TEM QUE SER TRISTE PARA FALAR DE AMOR?

Mari Rivas

Temos medo de nos apaixonar.

Há dois meses parei de publicar meus textos. Começava um, lia outro, não gostava, pulava para outro, aquele tema não fazia sentido, assistia um filme, voltava para o notebook e fiquei assim por alguns dias tentando escrever novamente sobre relacionamentos e não conseguia, até que esqueci.

Esqueci porque estava ocupada demais olhando para ele e esperando ser olhada também. Esqueci porque tinha algo muito maior acontecendo que estava mexendo com os meus horários, mudando a minha rotina e bagunçando todos os meus compromissos. Esqueci porque estava demorando mais tempo na frente do espelho, mudando o corte do meu cabelo e comprando aquele batom escuro que não tinha coragem de usar.

Esqueci porque estava pensando naquelas respostas rápidas e inteligentes para impressionar, mas que como sempre foram substituídas sem querer pela minha espontaneidade maluca. Esqueci porque estava rindo sozinha, chorando no travesseiro e pulando no colo da minha amiga quando recebia uma mensagem. Esqueci porque me apaixonei.

Temos sentimentos puros, naturais e construímos a nossa história cheios de pudores e de receios. Receios demais. Muitas vezes sem nem perceber, nos bloqueamos para possíveis paixões ou porque tivemos um passado sofrido, ou como no meu caso, porque achava que não seria mais capaz de me apaixonar perdidamente por ninguém e pronto.

Tolice, que resume-se basicamente em: medo de sofrer.

Freud descreveu o ego fragilizado como uma característica humana que nos faz negar a existência de sentimentos, e que existe como um mecanismo de defesa. Defesa do quê? Novamente, de não se apaixonar e consequentemente não sofrer.

E a verdade pura e simples é que não se escreve um grande livro de amor com finais felizes. Será que vou sofrer? Sim. Será que nosso relacionamento vai dar certo? Não sei. Não há como prever o futuro e o que vale mesmo é aproveitar a felicidade não como um estado de espírito contínuo, mas como espasmos momentâneos de euforia.

Falamos de amor porque PRECISAMOS falar. Dói. E tudo bem porque ninguém pode de fato apreciar a felicidade se não for triste às vezes.

Mas só às vezes.

Apaixonem-se.

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Mari Rivas

Bailarina fora dos padrões posturais, atriz sem sucesso, estilista mal compreendida, me formei por fim em Marketing e me especializei em Invenções Tecnológicas e Redes Sociais.
Hoje trabalho, estudo e escrevo para falar menos sozinha.
Adoro moda e simpatizo com pessoas pelo tênis que usam, antes mesmo de trocar um “olá”.
Sou apaixonada por cinema, séries de tv, viagens, artes e animais. Prefiro ser chamada de “admiradora investigativa” do que “stalker profissional”.


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