SAI DESSA, LINDONA!

Estela Meyer

Este é o último aviso. Não vai ter outro assim.

Daqui pra frente a responsabilidade é só sua. Te larguei.

Eu sou sua parceira, estou sempre contigo, mas vamos admitir que você não tem me ouvido muito né?

Você tá vendo e revendo e já teve todas os sinais que pediu de que ele não está nem aí, não te quer e que ele só está te usando, mas você insiste e não admite. E ele já sugou tudo o que tinha pra sugar, seu sorriso, seu bom humor, sua inspiração. Sugou até sua vontade de viver. Mas você tá lá, firme e forte (mais ou menos, né?!) esperando por ele, que ele mude, porque ele te mandou um “oi” há duas semanas.

Miga, para que tá feio. Feio pra sua autoestima. Se é que sobrou alguma ainda depois dele ter sugado até isso.

Pareço grossa mas você não tem me ouvido. Eu fico falando e falando e já tô até perdendo a voz e você insiste em me ignorar e inventar desculpas.

“Mas ele vai mudar”, “Ele pareceu diferente”, “Ele só precisa de amor”.

Bem querida, todos nós precisamos, certo? E vou te dizer que você aí também. E urgente. Precisando se amar um pouquinho mais.

Ora, onde já se viu? Um baita mulherão desses! Nunca foi de negar um desafio que eu sei. E admiro tua coragem.Mas usa essa inteligência e esse poder aí pra você mesma minha linda e sai dessa, coração.

Porque se você continuar insistindo em ficar nesse barco furado, você quem vai afundar e te digo que vai ser logo.

A água tá subindo, já batendo na tua cintura e você lá, com seu potinho de margarina tentando salvar o que já começou errado.

Muda de barco! Levanta a âncora, ajusta as velas e parte sem olhar pra trás.

Agradece o moço pelos aprendizados, guarda as boas lembranças numa caixinha e bye bye, baby!

Cada um de nós carrega um vazio existencial. Uns tem um um vazio que cabe na mão.

Alguns precisam de um trailer pra transportar. Mas todos nós o levamos, todos os dias. E cada um lida com ele da forma que acha melhor. Uns meditam, outros se viciam, outros fazem caridade, outros correm, outros jogam vídeo game, outros fazem poemas. E assim vai. Cada um a sua maneira. Só que entenda, que por mais que você queira preencher o vazio do outro, “salvar” alguém (e isso é louvável) você não vai conseguir se não houver do outro qualquer indício de que queira ser ajudado.

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