Em meio ao caos do mundo, o amor vira nossa única morada. Feliz dia dos namorados!

Luciano Cazz

Não adianta, não tem quem viva sem um lar.

Um lugar para voltar, para se proteger dos vendavais da vida. Um canto, um aconchego.

Tem lugar melhor em um dia chuvoso de inverno?

A cama quentinha do edredom, chocolate quente e uma série na TV.

É o paraíso dos dias tempestivos.

E quando o dia é cansativo?

Deu tudo errado: o pneu furou, a promoção não saiu, a conta estourou, a discussão ardeu, a barriga doeu e um ladrão te roubou. O sol começa a se pôr e tudo que você quer é seu… lar, doce lar.

Tomar um banho quente, abrir uma garrafa de vinho com sua trilha musical preferida e esquecer quaisquer convites que não sejam da sua mesa à luz de velas.

Nosso lar é nosso porto. Nosso ponto de encontro com pessoas especiais, porque a gente só leva para dentro de casa quem a gente estima. É também um marco:

Em qual casa morava quando ganhou o primeiro cachorro? E quando seu irmão nasceu? Quando deu o primeiro beijo? Quando aprendeu a dirigir? E quando a seleção brasileira foi pentacampeã?

E se a sua varanda falasse? Seria a maior curtição.

Se seu sofá falasse? Divertido, desde que seus pais não pudessem ouvir.

Nossa casa e dona das melhores lembranças. Palco de muitos momentos especiais. É nossa referência de vida. Guarda segredos, superações e desavenças sim, mas também reencontros, perdões, laços de afeto e… saudades. Ah, muitas saudades.

É por isso que precisamos de muita perspicácia quando vamos escolher uma.

Tem aquelas que aparentam ser ótimas e lindas, mas quando passamos a conviver, descobrimos problemas elétricos, vazamentos, vizinhos insolentes, entre outras surpresas.

Ou aquelas já usadas e antigas, mas que são resistentes, construídas com qualidade em um terreno firme, além de terem uma poltrona amaciada pelo tempo e o teto alto que faz sobrar ar para muitos suspiros e sussurros.

Cada um tem sua casa-metade. Aquela que se adéqua às suas condições, necessidades e desejos. Às vezes, ela demora a aparecer. Pode ser uma conquista árdua ou simplesmente um presente do destino, de uma hora para outra, como vencer na loteria. Você está apressado caminhando na rua e, de repente esbarra no anúncio da casa da sua vida. Apaixona-se à primeira vista.

Tem gente que mora no mesmo lugar a vida toda, outros trocam de referências toda hora, sem estabelecer um porto certo, daqueles que revigoram a alma. Há aqueles que depois de anos vivendo na mesma casa, resolvem trocar por uma mais nova. Claro que esses felizardos possuem uma conta generosa no banco.

Entretanto, existem aqueles que não trocam a antiga por nada nesse mundo. São apegados à localização, à vizinhança, às manias, aos defeitos, às recordações, às experiências adquiridas ali em tantos anos vividos e principalmente apegados a um sólido porto seguro conquistado com amor. Valor que o dinheiro nunca irá comprar.

Compaixão para os sem-teto, que a vida ou a si mesmos vitimaram, porque digo repleto de certeza: “Não há nada como a nossa… (na)morada”.

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Luciano Cazz
"Luciano Cazz é publicitário, ator, roteirista e autor do livro A Tempestade depois do Arco-íris."

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