Só porque hoje acordei tão eu

Diego Brígido

Hoje eu acordei tão eu que resolvi sair sem máscara.

Sem máscara, sem carapaça e sem celular.

Acordei com saudades do eu real que vive escondido sob os trajes do eu social.

Aquele eu que todo mundo gosta, que todos aprovam e que por vezes me sufoca, aquele, eu decidi deixar em casa.

Só dessa vez.

Só dessa vez vou sair de casa por mim. Para mim.

O celular e todos os grupos dentro dele vão ficar na gaveta.

Hoje ninguém vai dizer para onde devo ir, o que devo comer e se minha roupa combina.

Hoje, não. Hoje eu acordei tão eu que minha presença me basta.

Sem celular, sem fones de ouvido. Hoje a trilha sonora quem conduz sou eu. Embalada pelo que tenho vivido.

Também sou eu quem define quanto tempo vou ficar olhando o mar.

Matando a saudade de me amar.

Hoje ninguém me tira de mim.

No silêncio da minha companhia vou tocar meu dia. E não há quem me faça rir forçado, abraçar apertado e andar apressado.

Hoje, não. E só porque hoje eu acordei tão eu, preferi ficar dormindo e deixar todos esses planos para outro dia. Afinal, não é sempre que conseguimos decidir por nós mesmos. Mas hoje eu decidi. Dormir.

E só porque acordei muito eu.

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Diego Brígido

Outras paixões: vinhos, jazz e plantas. Aromas de vinhos, sopros de sax e cheiros de plantas. Há lugar melhor para vivenciar tudo isso do que em uma Mesa Na Varanda? Puxa uma cadeira, chega mais..


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