6 TIPOS SUTIS DE MANIPULAÇÃO PSICOLÓGICA

Luiz Mateus Pacheco

A manipulação psicológica é uma tática usada a fim de exercer influência sobre a percepção ou comportamento de outra pessoa. Tem como característica a dissimulação, assumindo formas sutis e difíceis de identificar. Embora velado, esse tipo de abuso deixa marcas profundas que podem ir desde a grandes perdas materiais até mesmo ao adoecimento físico e psíquico. Conheça aqui seis desses sórdidos tipos de manipulação psicológica.

1. GASLIGHTING

Neste tipo de manipulação você é a louca (o). Ou pelo menos é isso que o manipulador quer fazer você pensar. O gaslighting é uma forma de abuso psicológico incisivo e poderoso utilizado com a intensão de levar a vítima a questionar a própria sanidade. Essa palavra se origina de uma peça teatral onde o enredo revela um marido que manipula os fatos para levar sua esposa a acreditar que está louca. Trata-se de uma sinistra distorção da realidade em que o manipulador confirma e reafirma sua versão própria dos fatos com tal serenidade e vigor que a vítima passa a desconfiar de seus próprios sentidos. “Seria coisa da minha cabeça? ” – começa a se questionar.

O manipulador muda coisas de lugar, faz coisas e depois afirma não ter feito e confunde a vítima distorcendo fatos que ocorreram ou os mencionando como se tivessem ocorrido. Essa estratégia pode servir tanto defensivamente quando uma forma deliberada de atingir e destruir a vítima. Quando pressionado por algum fato que, por acaso, a vítima possa ter acessado em sua consciência, o abusador responderá calma e pacificamente: “eu não estou mentindo. É apenas coisa da sua cabeça. ” Faz isso com tamanha perícia que imprime apenas serenidade em sua fala, o que faz a vítima desconfiar que possa estar enganada. A finalidade última é mantê-la sob completo domínio psicológico e incapaz de reagir.

Como não pode mais confiar em seus julgamentos, a vítima deste emaranhado fica completamente paralisada. O nível de estresse começa a subir a níveis vertiginosos e não há escoamento para esta energia a não ser se voltar para si. Sente-se culpada e confusa e este ambiente pode rapidamente levar ao colapso psíquico ou ao aparecimento de doenças psicossomáticas.

2. ALIENAÇÃO

Você não pode ser amiga (o) de mais ninguém! Vocês dois apenas se bastam, não é?

Um alvo isolado é um alvo mais fácil de controlar. Sem outras fontes de referências, fica cativo na teia do abusador; não tem para onde correr e nem quem alertá-lo. Por isso, a alienação é uma forma muito efetiva de manipulação psicológica. Nela, o abusador conduz sua vítima a se afastar de pessoas importantes. Embora o tipo mais difundido de alienação seja a alienação parental, este tipo de influência nefasta pode também ser exercida sobre pessoas adultas e sobre todos os tipos de relações.

Como estratégia, o manipulador elencará razões para denegrir a imagem de seus ‘concorrentes’. Vai desqualificar amizades ou familiares e utiliza para isso momentos sensíveis. “Uma boa amiga jamais faria isso” ou “é assim que ele (a) te ama? ” são frases possíveis de serem usadas. Vai lentamente corromper os juízos de sua vítima e plantar sementes tóxicas a fim de desestabilizar seus relacionamentos.

Uma vez que a vítima tenha dado seus primeiros passos neste enredo perverso e tenha repudiado pela primeira vez um ente querido, seus sentimentos de culpa subjacentes vão mobilizar pesados mecanismos de defesa psicológico. Como consequência, introjetará esses juízos negativos como se fossem seus como modo de justificar os próprios atos e reduzir o conflito inconsciente. A partir de então, torna-se cúmplice desta maquinação diabólica sem que possa se dar conta ou escapar.

3. CAVALO DE TRÓIA

“Se eu não posso te controlar de perto, então vou atacar de longe – e sem que você saiba! ”

Este é um tipo de manipulação exercido à distância. Nele, o manipulador vai elencar facilitadores dóceis para carregar suas mensagens. Seus comentários são sempre aparentemente despretensiosos, mas tem a intenção de tocar alguém que ele sabe que levará suas palavras à diante. A intenção aqui é burlar limites e fazer com que essa bomba, uma espécie de vírus, chegue até a vítima. O intermediário escolhido geralmente é alguém próximo à vítima e que não percebe que está sendo usado. O objetivo com frequência será atingir a autoestima ou então exercer uma certa lembrança contínua de que o manipulador está ali e, portanto, agir como um convite.

A curiosidade da vítima aqui é usada contra ela. Quanto mais deseja saber sobre a vida do abusador, mais cai nessa terrível artimanha.

4. ABUSO DE GRATIDÃO

“Você sabe como eu sou bondoso, não é mesmo? Então você me deve uma – ou muitas. ”

Esta é uma forma muito dissimulada de manipulação onde o abusador invade o território da vítima. Fantasiado de bom samaritano, torna-se necessário, atendendo ou mesmo antecipando pedidos, pequenos serviços ou desejos. Impõe sua presença de maneira quase ou totalmente permanente. Assume papéis para que outros não possam assumir, tornando-se assim uma espécie de herói aos olhos de sua vítima. Mesmo que a vítima não queria, pode encontrar formas de exercer pressão até que esta esteja completamente esgotada e aceite contra vontade.

Uma vez passada a etapa de intrusão ou arrombamento, inicia-se a segunda, onde se apropria do psiquismo da vítima e/ou bens. Influenciada por sua gratidão, a vítima não consegue estabelecer um limite. Ela se sente culpada. Por isso, torna-se um alvo fácil para a vampirização.

5. PERSPECTICÍDIO

“Você sabe, não é, que você não sabe de nada! ”

A ordem nesse tipo sórdido de abuso é a completa sujeição psicológica da vítima que precisa desaparecer enquanto sujeito de si mesma. O manipulador começa lentamente a corroer sua confiança. Dispara comentários ácidos para ferir sua autoestima, invalida suas conquistas e qualidades ou mesmo ataca com insultos. É comum que esses momentos de tensão e abuso expresso sejam intercalados com outros de carinho. Por isso, as mudanças que costumam ser repentinas causam um efeito de choque semelhante a um trauma. É como um pesadelo acordado.

Atordoada com a realidade dissonante de ser agredida por alguém tão importante, a vítima entende que precisa ser submissa. Mais do que isso: sente verdadeiro terror de encontrar a face monstruosa de seu abusador. Pode criar a fantasia de que existem duas pessoas a habitar o mesmo corpo do seu manipulador, um bom e um mau e que quando o segundo aparece, é culpa sua por não ter sido boa o bastante. Sente que precisa se submeter a seu abusador a níveis cada vez mais profundos.

Como consequência, a vítima perde a capacidade de pensar por si própria. Perde suas próprias perspectivas do que são as coisas. Quem define o que é amor é o abusador. Quem escolhe o que é bom ou ruim, apropriado ou inapropriado é o manipulador. Trata-se de uma verdadeira lavagem cerebral.

Outra forma de induzir o perspectícidio é cortar recursos, sejam afetivos ou financeiros, como forma de aprisionar a vítima.

6. TRATAMENTO DE SILÊNCIO

“Se não for como eu quero, inexiste para mim! ”

Se você não faz o que ele quer, vai te sufocar num silêncio tóxico. Nem toda manipulação psicológica precisa de palavras. Nesse caso, é o silêncio que é usado como forma de punir a vítima. Temos como agente um abusador que não suporta ser contrariado. Mesmo que pareça aceitar com certa simpatia, um clima tenso se instala no ar. Muitas vezes a vítima não consegue identificar de onde ele vem. Suspeita que seja coisa de sua cabeça. Acha que está exagerando ou vendo demais.

Basta que a vítima se desvie do que o manipulador exige ou até mesmo do que havia pensado e o castigo aparece. Pode vir também na forma de mudanças súbitas de humor. Quando questionado, o abusador dirá sempre que não há nada de errado. Ele se recusa a se comunicar e resolver o problema. O que busca não é um acordo, mas a dominação do outro.

Por vezes, desaparece por semanas inteiras sem qualquer palavra. A vítima sente o vazio como um vácuo assolador. O efeito é como o de um buraco em uma implosão em seu peito. Se desorganiza. Como estratégia de compensação, a vítima pode enviar mensagens que, mais tarde, serão usadas contra ela mesma.

Essa indiferença produz um forte estado de confusão mental na vítima.

Se você se identifica como vítima de um ou mais tipos de manipulação psicológica, procure imediatamente uma ajuda profissional especializada! Algo precioso está em jogo – seu próprio Eu e sua vida!

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Luiz Mateus Pacheco
Gaúcho, graduado em psicologia e estudante apaixonado das relações humanas e da pluralidade do amor. Acredita que este sentimento é sempre saudável quando é uma via de mão dupla e mútuo crescimento. Nas horas vagas, dedica-se a escrever sobre o amor e suas complicações na página Relações Perigosas no Facebook.

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