Os problemas de se tornar uma pessoa forte

Carolina Vila Nova

Nem sei dizer qual é a pior parte de se tornar uma pessoa forte. Para começo de conversa, ninguém se torna forte, simplesmente porque quer ou porque é legal. Paga-se um preço alto para se ter força. Geralmente é um processo que demanda tempo, vida, dores, frustrações e muitas perdas. Se tornar forte é bom, mas o processo é longo e doloroso. Não acontece da noite para o dia e menos ainda num simples desejo de ser assim.

Todo ser humano tem sua história. E toda história tem suas dores escondidas. A perda de um pai ou de uma mãe, a ausência de um pai ou de uma mãe, a péssima relação com um pai ou com uma mãe. Dor naquilo que deveria ser o alicerce de toda uma vida.

Pode haver a perda de um filho, ou a doença de um filho. A doença de si mesmo. O excesso de submissão, a falta de autoestima, coragem e tanto mais. Toda história carrega sua própria cruz. E não importa o quão leve ou pesada pareça aos demais, ela é sempre pesada a quem a carrega.

O viver me parece dolorido em vários aspectos. Leva-se muito tempo para começar a entender como as coisas funcionam de verdade. A maior parte da vida, a gente acha que entende. E só depois que a arrogância do saber se vai, e a resiliência e humildade chegam, é que a compreensão realmente começa.

O bom de se tornar forte é que há vida para se levantar cedo, faça chuva ou faça sol. Há coragem e naturalidade para se enfrentar as dificuldades. Há sorriso e paciência, para lidar com o problema que for, mesmo que por trás deste problema haja um ogro disfarçado de gente. Ser forte faz um dia nublado parecer primavera, bem como a falta de algo ou alguém se reverter em esperança e certeza daquilo que virá.

Quando se chega neste ponto há muitas boas sensações. Parece que nada nos abala. Segue-se em frente com uma facilidade e naturalidade automáticas. Porém, também começamos a nos sentir sós. Fica mais difícil aturar o “mi mi mi” de quem prefere a vitimização. Ainda assim se exerce a compaixão. Mas tem hora que cansa. É mais difícil encontrar seus semelhantes.

A solidão de quem se torna forte, não é a solidão de quem se sente sozinho, mas a solidão de quem prefere ficar só a estar mal acompanhado. É a preferência da companhia de si mesmo, do que de uma ou várias pessoas que se imaginam fortes, mas que na verdade são cansativas.

O ser forte também acaba atraindo sucesso, realizações, soluções de problemas que se estenderam por anos a fio. A vida simplesmente flui. Tudo fica mais fácil. Porém algumas coisas vão embora. Junto com a ignorância e a superficialidade, a diversão, através de coisas, que antes pareciam o máximo, perdem o seu valor, perdem a graça. A evolução e aquisição de uma consciência mais ampla, nos tornam mais seletivos, não apenas em relação às pessoas, mas às situações, aos lugares e aos hobbies. Tudo muda. Não é uma escolha, mas uma consequência.

Para quem está de fora ou ao redor dos que já se tornaram fortes, pode haver um incômodo ou atração. Há quem os inveje e há também quem os queiram e os desejem. Também por vezes falta a interpretação. Tem gente que imagina as pessoas fortes como pessoas sozinhas, individualistas ou egoístas. Tem aqueles que neles se espelham para seguirem o mesmo caminho. E há os que os se sintam tão atraídos por eles, que passam a confundir as coisas.

Ser forte tem seu preço! Não é barato, e não é algo que se barganha. Cada um paga o seu preço. Mas também, cada um colhe seus próprios frutos e consequências. Como tudo na vida, tem seu lado bom e seu lado ruim.

Se tornar forte gera uma lista de problemas e dores que se passou e de problemas que ainda se passa. Mas não se tornar forte, é infinitamente pior, pois se trata da negação da própria vida, do “para que se veio a este mundo”. A estagnação de sua própria evolução.

É preciso coragem, mas há de se seguir em frente.

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Carolina Vila Nova
Brasileira, 41 anos, formada em Tecnologia em Processamento de Dados, pós-graduada em Gestão Estratégica de Pessoas. Atua numa multinacional na área administrativa como profissão. Escritora, colunista e roteirista por paixão. Poliglota. Autora de doze livros publicados de forma independente pelo Amazon, além de quatro roteiros para filme registrados na Biblioteca Nacional. Colunista no próprio site www.carolinavilanova.com e vários outros. Youtuber no canal Carolina Vila Nova, que tem como objetivo divulgar e falar sobre as matérias do próprio site.

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