Às vezes é só uma questão de sorte e timming pra encontrar alguém bacana.

Iandê Albuquerque

Esses dias parei pra pensar: ”se existe tanta gente bacana por aí, porque as ultimas pessoas com que me relacionei só foram babacas, sacanas, covardes com os seus próprios sentimentos e de alguma maneira, mentirosas?”. Percebi que encontrar alguém bacana hoje em dia é tão difícil quanto ganhar na loteria. E às vezes, quando a gente encontra é mais difícil ainda manter essa pessoa com a gente. Ou a gente estraga tudo com as nossas expectativas ou o outro, simplesmente, perde a vontade de ficar. Assim mesmo, do nada, sem motivos.

Depois de um longo relacionamento, me vi trancando todas as portas e janelas pra novas pessoas. Me vi trocando as fechaduras, colocando cadeados e fugindo de qualquer possibilidade de me relacionar de novo. Nesse período, pessoas aparentemente legais chegaram até mim mas não tiveram espaço algum, pessoas bacanas tentaram me conhecer, procuraram por alguma brecha pra ficar na minha vida e eu simplesmente, não conseguia abrir espaço pra essas pessoas. Eu não conseguia me envolver, não conseguia me encaixar em ninguém, sabe?

Até que resolvi instalar um desses aplicativos de pegação que as pessoas se exibem como um produto e adicionam ou descartam umas as outras com um só clique. Comecei a conhecer novas pessoas e quanto mais eu conhecia mais me batia medo de continuar disposto a conhecer. No final, conheci mais pessoas idiotas que legais, outras não tive nem a oportunidade de conhecer porque sumiram antes disso. Mas acredito fielmente que, no meio de toda essa gente em aplicativos, exista um ser decente.

Comecei a pensar: Será que pessoas legais se apaixonam por pessoas escrotas e não por outras pessoas legais. Daí pessoas legais se machucam e tornam-se escrotas também?

Quase me tornei uma dessas pessoas escrotas. Até que no meio do caminho acabei conhecendo uma pessoa foda. Uma dessas pessoas que você se sente confortável pra contar sobre a sua vida, sabe? Daquele tipo que você passa a madrugada conversando sobre discos, séries, livros ou qualquer outro assunto aleatório. Do tipo que você não tem medo de escancarar os seus defeitos e os seus conflitos, que te faz se sentir bem, que é uma boa companhia pra ouvir o disco inteiro do Chico Buarque, comer uma pizza, transar durante a madrugada, assistir um filme e dormir antes do fim. Aquela pessoa que aparece pra puxar assunto, que elogia, que se preocupa. Mas que no final das contas, não é por ela que você se apaixona, não é ela quem te faz ter motivos pra ficar, não é ela quem acelera o teu coração e te faz perder o equilíbrio das pernas. É uma pessoa foda, mas não é aquela pessoa que te faz sentir uma vibração, que te faz perder a direção e a noção do tempo. É só mais uma pessoa certa que apareceu na tua vida no momento errado.

Às vezes a gente gosta de alguém e esse alguém bagunça a gente todo. Depois quando chega alguém legal, maravilhoso, você já têm se trancado por medo. Penso que a gente gosta mesmo é do perigo, de quem tira a gente dos trilhos, de quem vira a vida da gente de cabeça pra baixo, de quem tira o sono e faz o coração da gente de gato e sapato. É por aquela pessoa que de vez em quando some sem dar satisfação que a gente se apaixona. É por quem arranca a direção da gente e pisa no acelerador que a gente se interessa.

Às vezes é só uma questão de sorte e timming pra encontrar alguém bacana e esse alguém te encontrar como se você fosse a pessoa que ele sempre esteve procurando. É muito louco isso. Tanta gente bacana por aí e você vai querer ficar logo com uma que vai te enlouquecer.

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Iandê Albuquerque
Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux. .

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