Os beijos são palavras silenciosas

Resiliência Humana

Beijamos de forma furtiva, lasciva, suave, tímida, ávida, e alguns sortudos, copiosamente. Beijamos quando o sol aquece o asfalto e quando as estrelas assumem posições em um cinema noturno onde somos os protagonistas. Os personagens dos contos de fadas beijam para despertar as princesas ou transformar sapos. Existem os beijos de compromisso, e até mesmo beijos de traição como o de Judas em Jesus.

De uma forma ou de outra, os beijos produzem uma reação fisiológica que inclui centenas ou milhares de mensagens neurais. Eles também podem provocar reações de euforia ou de excitação sexual; são uma pequena caixa cheia de aromas que não podem ser ignorados sempre que a caixa é aberta.

“O ato de beijar é mais complexo do que parece: transmite poderosas mensagens para o cérebro, para o corpo e para o casal”.
– Chip Walter –

Na infância, os beijos contém um paradoxo. Normalmente, as crianças recebem vários pedidos de beijos por dia, muitos dos quais satisfazem com verdadeiro prazer. No entanto, por vezes, também sofrem a tirania dos adultos, que não as respeitam quando dizem que não querem beijar determinada pessoa ou naquele momento. Nem as crianças e nem os adultos deveriam ser forçados a beijar, senão o beijo perde muito da sua essência e pode até abalar diretamente a assertividade das crianças.

Os adolescentes são, talvez, os que mais dão importância a um beijo. Eles se perguntam: Como se faz? O que vou sentir? Saberei fazê-lo quando chegar a hora? Mesmo depois de conhecer a pessoa que eles acreditam ser apropriada, podem dormir várias noites antecipando este momento. Todo mundo já passou por isso e ficamos dando mil voltas como uma bola de gude até que o momento chega: seja com a pessoa planejada ou com outra, no momento certo ou no mais desastroso, dificilmente o esquecemos.

Não ficamos perdidos porque foi bom ou ruim, mas pela antecipação da emoção desse momento. Qualquer atividade melhora com a prática, e beijar não é uma exceção. De uma forma ou de outra, não somos tão seguros quando somos adolescentes. De acordo com estudos recentes, um primeiro beijo ruim pode ser suficiente para terminar um relacionamento promissor.

A origem dos beijos

Alguns pesquisadores acreditam que os beijos na boca nasceram com uma utilidade evolutiva. Eles observaram que este tipo de beijo facilitou muito o processo de seleção de um parceiro. Uma grande quantidade de informações é trocada durante um beijo, de modo que ele nos dá rapidamente o material necessário para aceitar ou rejeitar um parceiro Entram em jogo o nosso toque, o nosso cheiro e alguns aspectos posturais, como a inclinação da face, que processamos inconscientemente.

Existe uma outra hipótese para o nascimento dos beijos que não é tão atraente. Tem a ver com o costume das mães primatas de mastigar os alimentos para alimentar seus filhos. Esta hipótese é defendida, entre outros pesquisadores, pelo zoólogo Desmond Morris.

Beijos e feromônios

Ao contrário do que acontece com outros animais, não temos uma parte específica do nosso corpo projetada para detectar feromônios. No entanto, há indicações de que nós também usamos informações químicas que coletamos através do olfato. Esta hipótese explicaria, por exemplo, por que o ciclo menstrual de mulheres que moram juntas é sincronizado, ou porque o cheiro de homens com sistemas imunológicos mais fortes é mais atraente. Dessa forma, a aproximação que ocorre com o beijo proporciona uma posição favorável para recolher esta informação química.

Por que os lábios? Dois fatores fazem dos lábios a escolha perfeita para os beijos apaixonados: eles têm uma grande quantidade de terminações nervosas e a pele que os envolve é muito fina. Ou seja, é um local onde o toque produz uma grande quantidade de sensações sem que a intensidade do contato seja forte.

Além disso, em cada beijo apaixonado que damos, 5 nervos cranianos dos 12 que temos estão envolvidos. O que significa isto? O nosso sistema nervoso é montado de tal forma que a informação que recebemos através de um beijo circula por muitas e grandes rodovias nervosas dentro do nosso corpo até chegar ao nosso “centro de operações”.

Como qualquer informação tátil, a informação que vem de um beijo chega em uma parte do nosso cérebro chamada homúnculo sensorial. Nesta parte está representada, de alguma forma, toda a superfície corporal sensível ao tato. Portanto, nesta espécie de mapa, os lábios ocupam um amplo espaço, especialmente se o compararmos com outras partes do nosso corpo que têm uma densidade similar de terminações nervosas.

Significado diferente para homens e mulheres

De acordo com um estudo realizado pelo Gallup e seus colaboradores em 2007, homens e mulheres interpretam o beijo de forma diferente na evolução de um relacionamento. Para os homens, um beijo prolongado e intenso é um prelúdio para uma abordagem mais íntima, o início de uma relação sexual. No entanto, as mulheres interpretam de outra forma. Beijos intensos e prolongados simbolizam e consolidam a ideia de que escolheram um bom parceiro para uma relação de longo prazo.

Por outro lado, as pesquisas de Hill e Wilson concluíram que, embora seja verdade que o beijo pode causar grande excitação quando acompanhado por certas circunstâncias, parece que as mulheres precisam de uma quantidade maior de beijos para alcançar o mesmo nível de excitação que os homens.

Os estudos concluíram que tanto em homens quanto em mulheres, e em proporções semelhantes, o beijo reduz o estresse, diminuindo os níveis de cortisol no organismo.

Por outro lado, embora possa parecer curioso, os beijos não são um costume comum em casais de todas as sociedades. Por exemplo, para uma grande parte da sociedade chinesa o beijo na boca pode ser um ato tão repreensível quanto o canibalismo para nós (d’Enjoy, 1897). Além disso, outro antropólogo, em um estudo mais recente, estimou que cerca de 10% da humanidade não beija nos lábios.

Para finalizar, eu gostaria de salientar que os beijos correspondem mais a uma herança social do que um ato natural. São as nossas sociedades, com as nossas normas e concepções, que provavelmente produziram mudanças na nossa biologia e estabeleceram certos tipos de costumes para que os beijos sejam um comportamento frequente entre os casais que conhecemos.

De uma forma ou de outra, ou mesmo que seja apenas porque reduzem o estresse, beijem muito.

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