Te deixo ir

Re Vieira

Você deitou do meu lado, se aconchegando ainda mais, pensei o quão seria bom meus sentimentos voltarem a ser intensos. Gostaria de ser recíproco com você. Não foi por falta de tentativa, até porque se você está aqui hoje é pelo fato de eu continuar tentando acender uma chama que há muito tempo não cripta dentro de mim. Mas não consigo, simples não consigo me entregar. Não, não é você, já tentei com outras mulheres, mas nenhuma conseguiu riscar a fronteira do meu coração.

Elas chegam perto, arrancam sorrisos, umas me fazem até ficar intrigado, mas paixão? Aquela que vêm para arrebatar? Não, eu nem se quer sei o que é ser apaixonado. Você é linda, engraçada e extremamente inteligente, deixa o seu cheiro por onde passa e é capaz de roubar a cena apenas com um olhar, mas aqui em meu peito não é capaz de fazer que ele deseje ser o seu lar.

A tanto guardado dentro de mim, a tanto eu gostaria de compartilhar contigo, sei lá, ser honesto, me acho um pouco crápula por mascarar os sentimentos, o sexo é bom, o papo na madrugada é melhor ainda, mas eu desejo mais do que uma simples química, quero aquela coisa de pele e combustão, e te olho e vejo que me desejas com paixão, essa paixão que eu se quer sei por onde é que deve se começar, se ela realmente faz esse estrago todo que os desiludidos vivem a pregar, a questão é essa, eu não possuo um lado que eu possa defender, eu simplesmente não sinto nada por você.

Creio que o que escrevo nesse momento ao te ver dormir é somente a ponta do Iceberg. Há tantos pensamentos soltos em busca de palavras que possam explicá-los. As dificuldades sempre me trouxeram isso: “enxurradas de pensamentos”. Ainda mais quando recordo dos momentos que vivi.

-Porra, era tão difícil para aquele “eu” anterior, hoje ele nem consegue mais chorar, guardando tudo dentro de si, somente esperando o vulcão voltar a se ativar. Além disso, outra coisa que me veio à mente: “Será que eu realmente faço tanta diferença assim na sua vida como você vive a repetir”? Creio que falta eu estar de acordo com o momento, ou simplesmente me deixar por seus sentimentos invadir, mas ao contrário disso, tudo o que faço é fugir de ti.

Quero ouvir uma música agora, mas o barulho te acordaria, eu sou de noites e tu és de manhãs, você quer a multidão e eu prefiro a solidão, você quer que eu conheça sua família, eu mal quero lhe apresentar para os meus amigos, você me quer para a vida inteira, e eu nem sei se a quero para daqui a pouco, parece frio imposto desse jeito, mas o problema não é você, sou apenas eu que não consigo nada sentir.

Você desperta, me solta um sorriso, e nesse momento nos defino como paz, estar contigo é um alívio e me esqueço dos problemas que lá fora me esperam, mas é injusto te prender em minhas mentiras e por mais que doa lhe libertar eu devo ser sincero, não erram aqueles que esperam pelo melhor do outro ser humano, erram aqueles que tendo o melhor, oferecem apenas o seu pior, então foi nesse momento, com essa reflexão matinal que decidi abrir o jogo e abrir mão de sua companhia, então parei de escrever e lhe disse exatamente o que eu estava pensando e vi naquele momento que minhas palavras realmente lhe surtiram efeitos.

– Ok, entendi, vou tirar minhas coisas daqui, e espero que consiga encontrar essa pessoa que você procura.

– Muitas mulheres já passaram pelo meu colchão, muitas mulheres já desfrutaram dos prazeres do meu corpo, mas eu ainda espero por aquela que virá também tocar o meu coração, me desculpe Mari, mas esse é o nosso fim.

Moral: A honestidade é a atitude mais nobre que alguém é capaz de distribuir, se você não sente não permaneça em uma relação apenas para o seu prazer, deixe livre quem tem que ir, e a vida lhe apresentara quem realmente for para ti.

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Re Vieira
Re Vieira, guria apaixonada pela vida, escorpiana formada em direito, amante das palavras, ama café, gente divertida e vinhos, sou aspirante a escritora, louca de intensidade e sobrenome, tenho 27 anos mas perco a maturidade diante de um sorvete com gomas de mascar, me convidem pra beber e viramos amigos de infância.

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