Quando eu tive menos na vida, foi quando fui mais feliz!

Luciana Marques

Quando eu tive menos na vida, foi quando fui mais feliz. Depois passei a correr atrás de “segurança” e tudo isso me deixou tão insegura que entendi perfeitamente o que o Rei Salomão chamou de “um esforço para alcançar o vento”.

Tudo o que eu quero na vida é tão simples…
Eu quero sobreviver fazendo alguma coisa que me dê prazer, que eu ame fazer. Não sobreviver mediocremente, mas com o necessário, com o que o dinheiro pode me dar sem tirar a vida de mim.

Quero deixar de fazer sacrifícios porque creio que isso não represente viver.

Quero um beijo apaixonado e um abraço apertado TODOS OS DIAS sem entrar para o roll das pessoas que se lamentam pelo amor que se perdeu na rotina.

Quero acreditar, sentir e vivenciar que a gente pode sim, amar, mesmo que haja dias em que isso doa um pouco, mas que não fira de morte a esperança nessa imensidão que é sentir.

Quero sentar na varanda de tarde com minha caneca de café e encolher as pernas na cadeira vendo o tempo passar, sentindo os olhos brilharem com a paz. Eu quero paz.

Quero ver meus filhos correrem pela vida sem a pressa que estou os ensinando a ter. Que esqueçam a TV e brinquem de viver.

Quero fazer amor. Às vezes com pressa, às vezes com força e sempre com amor. Com aquele amor que vai me fazer querer estender aquele momento olhando nos olhos de outro amor até o último instante e quem sabe adormecer com ele dentro de mim, descansando meu amor no seu peito que vai me acolher com um amor igual.

Quero descrer de pessoas que dizem que um precisa gostar mais do que o outro para uma relação dar certo. Quero amar igual. Acreditar que existe reciprocidade.

Quero cozinhar junto e lavar a louça junto e cuidar da vida juntos, sem nunca, jamais enjoar.

Quero ter uma vida própria e minha individualidade, mas sentir saudade da minha outra parte enquanto eu viver.
Não quero minha metade, mas meu inteiro refletido em outro inteiro que se reflita em mim.

Quero todos os dias ouvir uma música bonita e ter sempre aquela mesma pessoa para associar. E dizer isso pra ela. E receber de volta.

Quero escrever, escrever, escrever. Não porque sou Dra. em Letras, mas porque sou apaixonada por isso. Porque quando eu escrevo coloco os sentimentos do lado de fora, eu viajo, crio viagens, eu posso expressar das formas mais poéticas, subjetivas ou diretas aquilo que sinto em dez ou duas mil palavras.

Não quero ser rica. Não quero viajar pelo mundo hospedada em hotéis caros, ter internet, um carro bom… Eu nem quero nada. Quero comer e um teto para dormir. E roupas suficientes para vestir. E que meus filhos tenham tudo de que necessitam para viver. Carinho, amor, respeito valores.

Quero ouvir o barulho das ondas. Andar na praia quando o sol estiver nascendo e colecionar as conchas que encontrar todos os dias nessa caminhada. Sentir o vento gelar meu rosto e bagunçar meus cabelos e sentir a liberdade me abraçar.

Quero sentar na varanda da minha casa branca com janelas azuis e admirar o jardim florescendo, observar um mato que precisa ser arrancado, ver o gato caçando e rir do sossego do cachorro.

Quero ver a alface crescendo, colher os tomates da horta, usar o manjericão e a cebolinha que plantamos para a macarronada no domingo.

Quero caminhar com alguém ao meu lado que não dependa de mim para nada que não seja para amá-lo e caminhar ao lado dele. E de quem eu não dependa de nada além do amor que quero receber de volta.

Quero olhar lá na frente, nos ver envelhecendo juntos e sentir que isso é possível. Não quero chorar de mágoa, nem sentir raiva, vontade de estar em outro lugar. Quero sentir vontade de abraçar toda vez que a irritação se instalar para ver se aquilo acaba logo num abraço apertado e um eu te amo demorado.

Quero ouvir TE AMO sem que soe mecânico, sem que eu precise perguntar. Quero ser surpreendida no meio do dia com um bilhete ou o que seja. Eu não preciso de presentes, eu preciso de amor.

Quero sentir que sou amada, desejada como uma pessoa, como uma mulher, como um amor e não sentir medo de tudo se perder no tempo.

Toda a minha lista de desejos se resume em querer amar, em querer amor. Toda ela é simples, não precisa de grandes quantias de dinheiro, de luxo. É claro que eu temo não ter o mínimo para sobreviver. É claro que eu não espero passar nenhum tipo de privação ou dependência.

Toda a minha lista de desejos me parece utópica. Parece um filme de romance pastelão, bonito, uma viagem, um sonho bom, mas muito diferente da realidade da maioria das pessoas. Eu nem sei quem eu sou, se estou entre a maioria, não sei…

Toda essa lista deseja o verão, aquele que esperamos o ano todo para chegar e quando chega, aquece a vida, às vezes sufoca com tanto calor, esse calor que faz vestir roupas leves, se desprender das vestes pesadas do dia-a-dia, molhar o cabelo e caminhar livre pelo dia que entardece mais tarde.

Quero esse verão que vem como sol do final de tarde, deixando aquela saudade de um dia bonito e repousando num espetáculo breve sem dar certezas que volta no outro dia brilhando num céu azul e limpo, ou se vai chover e nublar.

Eu estou acordada. Mesmo assim me pego sonhando com esse sonho bom, como se todo esse querer já tivesse acontecido um dia e eu não estivesse sonhando ou imaginando, mas apenas relembrando.

Minha realidade precisa de um tempo, no entanto, meu coração precisa desse sonho. E eu preciso saber que sozinha posso executar a maior parte do meu querer, porque eu quero estar pronta para ser sozinha sem sofrer demais. Mas eu preciso de um amor para amar. Preciso de um amor que me ame também. Isso eu não posso fazer sozinha.

Eu me enganei muitas vezes. Eu enganei muitas vezes. Eu quis que me quisessem, quis quem não me quis e não quis quem me queria, mesmo quando eu achava que tinha absoluta certeza.

Quero viver com calma, sem atropelos, eu quero construir meus alicerces para que minha base não dependa, nunca mais, de outra pessoa.

E eu não espero começar a viver quando envelhecer, mas preciso entender o que está acontecendo na minha vida.
Estou cansada agora, preciso construir devagar. E se vem o verão… Não posso pedir que estenda sua temporada esperando por mim, porque eu não posso dar nem receber certezas. Mas espero ter na vida verão o ano todo. Sentir o calor que ele traz para o meu coração… E que todo dia esse calor seja um pouco maior que no anterior.

COMPARTILHAR


RECOMENDAMOS


Luciana Marques
Sou mãe de um casal (lindo!), 35 anos, formada em Gestão Empresarial, gerencio uma Clínica Médica e escrevo por hobby e amor. Leonina de coração eternamente apaixonado, gosto de manter uma visão romântica sobre a vida. Humana, sou uma montanha russa de sentimentos e quando as palavras me sobram, escrevo. Minha alma deseja profundamente, um dia, apenas escrever

COMENTÁRIOS