Os pedaços de mim mesma.

Elisa Motta

Eu acredito que todos nós desejamos poucas coisas, precisamos de poucas coisas para nos sentirmos felizes e inteiros.

Como alguns amigos e familiares por perto, um trabalho que nos deixe felizes, um amor e momentos de lazer.

Os seres humanos são simples e perfeitos, estão todos prontos para conectar a sua essência divina e transmiti-la a todo momento a quem precisa.

Somos formados por pequenas partículas que unidas formam nossa figura, e nossa figura unida a outras figuras, forma o todo.

Estamos juntos a todo momento, mas eu entendo sua solidão crônica. Me identifico completamente com ela.

Me identifico tanto que em minha jornada busco me fortalecer um dia de cada vez para me sentir única e completa por mim mesma.

Se sentir só em meio a multidão é um dos grandes problemas da humanidade. Somos uma coisa só e mesmo assim nos perdermos em nossa separação irreal.

Mas gostaria de te fazer um convite, o mesmo que me fiz ao ler seu pedido de carta:

Vamos expandir um pouco mais nossos limites?

O que enxergamos neste momento são as distâncias de corpos, o não preenchimento material de nossas vidas. Digo material pois tudo o que existe neste plano é matéria.

Agora, expanda a sua luz, feche seus olhos e sinta sua presença inteira. Sinta o pulsar que habita seu coração, sinta algo sutil que envolve seu corpo e perceba o invisível.

Um brilho que existe ao nosso redor, uma corrente de luz que nos rodeia para nos dar amor e suporte suficiente para seguirmos sempre em frente.

Esta mesma luz que vem dos céus, também vem de guias protetores que nos escolheram para nos acompanhar e nos guiar, e neles, podemos confiar sempre.

Eles são a suficiência que nos falta, eles são o colo que sempre estão disponíveis e confiáveis a todo momento que desejamos.

Eles completam nossa fé.

Quando trazemos a proximidade divina para nosso dia a dia, podemos senti-la a todo instante nos brindando com sua presença e nos ajudando em cada momento de fraqueza.

Nosso ecossistema de suporte está sempre conosco, ele nasceu conosco e ficará até o último dia.

E sabendo disso, sabendo desta fonte infinita de amor que nos acompanha e nada nos falta, o que você tem para oferecer a outrora?

Você, que apesar de tamanha perda, apesar da dor constante, busca incessantemente criar novos laços, trazer para sua vida a presença que lhes foi tirada.

Esta presença, sinto lhe dizer, nunca será substituída. Mas ela, com certeza, sabe do tamanho do amor que tens para oferecer a todos que desejarem, sem nada pedir em troca.

Você consegue se ver desta perspectiva?

Imagine que para nossa família sempre temos algo, sempre tiramos força para lhes dar o que for necessário.

Agora, volte ao inicio do texto e perceba. Somos todos um, todos uma grande corrente.

Poderia agora encontrar um equilíbrio para doar seu sorriso e abraço, a oferecer uma troca genuína tomando café e se colocar a disposição sem nada esperar?

A vida está pronta para lhe oferecer mais conexões, ela está de braços abertos esperando que você faça o mesmo para que esta troca seja contínua, verdadeira e abundante.

Quando em alguns momentos o cansaço bater, te convido, doe-se um pouco mais. E a partir desta doação, estará sendo preenchida pelo viver eterno de ser inteira por você mesma.

Nunca nada lhe faltará.

Procure nos detalhes a identificação com suas escolhas de hoje, se coloque no lugar de observadora e busque afinidade com tudo o que criou a sua volta.

Volte para sua casa, volte para você mesma.

Tenho certeza que em suas reflexões silenciosas, este luto que acompanha sua vida será preenchido por lindos encontros.

O mover-se de sua vida é um reflexo dos movimentos internos, e a permanência acolhedora também virá exatamente do mesmo ponto.

Desejo que seu preenchimento reverbere no meu preenchimento e assim, criar ciclos contínuos de pessoas inteiras, desejo que seu coração se abra para receber tudo de maravilhoso que está te esperando a bastante tempo e confie na sua completude que se faz a todo instante.

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Elisa Motta

Eu escrevo desde criança, fui inspirada por meu avô Hildebrando Affonso de André, o poder das palavras.

Sou uma escritora de cartas, escrevo cartas endereçadas para as pessoas que me pedem, todas elas são escritas pensando em uma pessoa especial que me enviou um pedido em particular, mas elas acabam servindo para todos nós! Quer uma carta também?
Isa Motta, escritora de cartas, apaixonada por pão de queijo e brigadeiro, mãe da Olívia.


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