O que fazer quando se tem um chefe que humilha, grita, oprime?

Resiliência Humana

Gritos, ordens, grosserias e até violência física estão fazendo parte do cotidiano de muitos profissionais. Alguns, por falta de opção, relevam a falta de respeito e mantêm com unhas e dentes seus empregos. Até que ponto esse tipo de comportamento deve ser aturado no ambiente de trabalho, no qual passamos em média 40 horas toda semana? Como se não bastassem os prazos apertados, a pressão psicológica pode se tornar um fator estressante capaz de causar doenças.


Foi esta situação que vivi na pele em um novo emprego. Não consigo esquecer os quarenta e cinco dias aturando um chefe com sérios problemas psicológicos. Já estava em uma empresa há mais de um ano, quando uma boa proposta de trabalho, tanto no aspecto físico quanto no financeiro, apareceu na minha vida, e o pesadelo começou.

Nunca vi ninguém tão arrogante. O homem vivia de mau humor e era extremamente mal educado. Além disso, desrespeitava todas as mulheres da empresa e tinha acessos de descontrole emocional. O descontrole em questão se tratava fazer jogatinas entre seus funcionários, jogá-los uns contra os outros criando situações duvidosas entre nós. Era uma loucura! Sempre que ele chegava me olhava já me perguntando se eu já tinha vestido definitivamente a camisa da empresa; ao meu redor os funcionários mais antigos se perguntavam quando ia ser o momento do “meu batismo”. Por fim esse tal batismo chegou, a tempo de realmente me fazer acordar e por não aceitar se submeter às regras do jogo, não agüentei e me demiti – sai de cabeça erguida!

A grosseria não era apenas comigo. O clima na empresa era péssimo, um desânimo total. Ele agia assim com todos, independente do cargo que ocupassem. Durante esses 45 dias que passei lá vi ótimos profissionais chorarem por causa da falta de respeito.

Na minha concepção o bom chefe não manda, mas comanda. Para dar ordens, é preciso antes saber ouvir. Só uma pessoa democrática poderá entender que sugestões contribuem para a melhoria do trabalho. No entanto, há os que encaram isso como ameaça. E ele era essa pessoa, não conseguia ver seus funcionários trabalhando em harmonia e sintonizados por que para ele cheirava a conspiração… Um louco!


A sadia convivência em nossos relacionamentos se constrói sobre os alicerces do respeito por aqueles que, de alguma forma, exercem autoridade sobre nós, sejam eles chefes de trabalho, pais, professores entre outros.

Penso ser necessário para aqueles que consideram ultrapassado o cultivo do respeito mútuo uma urgente retomada de um novo comportamento. A nobre virtude do respeito pelo outro tende a favorecer o florescimento da excelência da democracia, dos direitos e deveres em todos os nossos relacionamentos.

Talvez os valores de nossa sociedade tenham chegado aos mais baixos níveis. O medo do desemprego é uma das principais causas desse fenômeno. Para garantir seu emprego, o funcionário sujeita-se a atitudes antiprofissionais; o chefe, por seu lado, transfere toda a insegurança para sua equipe mediante atitudes autoritárias. Mas essa situação só prolifera quando favorecida por ambas as partes: chefes autoritários buscam funcionários submissos e vice-versa. A situação só irá perpetuar-se caso o funcionário permita. Eu não permiti! Sei da minha capacidade e das minhas qualificações… Espero um dia poder trabalhar novamente em uma empresa onde tenha respeito pelos profissionais e que saiba que funcionário respeitado e produtividade garantida.

FONTEMoraes Adriana
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