UMA CARTA AO MEU FUTURO AMOR…

Bruna Stamato

Eu nunca fui alguém que foge do amor. Também não sou do tipo que sai correndo desesperadamente atrás dele. Vez ou outra dei demasiada atenção a quem não merecia, é verdade. Liguei já sabendo a resposta.

Esperei já sabendo que não viria. Fui atrás sabendo que não acharia, mas eu sou do tipo que paga pra ver. Eu já quis ser mundo para quem habitava apenas o próprio umbigo. Já quebrei a cara várias vezes mas me justifico pra mim mesma dizendo “ Ok! Pelo menos EU TENTEI!” e assim parto pra outra. E sempre parto pra outra pois eu amo o amor (e ele sabe disso).

Nada do que você me disser vai fazer com que eu me afaste de você. Só se você falar “Eu não te quero aqui porque eu não gosto de você.” aí, pode ter certeza, eu sumo, desapareço, prometo não te procurar mais, até porque isso eu posso prometer, mas parar de sentir, não prometo jamais. Se você disser que as tuas barras são pesadas, eu as suportei o máximo que conseguir, te ajudarei a segurá-las e me oferecerei pra dividir o peso, se um dia você desistir e jogar tudo em cima de mim, então eu vou jogar tudo fora.

Vou te levantar e a gente se reinventa. Sim, simples assim. Porque o amor tem que ser simples. Tem que ser leve, mesmo com todas as barras da vida, tem que ser próspero, mesmo na falta de grana, tem que ser alegre, mesmo de luto. Prometo não tentar mudar você. Se um dia os teus defeitos se tornarem muito chatos pra mim, então EU irei embora, e te deixarei livre pra encontrar outro alguém que ame todos eles.

Prometo te deixar livre se um dia nós deixarmos de nos bastar. Se um dia a falta de luz nos deixar de mau humor e acabar com a noite…Se um dia o lugar for mais importante do que o ‘estar’, se aonde for mais importante do que ‘com quem’. Se um dia, um smartphone for mais interessante que as suas piadas repetidas. Porque eu sou assim. Sou intensa, fogo, emoção pura.

Nunca exigi fidelidade de ninguém, até porque fidelidade forçada não me interessa, sou daquela teoria que o que mantém o gado no pasto não é a cerca, é a grama, então nunca prendi ninguém do meu lado, até porque, quando o boi quer, cerca nenhuma segura. Eu nunca disse “VOCÊ NÃO VAI.” para nenhum namorado meu..

Nunca disse “Você não pode fazer isso.”. Nunca sequer pensei em dizer, porque pra mim é algo surreal, ninguém tem o direito de proibir o outro, nós podemos cobrar atitudes das pessoas, jamais sentimentos! Nós podemos dar as opções para a pessoa ficar ao nosso lado, mas se ela preferir ir, então que vá. Nunca tranquei um homem em casa, forçado, ao meu lado num sábado a noite.

Sempre lhe mostrei o que ele ganharia ficando em casa comigo num sábado a noite e aí..se um bar fosse mais interessante…então logo eu também tratava de arrumar alguém mais interessante. Nunca ameacei ninguém por medo que me deixasse….mas fiz questão de mostrar o quanto sofreria.

Nunca proibi viagens com os amigos, sempre quis demonstrar que a minha companhia poderia somar coisas alegres à viagem. Nós não temos o direito de exigir que o outro apague seu passado e nos inclua em todos os planos daqui pra frente. Nós apenas podemos fazê-lo ver o quão boa a vida pode ser ao nosso lado e desse jeito conquistar o nosso espaço.

Ninguém possui ninguém, compreender isso é libertar a alma da escravidão e aguar o bom do amor. Se eu sei amar? Não sei. Me considero uma eterna aprendiz. Porque quem mestre se diz, se gaba de não ser vulnerável, de “saber sofrer”, de não se deixar enganar… e pra mim é uma blindagem falsa.

Eu fico vulnerável quando eu amo, eu me entrego por completo, não conheço o meio termo pra isto, aceito as consequências porque eu tenho a convicção que qualquer preço será menor do que o preço pago por quem não ama ou não quer amar. Eu já sofri muito pela falta de amor, já ardi em febre e se você me perguntar, eu vou responder que é assim mesmo, que se Deus me ajudar, eu irei arder em febre mais outras tantas e tantas vezes nessa vida!

Gelo, pra mim, só cai bem numa Cuba Libre. Morrer aos poucos de amor ou viver eternamente sem ele? Tenho boas ideias para lápides! ”Saber amar” pode soar como indiferença ou frieza e taí algo que não consegui aprender. Você sempre vai saber o que eu tô sentindo, e o quanto eu gosto de você, até mesmo porque eu vou fazer questão de te dizer.

Várias vezes por dia. E no dia que eu deixar de te amar, você vai sofrer. Não porque tenha perdido grande coisa, não. Mas porque quando eu deixo de amar alguém eu deixo mesmo, eu deixo a pessoa pro mundo levar, eu deixo de me importar, torcendo pra que o vento a carregue para bem longe, junto com todas as lembranças e possíveis pretextos que tenha pra me convencer do contrário.

Não adianta apelar. Perguntar cadê todo aquele amor. Olhar profundamente nos meus olhos tentando penetrar a minha alma. Você não estará mais lá. As vezes, nem eu mesma estou. As vezes me perco de mim num sorriso qualquer, me pego sonhando com tudo o que poderia ter sido e querido, não deixe isso acontecer conosco!

Viva ao meu lado, esteja comigo sem “mas”, sem “porém”, sem “amanhã”, apenas no agora, e agora eu quero te ver, sentir seu cheiro e…lá vou eu, outra vez me perder…porque perder-se também é caminho.

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Bruna Stamato
"Mãe, mulher, geminiana, maluca e uma eterna sonhadora!"

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