Vem cá, senta aqui, vamos ter uma conversa franca, daquelas de sinceridade absoluta!

Iara Fonseca

Venho me arrastando a alguns anos e sinceramente, não me reconheço mais. Aquela mulher que você conheceu, cheia de ideias, planos e sonhos, sabe?

Sabe onde ela está? Eu a procuro faz tempo e não encontro.

Você chegou e eu fiquei encantada com a possibilidade do amor sincero, do companheirismo e da parceria, da amizade que eu idealizo como sendo a coisa mais importante na vida. Mas o tempo passou e você como um bom ser humano, acabou me trazendo algumas dores e feridas que me fizeram endurecer … Quando eu, na verdade, sonhava em ser leve.

A minha pergunta diária é sempre: Por quê?


Busco entender porque você tornou as coisas tão pesadas e tristes.

Lembro da gente brincado e se jogando gelo quando fazíamos algo chato como descongelar uma geladeira velha… Sei que você lembra disso. Éramos leves e felizes, só queríamos isso, que fosse leve, que fosse feliz… E que durasse para sempre daquele jeito.

Mas você novamente, com a sua habilidade em estragar tudo, resolveu que não queria aquela felicidade e me mostrou de forma dura que você poderia ser cruel se quisesse. Me traiu pelas costas como nunca ninguém havia me traído, mostrou para mim, logo de cara, que se você decidisse visitar os cantos mais obscuros da sua alma, você poderia se tornar o meu pior pesadelo.

Eu poderia ter deixado você ir naquele momento, mas eu não aceitei, no meu mundo perfeito, no meu orgulho velado, ninguém poderia fazer comigo aquilo que você fez, e para mim, dentro de mim… Aquilo que você fez não poderia ser verdade, e então, passei uma borracha, como se assim, se eu fizesse de conta que você nunca tinha feito algo do tipo, tudo pudesse voltar a ser uma brincadeira de jogar gelo um no outro. Mas não foi assim, você não me jogou uma raspinha de gelo, você me jogou um bloco inteiro, e depois se transformou em um iceberg.

As minhas tentativas de reviver aquele amor do início, aquela esperança de ter de novo aquele homem que me chamou de “minha vida” logo nas primeiras semanas, estão todas aqui dentro, vivo nessa ilusão de que você vai valorizar a mulher que eu sou e que eu serei importante para você a ponto de você priorizar a nossa vida e me assumir como sua mulher, sua companheira.

Continuo iludida…

Você já disse tantas coisas cruéis, que as vezes passo a acreditar que você não sabe amar. E meus dias andam tristes, despedaçada e só eu consigo ver isso, disfarço bem… Mas não quero piedade de ninguém…

Tenho raiva de mim, não tenho e nem terei nunca raiva de você, tenho é de mim, que me deixei entristecer, que me deixei abater, que me deixei murchar por dentro. Vi cair minhas pétalas, vi meu solo perder nutrientes, vi minhas folhas secarem, e eu continuei estática… Não fiz nada por mim… Até que… agora, vi minha raiz já para fora da terra, e me preocupei…

E comecei a entender tudo…

No momento em que você percebeu que eu não me amava de verdade, você começou a me subjugar e a me desvalorizar. E a cada ato cruel que você cometia, mais eu demonstrava falta de amor próprio e mais você demonstrava desamor.

É um ciclo… Quanto mais eu deixava minhas pétalas caírem, mais feia e sem brilho eu ficava, e menos amor eu sentia por mim, consequentemente, menos atração e interesse eu despertava em você.

Qualquer pessoa ficaria com raiva de você, você sabe disso. Mas eu não. Porque eu sei que tudo nessa vida acontece por um motivo… Estamos aqui porque temos assuntos inacabados e precisamos resolver esses assuntos para enfim, nos sentirmos leves e livres.

Meu assunto inacabado com você era justamente esse: aprender a me amar de verdade e a me bastar, independente d o que digam. Aprender a nunca, em hipótese alguma, deixar que minhas pétalas sejam arrancadas. Aprender que o meu solo quem nutre sou eu. Aprender que minhas raízes precisam estar sempre fortes, crescendo entre as camadas de terra fértil. E que quanto mais folhas crescerem em mim, mais interessante e feliz eu estarei.


Pessoas como você aparecem sempre na minha vida, e como você bem disse: a culpa é minha. Sim, a culpa é minha. Eu não aprendo as lições, e como a vida é uma escola, a lição volta, se repete, até que eu resolva dizer ao destino. Ei… eu aprendi!

Nunca é tarde para aprender, não é mesmo… Tem matérias que a gente repete de ano mesmo, a gente tem mais dificuldade… As vezes até precisamos de um professor particular… Um terapeuta, talvez… O importante nisso tudo é que reconheçamos nossas falhas…

Como o amor não nasce por brincadeira, e eu nunca brinquei ao dizer que te amo. Eu ficarei aqui, ainda não sei precisar até quando esse “sempre estarei “ permanecerá, não à disposição, mas disposta a ser para você, nesse tempo que ficaremos juntos na Terra, apenas uma matéria, que te mostrará os pontos que, em você, ainda estão obscuros e que precisam ser corrigidos…

Mesmo que você repita de ano, se quiser me escolher como sua parceira nesse processo reformador… Continuarei com você nos próximos anos. Se você se mostrar dedicado e disposto a melhorar, terei paciência em te mostrar alguns caminhos que poderão te levar ao sucesso da reforma interior… Mas peço para que seja para mim, o que eu realmente mereço, um homem bom, fiel, amigo, companheiro de vida… Para vivermos uma vida realmente feliz, de apoio nas dificuldades e de comemorações nas vitórias! Assim poderemos viver finalmente um amor leve e simples, como eu sempre quis!

Apenas me queira bem e por perto… E demonstre isso!

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Iara Fonseca
Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!

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