Um dia você vai ouvir aquelas músicas em comum mais vezes do que deveria ouvir. Vai usar frases ou algum trecho da letra daquela banda favorita de vocês só pra, de alguma maneira, surpreendê-lo. Você vai se apaixonar e vai sentir necessidade de escancarar isso porque a cada dia que passa a paixão só aumenta dentro de você, e você sente necessidade de dizer. Mas dizer, talvez, nem importe tanto, talvez o outro nem queira saber que você está apaixonado porque o motivo dele estar com você não significa que ele também esteja apaixonado por você, significa apenas que ele gosta de estar com você.

Você vai frequentar os mesmos lugares que você sempre gostou de ir, mas dessa vez sente que se ele não estiver lá, esses lugares não vão ter mais tanta graça assim. É como se você não se importasse mais com o mundo a sua volta e tivesse perdido o interesse pela mundo que você tinha antes de conhecer ele e achasse que tudo só faria algum sentido se ele estivesse com você. Uma dia você vai se envolver tanto a ponto de nem considerar o fato de que o outro pode apenas ficar por gostar de estar com você ou pra jogar conversa fora e isso está longe de significar que ele te ama.

Você vai começar a caçar gostos em comum, a avaliar os gestos e as manias dele como se fosse uma forte candidato a te fazer feliz quando na verdade você nem sabe o que ele realmente quer ser, talvez queira só estar ali até o momento de ir embora chegar. Você começa a achar bonito a maneira que ele molha os lábios quando sua boca seca. O jeito que ele te olha de baixo pra cima enquanto está tomando um milkshake. As covinhas do quadril ou das bochechas, ou do queixo, ou qualquer uma dessas covinhas com profundidade suficiente pra você depositar suas expectativas, até o desenho que se forma no rosto dele quando ele sorri, porque os olhos diminuem e as bochechas saltam pra fora. Tudo, absolutamente tudo passa a ter um significado pra você. Você nem tem tanta certeza assim de que ele vai permanecer até amanhã.

Você vai encontrar alguém que ache graça das tuas piadas, que vai te achar uma pessoa interessante e vai te dizer isso a todo instante, mas saiba, essa pessoa pode sumir da tua vida amanhã. Vocês tem gostos parecidos, ele te elogia, diz que o teu sorriso é bonito e o teu cabelo bagunçado te deixa com uma cara engraçada. Você vai ficar sem graça quando ele te elogiar e não vai saber o que dizer. Até que tudo isso se transforma em motivos pra que você se convença ainda mais de que ele é o amor da sua vida, quando na verdade tudo isso, tudo o que ele fez e disse, todos os gostos e manias em comum, não faz dele a tua alma gêmea.

Você vai ouvir ele dizer que não quer nada sério agora, que é só algo casual, sem pressão e cobranças, que é só deixar rolar. No fundo você sabe que a cada dia que você deixa rolar, algo dentro de você te cutuca dizendo que, de tanto deixar rolar, você vai quebrar a cara no final das contas. Até que, de repente, ele diz que vai embora e você fica no meio do caminho sem saber o que dizer ou fazer. Dai você aprende que essa coisa de deixar rolar só funciona se você não estiver envolvido, porque se você deixar rolar e ao mesmo tempo alimentar suas expectativas, vai dar merda. Sempre dá.

Um dia alguém vai ser como a Summer na sua vida ou você vai ser a Summer na vida de alguém. Você não vai saber exatamente o que é essa coisa entre vocês, rotular a situação que vocês estão seria como dizer ”eu te amo” e dizer isso, talvez, fosse o fim de tudo. Você só quer ter a segurança de estar nisso e não acordar amanhã com uma mensagem no teu celular dizendo: ”melhor pararmos por aqui”.

Você não vai saber direito o que está rolando entre vocês, nem o que vocês estão fazendo. A unica certeza que você vai ter é de querer continuar nisso porque isso de alguma forma te faz se sentir vivo. Você não consegue imaginar que aquele instante, a qualquer momento, pode chegar ao fim, até que tudo desmorona sobre você em forma de uma sutil e dolorosa frase: ”acho melhor não nos vermos mais”.

A verdade é que nos preparamos pra receber o outro, mas nunca estamos preparados pra lidar com a sua despedida.








Sou recifense, 24 anos, apaixonado por cafés, seriados e filmes, mas amo cervejas e novelas se houver um bom motivo pra isso. Além de escrever em meu blog pessoal e por aqui, escrevo também no blog da Isabela Freitas, sou colunista do Superela e lancei o meu primeiro livro em Novembro de 2014 pela Editora Penalux. .