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Preciso confessar uma coisa: nem sempre sou forte.

Preciso confessar uma coisa: nem sempre sou forte.

Não sou mesmo, todos os dias não. Porque às vezes eu preferiria não ter ouvido a campainha ou o toque do telefone; fico de mal com a minha própria voz, porque tem dia que eu não quero nem falar. A vontade maior é de jogar a toalha e deixar tudo pra lá.

Em algumas noites recorro à velha dupla cobertor/filme e peço pra me protegerem do mundo lá fora, como se eles tivessem superpoderes, enquanto fico esperando meus males se desfazerem.

Eu nem sempre fico firme, aguentando tudo de pé. Às vezes desabo na cama, e sobre o lençol recém-amarrotado penso que as coisas poderiam ser melhores, ou diferentes, ou mais fáceis.
Embora eu me esforce, nem sempre consigo ser forte!

E reclamo da proporção dinheiro versus sonhos a realizar; lamento a falta de disposição, de saúde e do pouco sossego. Reclamo sim, confesso. Penso que meu mundo parece mesmo é estar caminhando para um abismo, ao invés de rumar para a solução.

Nem sempre visto o verde-esperança; nem sempre ganho apoio, companhia e compreensão.

E aí, de dentro desse meu círculo vicioso, olhando atentamente e vejo que muitas pessoas sentem coisa parecida; sinto que não estou só, somos multidão.

Redescubro subitamente, mais sem querer do que usando a razão, o remédio exato pra curar essa aflição. Entendo que a vida de todo mundo tem altos e baixos e isso nem sempre vem na mesma proporção. Às vezes, os baixos vêm em maior quantidade. E o remédio é rodar a roda, fazê-la girar e deixar os baixos para trás.

Que venham os altos, porque de baixos já estamos cheios!

E quando eles chegam, os altos – porque eles sempre chegam- começo a pensar que o abismo pode não ser tão fundo quanto eu queria fazer parecer. Aí reclamo menos, me sinto mais. Sou mais capaz do que eu julgava ser. E a coisa toda muda de figura. Sou forte feito leão.

Percebo agora, com certa demora, que os dias bons são bons exatamente porque os dias maus se deixaram conhecer.

A verdade que eu custo a entender é que me sinto diferente porque as ocasiões e circunstâncias são diferentes. Isso é fundamental, é preciso ser maleável pra sobreviver. Então a mágica acontece e eu mudo de opinião. E nesses dias nada me derruba, porque eu me sinto sensacional!

Ser forte, na maioria dos casos, é questão de opinião.

Alessandra Piassarollo

Administradora por profissão, decidiu administrar a própria casa e o cuidado com suas duas filhas, frutos de um casamento feliz. Observadora do comportamento alheio, usa a escrita como forma de expressar as interpretações que faz do mundo à sua volta. Mantém acessa a esperança nas pessoas e em dias melhores, sempre!

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