10 lições para aplicar em uma relação no século XXI

Joce Rodrigues

A contemporaneidade é cheia de armadilhas. Estar em um relacionamento com alguém é, antes de tudo, aprender a se desvencilhar delas. Em uma relação, assim como numa estrada, são muitos os desvios e as curvas perigosas onde acidentes podem ser evitados pelo uso da atenção e do cuidado. Quando estes dois elementos faltam, aquilo que deveria ser uma proveitosa viagem acaba se tornando um pesadelo do qual é difícil de acordar.

Seja para os mais experientes ou para os principiantes, espero que estas 10 lições possam ajudar a encarar ou solucionar alguns problemas que possam rondar a vida a dois.

1 – Aprender a amar e respeitar o silêncio.

A gente não sabe amar o silêncio, principalmente o do outro. Queremos sempre barulho e fogos de artifício, mas esquecemos que a vida não é feita apenas de luzes e gritaria. A conversa é fundamental para o bom relacionamento, mas de vez em quando é preciso distinguir o momento daquela pausa produtiva. Ouvir é essencial, mesmo quando o outro se cala.

2 – Não deixe que coisas pequenas se transformem em gigantes devoradores de gente.

Com o tempo, alimentar os problemas miúdos pode acabar transformando-os em monstros implacáveis. Quando deixamos pra lá aquele pequeno incômodo, damos oportunidade para que ele cresça mais do que podemos dar conta. Converse, aborde. Se inteire sobre o que anda afligindo os pensamentos dele ou dela. Cuide para que uma gota de orvalho não vire tempestade a ser colhida na próxima estação.

3 – Partilhe.

Seja alegria ou tristeza, partilhe. Não caía no velho golpe de que só se deve ou que só vale a pena compartilhar o que for bom. Comunicação é importante nas duas vias. Só assim é possível saber os motivos de uma cara emburrada ou de um muxoxo. Não dá para exigir que seu parceiro ou parceira adivinhe o que se passa na sua cabeça. Deixe essa coisa de telepatia para os heróis da televisão, ok?

4 – Os detalhes importam.

Até os menores deles. Um detalhe ínfimo pode fazer toda a diferença na compreensão de algo maior. Embora a passagem do tempo venha a influenciar pequenas, médias ou grandes mudanças, atentar para estas mudanças ajuda a compreender o momento particular de cada um. Sente falta de um toque específico, de uma palavra anteriormente recorrente, de um jeito de contar algo? Pergunte. Peça. Da mesma maneira, observe se deixou de fazer alguma dessas coisas e converse com seu parceiro ou parceira para que não existam mal-entendidos. Relação não é apenas conquista, é também manutenção.

5 – Seja paciente, o mundo não foi feito em um dia.

Na bíblia, Deus fez o mundo em seis dias. Para a ciência, o processo durou um pouco mais (cerca de 100 milhões de anos, segundo as pesquisas mais recentes). Tanto faz se você é religioso ou ateu, o fato é que nem tudo é pra já. Às vezes temos tempos diferentes. Não querer e obrigar o outro a correr quando ele prefere andar, da mesma forma que o mesmo não deve ser feito com você. Entender e aceitar essa diferença de ritmo é fundamental. Falamos muito sobre respeitar espaço, mas pouco sobre como isso também deveria valer para o tempo.

6 – Aproveite mais, projete menos.

Freud dizia que no começo da relação, nos apaixonamos pela projeção que fazemos da outra pessoa. Com o passar do tempo, vamos descobrindo que as coisas não são bem assim. No fim, avaliamos se o que sobrou daquela projeção inicial é o suficiente para nós. Não projetar é algo extremamente complicado. Desde sempre foi. Chegamos ao relacionamento cheios de anseios, de expectativas e vontades, jogando nos ombros de outra pessoa a responsabilidade de ser aquilo que queremos e esperamos que ela seja. Estamos errados, redondamente errados. O esforço para quebrar esse círculo vicioso é grande, talvez seja mesmo uma missão impossível, mas o esforço pode valer a pena. Isso nos leva diretamente para a próxima lição.

7 – Muito provavelmente você já escutou ou já ouviu falar da famosa canção People Are Strange (pessoas são estranhas), da banda norte-americana The Doors.

E isso aí mesmo. Todos nós somos estranhos. Se não para nós mesmos, para outra pessoa. Isso também se chama diferença e é ótimo que ela exista. Não dá para exigir que as pessoas sejam iguais a nós, que pensem iguais a nós em exatamente tudo. Aceitar o outro como ele é se configura um verdadeiro teste para nosso ego. Por isso, não se frustre tentando mudar seu companheiro ou companheira. No lugar disso, trabalhem em conjunto. Talvez assim vocês descubram como lidar melhor com as próprias lacunas.

8 – Cuidado com as pequenas mentiras.

Às vezes, a linha entre uma mentira grande ou pequena é muito tênue. Geralmente, onde você vê um gnomo, o outro pode enxergar um ciclope ameaçador. É melhor prevenir essas estranhas metamorfoses, pois nunca se sabe a dimensão que uma pequena mentira terá para a outra pessoa. Abra o jogo, franqueza não é sinônimo de fraqueza.

9 – Esteja aberto para o novo.

Não force, mas se esforce – pelo menos um pouco. Pode não parecer, mas são coisas completamente diferentes. Experimente coisas novas, permita-se novas experiências. Elas criam laços e reforçam aqueles já existentes. Não precisa ser nada descomunal. Um passo por vez, uma pequena coisa por vez. Viver é movimento.

10 – Por último e não menos importante: se#o é essencial, sim.

Se nenhum dos dois estiver passando por problemas e estiver faltando intimidade na relação, algo não está certo. Claro que devemos levar em conta as condições de cada um. Tem gente que não gosta muito de se#o e outras que gostam menos ainda. Mas, se antes costumava haver desejo e vontade e depois a coisa começou a decair sem explicação plausível, temos aí um problema. É comum que queiramos nos sentirmos desejados por nossos companheiros e precisamos entender que muito provavelmente eles também se sentem dessa forma. Se o ritmo se#ual mudou, melhor sondar e ver se tudo está mesmo nos conformes. Se#o não é a cereja do bolo, ele é boa parte do recheio.

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Joce Rodrigues
É escritor, editor e repórter. É colaborador de veículos como Revista da Cultura, Valor Econômico e Gazeta do Povo e já foi responsável pelo conteúdo jornalístico do site CONTI outra. Cobre principalmente assuntos voltados à saúde mental e comportamento. ​

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