Vim te libertar da “felicidade inabalável” nas redes sociais

Gabi Barboza

Quem inventou essa “felicidade inabalável” estava bêbado. Sabe aquele pessoal que bebe e fica felizão?! Então, foi um deles. Tenho certeza! Lembro que na época do Orkut tinha muitos posts ao estilo “estou péssimo (a)” e o pessoal dava apoio.

Hoje, no facebook e no instagran, é o contrário. Vejo um pessoal mais novo criticando os mais velhos por postarem selfie com a cara séria. Dia desses, surgiu esse assunto na faculdade e apaixonada pelo comportamento humano que sou, aproveitei. Questionei sobre o porquê de “termos” que fazer selfies sempre sorrindo.

Pra minha surpresa, a colega que disse que tínhamos sempre que sorrir, não tinha resposta. Tentei fazê-la pensar dizendo “existe algum motivo pra estar sempre sorrindo nas selfies?” e ela disse “não, é que é mais aceitável”. De fato, a felicidade é mais aceitável e desejada.

Mas quem inventou essa tal “felicidade inabalável” nas redes sociais não estava em sã consciência. Sou da turma que prefere tomar decisões sobre a vida pessoal na tristeza. A alegria é péssima conselheira a meu ver.

Se na vida não estamos sempre sorrindo, eu te liberto dessa “felicidade inabalável” em suas redes sociais. Temos todo o direito de estar mal. De querer chorar. De querer dormir por dias e dias. De sair correndo e voltar quando tudo estiver resolvido.

A vida tem momentos bons e ruins. Se mostramos sorriso e alegria sempre nas redes sociais, não somos verdadeiros. Quando era mais nova, achava que o pessoal mais abastado de grana, era mais feliz que eu. Então conheci na adolescência, uma mulher rica que não dormia nem com remédio.

E eu, onde encosto e me sinto segura, durmo. Essa mulher frequentava festas da alta sociedade da cidade. Era conhecida. Tinha muita gente ao seu redor. E champanhe pra ela era água.

A mesma garrafa de Sheldon que eu esperava o ano todo, pra usar meu décimo terceiro e comprar uma, ela bebia como água. Quando me contou que estava há 4 dias sem dormir. Que tomava remédio. Vi que a vida dela não era assim, tão boa.

Ela me disse “trocaria a minha riqueza pelo seu sono, Gabi. Já te vi dormindo na igreja, enquanto esperava a sua Avó. Senti inveja disso”. Esse dia, me lembro como fosse ontem. Me sentei numa cadeira enquanto minha Avó conversava com umas amigas. E quando vi, ela estava me sacudindo.

Pra mim, aquela mulher, de “felicidade inabalável”, era a mais feliz do mundo. Cada foto com sorriso forçado hoje no instagran me faz pensar sobre as dores que a pessoa carrega. Cada momento feliz compartilhado no face, me faz pensar em quantas questões pessoais cada um tem que os afligem.

Você não precisa estar feliz o tempo todo nas redes sociais. A sua realidade de vida não é essa. A sua face séria, em tom natural é mais linda que com aquele sorriso forçado. Aquele mesmo sorriso das outras mil fotos.

Esse sorriso nem rende mais likes. As pessoas já se cansaram. Você decorou ele e sempre o usa nas selfies. Aprendeu sobre a “felicidade inabalável” né?! Sei como é.

Pois bem. Eu te liberto agora dessa felicidade falsa. E te digo: faça selfie como bem entender. Esteja feliz ou triste em seus posts. Tudo bem! Tudo bem em se sentir uma derrota. Em se sentir mal. Em se sentir no fundo do poço.

Aliás, falando nele, o fundo do poço, é o melhor lugar pra se estar. É a partir dele que a sua vida anda pra frente! É nele que as melhores decisões são tomadas. Com choros, sofrimento e muita reflexão.

Acredite. Daqui uns anos, você vai lembrar do poço e sentir orgulho de si. E você, daqui pra frente, está livre de ter que estar sempre bem nas redes sociais.

Por nada!

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Gabi Barboza
É graduanda em Psicologia, tem 32 anos. Como o que faz o mundo dela girar, são as pessoas, trabalha com Recursos Humanos. É mineira, bem casada com um Gaúcho lindo. Mora em Porto Alegre desde 2012. Está sempre lendo e ama escrever. Se sente rica, por ter vários livros em uma estante que é o seu tesouro. Ama se engajar em causas sociais, crê que a única coisa que levamos desse mundo, é o que plantamos. E que as boas obras, são fundamentais.

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