Viver o mesmo erro, uma hora cansa

Aline Felix

Há momentos na vida que inevitavelmente o passado vai bater na sua porta, e como um vizinho chato vai dizer que uma pessoa muito parecida com um de seus ex. está virando a esquina para ir até sua casa. Pode até parecer um tanto curioso e intrometido, mas é a verdade. É aquela velha história de que vizinho sabe de tudo, a hora que chega e que sai (alguns).

Não demora muito e ele bate na porta, você abre já com medo de ser o homem que te fez sofrer no passado, e quando olha, sente um alívio no coração por não ser. A voz não é a mesma, os olhos e o lindo sorriso também não. Alegre, eufórica e feliz você o deixa entrar. Ele se senta e toma uma xícara de café, sim, como um episódio de “Chaves”.
Dona Florinda fica feliz em receber o professor Girafales, e juntos eles têm toda aquela química rara, e as famosas borboletas voam no seu estômago. Você pensa “é esse!”. Os dias passam e tudo parece ser perfeito, até agradece a Deus pelo bom moço que ele colocou no seu caminho.

De repente, do nada, ele começa a mudar. Já não manda mais mensagens para saber como está, e você insistente e preocupada com o que pode estar havendo o questiona e ele diz que é o trabalho e que a vida que anda muito acelerada. Sem muitas opções você aceita, e continua como sempre foi, amorosa, atenciosa e cheia de amor para dar.
Esse é um erro que cometemos muito. Insistimos em quem não quer algo conosco. Não enxergam que quem ama corre atrás, insiste até cansar.

Então, o dia, aquele que você acorda e decide que não quer mais viver como antes, como tantas histórias amorosas que teve no seu passado, de ser mais uma, a opção e não a escolha.

Você decide que quer ser amada, que a pessoa sinta orgulho de estar com você e seja a melhor coisa que aconteceu na vida dela. Não dá para viver nadando contra a maré. Entrar em um barco com dois pares de remo e tentar usar os quatro. Só vai funcionar com duas pessoas e não uma.

Por diversas vezes eu me vi em situações parecidas com os romances que me fizeram sofrer. Procuro nunca generalizar, e sim dar uma chance, um voto ou como dizem, dar um passo no escuro. Mas quando me deparo com uma situação, uma palavra ou gesto de algo do passado automaticamente vejo todo sofrimento passar na minha mente como um filme. O filme é aquele de derrota, parece uma cidade cenográfica de efeitos especiais do filme “2012”.

Tudo explode, tudo acaba e lá está você, no ano 0001 tentando recomeçar a vida do zero com um coração aberto, novamente, pronta para amar, ser amada e ser feliz.

Procuro não cometer mais o mesmo erro, pois me faz parecer egoísta com a vida, já que há tantas coisas novas para se sentir e aprender. Uma hora a gente cansa de tanto sofrer pelas mesmas coisas. A gente solta o peso da mochila das costas e vai embora. Larga ela lá.

Não se prenda às mesmas coisas ou às mesmas pessoas, saia da mesmice. Se você sempre gosta de um perfil “x” de caras e vê que aquilo sempre te leva para o abismo, sai fora disso. Está cavando sua própria decepção para quê?

Sorrir é de graça e chorar entope o nariz e vocês sabem quanto custa um Rinosoro? É caro!

Quando resolver abrir a porta do seu coração para alguém, pergunte a sua intuição que sempre anda com você o que ela acha, e depois decida se oferece ou não uma xícara de café.

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Aline Felix
Nascida em 1989, na cidade de São Paulo é formada em jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Blogueira e metida a escritora é apaixonada por prosas, crônicas e contos. Seus sentimentos e pensamentos ela expressa em seu blog “pelos olhos da cidade”. Dedicada, esforçada, exageradamente dramática e otimista, procura ver a vida de uma forma simplista. É uma antítese incessante.

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