. As horas passam, as pessoas passam e as oportunidades também. E assim a vida passa e ainda debocha.

E cada vez mais e mais pessoas agem assim, com essa displicência e frieza de quem está falsamente protegido por uma tela. E dando de ombros, demonstram ser totalmente reativos, incapazes de racionalizar e usam como justificativa para seus atos primitivos, a tola e inconsistente desculpa de que estão apenas “dando o troco” pra vida que um dia os tratou assim.

O diálogo sumiu.
O carinho gratuito ficou piegas.
A reciprocidade virou artigo raro.
E a gente assiste a lutas, batalhas burras onde quem ignorar por mais tempo vence.
Parece que vivemos uma triste epidemia de preguiça e estupidez emocional, que resulta em seres que querem tudo e nada ao mesmo tempo.

São seres que apesar de estarem em um corpo, seguindo suas rotinas diárias, eles não vivem. Eles apenas sobrevivem.
Andam cambaleantes pela vida, sempre necessitados de algo ou alguém. Se movimentam sem muito pensar e mudam de foco cada vez que alguém balança algo mais brilhante no seu campo de visão.

Enquanto a medicina e tecnologia avançam a passos largos, a sensibilidade, empatia e senso comum parecem fazer o movimento inverso.
A humanidade está vivendo um período histórico, onde nunca se viu tanta gente desinteressada e desinteressante. Gente rasa, artificial, apática. Uma palavra define essas pessoas: blase. São o retrato da pobreza e escassez de emoções, fruto da mesquinharia das demonstrações. Gente que no virtual é algo que não se materializa no mundo real.

Vivemos numa fase em que demonstrar demais é carência e que ser durão é ser forte. Que ser intenso e inteiro é aparentemente errado e deslocado, exagerado e bobo. E que ser romântico e gentil é ridículo e sentimental demais.

Um mar de gente que quer amores suspirantes, vidas emocionantes, mas mostram total incapacidade de se doar, assim que a oportunidade chega.
Querem viver tudo, ter tudo, ser tudo mas na hora de botar a mão na massa o status mudou, não está mais disponível.

Nunca se viu tantos avanços na medicina, ciência, tecnologia, mas também nunca se viu tanta gente carente e sem noção do que é se relacionar.
Então eu pergunto: somos mesmo uma raça inteligente se não sabemos ainda lidar com nossas próprias emoções?
Se não sabemos mais ouvir o outro?
Se não sabemos mais conviver, partilhar, amar genuinamente?
Talvez seja a hora de viver no mundo real. Vamos?

Estela Meyer

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