O passado nos atormenta, o futuro amedronta e quanto ao presente? Só queremos passar por ele ilesos….

Patricia Pessanha

Você está numa fase ruim?

Entenda os ciclos da nossa roda gigante vital:

A vida parece ser feita de fases. Muitas vezes estas fases são como um passeio em uma roda gigante. Momentos de ascensão, momentos de descida, momentos em que ela simplesmente para nestes trajetos. E claro, sempre desejamos que ela pare eternamente no local com a melhor paisagem e de preferência, bem acompanhados.

Entretanto, estabilidade eterna parecer ser algo que simplesmente vai contra a natureza. O universo simplesmente nos expulsa da acomodação improdutiva, às vezes de uma forma gentil, às vezes nem tanto. Fato é que a natureza desta roda gigante vital é girar.

Todos nós já fomos obrigados a parar um pouco em sua base, onde a paisagem não é tão aprazível. São fases em que nada parece dar certo, em que sentimos como se tivesse sido aberto um buraco infinito sob os nossos pés. Somos inundados por dúvidas, por preocupações, por ansiedades ou medos e então, já submersos neste mar de caos, damos braçadas buscando nos livrar da correnteza. Entretanto, apenas alcançamos um desgaste físico e emocional diante deste esforço inócuo contra as forças da natureza.

Nestes momentos, o passado nos atormenta, o futuro amedronta e quanto ao presente? Só queremos passar por ele ilesos…. As pessoas parecem distantes ou simplesmente não são capazes de compreender o que se passa dentro de nós. Isso quando elas mesmas não se prestam a fazer o papel de coadjuvantes deste teste de sobrevivência emocional.

Para transpor essa fase, alguns optam por vestir uma máscara com expressão neutra e passam despercebidos pela multidão. Outros desenvolvem uma casca grossa o suficiente no intuito de proteger sua pele de novas cicatrizes. Há ainda os que se entregam ou não guardam mais forças sequer para sair da cama ou enxugar as próprias lágrimas.

Parece que nunca vai passar…

Quando nossa roda gigante da vida faz parada no solo, não conseguimos mais apreciar a paisagem.

Só enxergamos a aridez do asfalto, as ferragens do brinquedo que nessa hora perde seu charme.

Ali nada tem mais graça e para retomar a subida, obviamente é preciso força, impulso.

Mas nesse momento podemos escolher entre passar este momento reclamando da demora em retomar a subida ou planejar a melhor forma de aproveitá-la, ou imaginar o quanto poderá ser ainda mais bela desta vez. Talvez agora você repare algo novo na paisagem. Talvez agora perceba o carinho do vento indo de encontro ao seu rosto ou quem sabe alguém entrará nesta nova volta com você e lhe acompanhará ao apreciará as estrelas lá do alto?

Sim, pois ao menos que o passeio tenha acabado, você voltará ao topo, você terá oportunidade de apreciar novamente a paisagem.

Eis a nossa roda gigante vital, com suas voltas, paisagens e paradas.

Nela vivemos o entusiasmo de uma criança no seu primeiro dia no parque, mas temos também de lidar com o estorvo das perdas, das lições, da cura dos machucados. Há – por outro lado – um grande presente, mas que apesar de se chamar “presente” muitas vezes só conseguimos percebê-lo quando o enxergamos já como “passado”.

Muito daquilo que hoje nos soa como a fase de descida desta grande roda ou momentos de paradas sem paisagens (fatos ruins, perdas, problemas) serão – na verdade – o caminho novas oportunidades, abertura para realizações. São os fatos que precisavam acontecer ali, naquele momento, para que desencadear uma benção mais à frente.

E então, em algum momento deste passeio você olhará para trás e se dará conta de que se aquilo não tivesse ocorrido, exatamente daquele jeito, hoje você não estaria onde está. Não teria conquistado o que conseguiu ou não seria esta pessoa tão mais compreensiva, mais paciente, mais segura ou simplesmente melhor.

Saiba lidar com as voltas nesta roda gigante da vida e esteja ciente que as fases de subida e descida às vezes podem causar efeitos estranhos nas nossas percepções. E se de alguma forma você se machucar nas ferragens desta grande máquina giratória, saiba que a ferida irá cicatrizar e poderá se tornar pura e simplesmente a lembrança de um dia no parque: Um dia em que você superou o medo de rodas-gigantes, aproveitou todas as fases, apreciou a paisagem, encontrou pessoas e saiu de lá sorrindo como uma criança orgulhosa do seu feito. E que assim seja!

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Patricia Pessanha
Patricia Oliveira Lima Pessanha, nascida em Petrópolis/RJ, atualmente residente em Santos/SP. Cultua bons livros, boa música, cinema, humor inteligente e se diz uma eterna aprendiz. Tem dentre seus hobbies explorar seu lado criativo, em especial através da escrita, buscando convidar o leitor à reflexão e contribuir para um mundo melhor, ainda que de forma singela.

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