Tempo verbal: eu sinto.

Elisa Motta

Fica, vai ter bolo!

Foi isso que senti quando a porta do elevador se fechou.

Fica, vai ter bolo!

Foi isso que senti quando percebi a sua imensa vontade de partir e cair no mundo.

Fica, vai ter bolo!

Eu senti dentro das minhas entranhas a tamanha vontade de cantar o parabéns, e tantos outros que pudessem surgir.

Mas não, a gente não pode ficar.

Seria um disparate com o tamanho de nossa capacidade de se reinventar e se fortalecer. Seria uma fuga deliciosa da essência que viemos entregar ao mundo.

Eu queria mudar a rota, queria fazer a curvas, mas os trilhos seguem sempre em frente. E não será diferente conosco.

Como pode um encontro tão casual, três ou quatros cervejas me deixarem tão abalada.

Talvez eu tenha gostado muito do que vi, talvez eu tenha visto em você a porta que eu tanto pedi, talvez eu tenha me visto tão diferente que não quero largar de jeito algum.

Uma simbiose de reflexos límpidos e claros foi o que tornou esta curta relação em algo tão especial.

Eu te apontando tantos caminhos e portas, te enxergando, obviamente, em cima de todos os cumes que deseja alcançar. E você olhando para mim cansado.

O seu cansaço se completou ao meu, o de se perder para se encontrar. Nosso cansaço de intermináveis tentativas de acertar, incansáveis adaptações, retornos, recuperações, para ainda não encontrar o ponto ideal.

Aquele ponto em que a gente senta, contempla e sorri tranquilo.

E, nos dois sabemos, que ele nunca irá chegar. Não existe ponto final, não existe lá, não existe certo nem errado.

Existe um caminho, e ele se faz a partir do momento em que colocamos o próximo passo.

E neste exato momento, tudo o que almejamos lá no fundo, está na nossa frente. Laços desfeitos, coragem na bagagem e fe no coração, o resto a vida se encarrega.

Ela se encarrega tanto que me trouxe você. O abraço de urso tão tão tão necessário e que eu esperei por tantos anos.

O colo aconchegante, o cheiro viciante e sorriso encantador.

Vai ser foda. Vai ser foda pois você elevou os níveis, você fez exatamente o que eu sonhei que um dia fizessem, e ainda por cima me correspondeu.

Você me mostrou a minha importância, celebrou e me desejou como há tempos que não me sentia desejada.

Me deu o calor que eu tanto queria, e me mostrou que sim, eu posso ter o amor de volta em minha vida. E sim, ele pode ser exatamente como eu quero que ele seja.

Obrigada por despertar a minha feminilidade, sensualidade, amorosidade e cuidado. Obrigada por despertar em mim a coragem de acreditar em meus sonhos, por dizer exatamente o que precisava ouvir e por partir me deixando mais forte.

Mas no fim quem precisava ir era eu. Sou eu.

Eu preciso ir, porque ficar seria manter o mesmo. Eu preciso ir para não me tornar vítima das circunstancias, eu preciso ir para que você também vá.

Desejo o mundo para você, desejo amanheceres na praia, brindes à beira mar, desejo brisas leves, abraços longos e beijos amorosos.

Desejo vida. Desejo a vibração mais bonita e completa.

E desejo também que nos encontremos novamente em alguma estação.

Muito, muito obrigada. De todo o meu coração.

Com amor,

Isa.

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Elisa Motta
Eu escrevo desde criança, fui inspirada por meu avô Hildebrando Affonso de André, o poder das palavras.Sou uma escritora de cartas, escrevo cartas endereçadas para as pessoas que me pedem, todas elas são escritas pensando em uma pessoa especial que me enviou um pedido em particular, mas elas acabam servindo para todos nós! Quer uma carta também? Isa Motta, escritora de cartas, apaixonada por pão de queijo e brigadeiro, mãe da Olívia.

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