O Nome da Rosa – Filme

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O cenário de “O nome da Rosa”, livro publicado em 1980 e adaptado também para o cinema, é muito singular. É uma abadia beneditina localizada nos Apeninos durante o ano de 1327. Para lá se dirigem o franciscano Guilherme de Baskerville e o seu fiel companheiro Adso de Melk, sem imaginar o mistério perturbador que os aguarda. Para Guilherme, com seu passado sombrio como inquisidor, foi confiada a missão de participar de uma reunião onde seria discutida a suposta heresia de um ramo dos franciscanos: os espiritualistas.

Além desse cenário, Umberto Eco criou uma novela de detetives que permite ao leitor dar um passeio pelos costumes da Idade Média, pelo seu lado mais escuro e cruel. Um cenário histórico onde a religião dava e tirava poder, concedia caprichos ou destruía vidas em nome de um Deus que, além de ser onipotente, era retratado como punitivo, contrário a qualquer diversão mundana e sua expressão mais natural: o riso.

O nome da rosa

O nome do monge protagonista, Guilherme de Baskerville, está longe de ser aleatório. Umberto Eco colocou Guilherme em homenagem ao conhecido filósofo Guilherme de Ockham, famoso sem dúvida por sua conhecida “Navalha de Ockham”. Esse princípio peculiar afirma que, quando existem duas hipóteses que explicam fatos com o mesmo número de acertos, deve prevalecer o que é mais simples. Essa ideia pode ser utilizada em todas as áreas, inclusive na ciência. A formulação moderna deste requisito é o “critério da parcimônia ou da simplicidade”.

Esse critério também está muito presente no comportamento de um dos detetives mais famosos da história: Sherlock Holmes. O sobrenome de Guilherme, Baskerville, está relacionado com um dos casos mais famosos de Sir Arthur Conan Doyle, O cão dos Baskervilles.

A explicação da origem do nome do frade seria uma piada se não transcendesse além. É uma declaração de intenção para a forma de agir de Guilherme, que passará grande parte da sua estadia na abadia tentando resolver os crimes que estão acontecendo, em um ritmo que recorda outro famoso romance de mistério: “O Caso dos Dez Negrinhos”, de Agatha Christie.

Outra referência para a história tem a ver com o administrador da extensa biblioteca do convento. Nós falamos de Jorge de Burgos e da sua referência literária, Jorge Luís Borges. Nas palavras do autor: “… biblioteca e cego só pode dar Borges, também porque as dívidas são pagas”.

Os espinhos da rosa

É precisamente esse personagem que está por trás dos assassinatos que acontecem um após o outro na abadia. Tudo pela sua ânsia de impedir que o segundo livro de poesia de Aristóteles seja publicado. Um livro dedicado ao humor, que o frade temia porque acreditava que o riso não era mais do que um vento diabólico que deforma os traços e faz com que os homens pareçam macacos.

Jorge, como muitos religiosos da época, acreditava que o riso era algo característico dos povos incultos e selvagens, mas que devia ser afastado da Igreja para que a intelectualidade, que naqueles momentos sombrios girava ao seu redor, não a adotasse como um instrumento da verdade. A igreja temia que a comédia roubasse do homem o temor a Deus, de modo que ele deixasse de seguir os seus preceitos.

Frei Jorge achava que o riso era o antídoto para o medo, que por causa do medo do diabo, os homens se voltavam para Deus. Sem esse medo, não havia nenhuma razão pela qual os homens não deveriam rir de Deus como eles faziam com o restante dos elementos. No entanto, no escritório de Jorge está a sua própria condenação que, como amante dos livros, é partidário de controlar o conhecimento e não destruí-lo. Dessa forma, ele apenas tomará esse caminho quando estiver ciente de que foi descoberto por Guilherme e não tem outra opção.

No filme “O Nome da Rosa” também podemos ver outro confronto medieval clássico entre a razão e a fé. É o confronto que ocorre entre o inquisidor Bernardo Gui e Guilherme, que removerá os alicerces da igreja com o nascimento da Reforma Protestante e o auge do Iluminismo.

Livro ou filme, “O Nome da Rosa” representa um momento de prazer para quem aprecia a boa literatura e um enredo que, além de ser misterioso, fala da nossa condição, da condição humana.

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