Se arrependimento matasse…

Hoje quero falar um pouco sobre arrependimentos. Dois pontos importantes são abordados bastante no consultório. O primeiro são pessoas que se arrependeram de determinados atos e buscam uma forma de aceitar aquilo, se perdoar e tentar entender os porquês de determinadas decisões, o que as levaram a optar por isso e não aquilo.

O outro lado do arrependimento, que é o que falarei um pouco mais, são as pessoas que morrem de medo de tomar decisões hoje, com medo de acontecer um arrependimento no futuro, com medo de que essas decisões não sejam as melhores.

Medo de casar com a pessoa errada, medo de escolher uma profissão, medo de decidir o bairro que vai morar, e por aí vai.

Normalmente o que a pessoa que tem medo de se arrepender faz, é pedir muita opinião para os outros, pedir conselhos e acabar tomando essas decisões baseadas em experiências de outras pessoas, pois têm muito medo de errar, de fracassar em suas escolhas. O indeciso não quer perder nada. Se partirmos do princípio que toda escolha implica em perdas e ganhos, podemos pensar que o indivíduo que não consegue escolher, tem muito medo de perder algo.

São pessoas que muitas vezes não desenvolveram autoconfiança e autonomia quando eram crianças e por isso não confiam em (ou não tem) suas próprias referências, e por isso sempre tendem a usar o outro como suporte.

Fora isso ser um erro pelo fato de cada pessoa experimentar a vida de uma forma, é um erro pela falta de autonomia que acabamos vivenciando nas nossas experiências, pois a vida é feita de decisões, sejam elas pequenas, médias ou grandes.

Pior do que chegarmos a um ponto da vida no qual nos arrependemos por nossas escolhas, é chegar nesse ponto e nos arrependermos por perceber que nada na nossa vida foi escolha nossa. Cada decisão que tomamos hoje é a ponte para o futuro que queremos.

Até hoje na minha experiência em consultório, esse fato é um dos que mais trazem sofrimento existencial às pessoas. Aquele cara que casou por algum tipo de conveniência, a pessoa que escolheu um emprego porque o pai tinha contatos no lugar, a pessoa que fez uma faculdade porque alguém indicou e disse que era boa e dava dinheiro, entre tantos outros exemplos.

Apesar de acreditar que as pessoas casam para dar certo ou escolhem uma carreira para terem sucesso, é preciso tirar um pouco o peso do definitivo de nossas vidas. Se você não é feliz com alguém, não fará aquela pessoa feliz também, então talvez seja hora de abrir o jogo e se permitir escolher, e deixar o outro ser feliz também, buscando alguém que queira estar ali. Se o seu trabalho há muito tempo te incomoda, talvez seja a hora de começar a pensar em outra profissão.

Não precisa fazer uma troca de uma hora para outra, mas vá buscando, pense no que gosta de fazer, no que te dá prazer, no que você gostava e sonhava em fazer quando ainda era criança e talvez ali esteja a sua resposta. Comece algum curso, planeje, se dedique e quem sabe você possa ainda ser feliz fazendo o que gosta.

Isso nada mais é do que assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Se der errado, tudo bem, a experiência também vai ser sua, o aprendizado vai ser seu, mas e se der certo? Se der certo, você será no mínimo um exemplo para quem quer tentar, e daí para mais. Você será realizado e pleno sabendo que fez a escolha certa, que se arriscou e fez acontecer.

Não chegue até “lá na frente”, sem saber o que quer e o que gosta, não chegue lá para poder culpar alguém por uma vida que você não queria ter. Mude agora a sua perspectiva do que é ser bem sucedido. Ser bem sucedido é estar feliz onde se está, assumindo as escolhas que fez.

E lembre-se sempre que não tomar uma decisão, também é uma decisão, pois a vida não para, para que nós possamos decidir. Enquanto estamos pensando no que fazer, ela está acontecendo, e querendo ou não, a sua inércia é uma decisão de deixar como está.

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Adriana Biem
Adriana Cardoso Biem Psicóloga Clínica, especialista em Gestalt-Terapia CRP 06/80681 Formada pela Universidade São Marcos, especialista pelo Instituto Sedes Sapientiae Atende em Alphaville (Barueri/SP) e Granja Viana (Cotia/SP) Contatos: [email protected] www.facebook.com/adrianabiempsicologa @adrianabiempsi (Instagram) www.adrianabiempsicologa.com.br

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