Não erga a voz, melhore o seu argumento

Resiliência Humana

Você não se fará compreender melhor erguendo a voz. O grito agride e humilha, se transformando assim em um tipo de comunicação agressiva bastante comum em muitas dinâmicas familiares. O grito não educa, nem edifica um relacionamento amoroso saudável, ao contrário, o grito se transforma frequentemente no tipo de maus-tratos invisíveis mais comum. O melhor sempre será manter o tom e melhorar o argumento.

Albert Mehrabian é um psicólogo especialista em comunicação não verbal. Na maioria dos seus trabalhos sobre o tema ele destaca a relevância do tom na hora de manter um diálogo empático e, ao mesmo tempo, assertivo. Tanto é assim que em qualquer processo de comunicação apenas 7% do significado se deve às palavras, o resto depende do tom de voz e da linguagem corporal.

Uma voz carregada de ira e desprezo jamais superará o domínio sutil dessa voz clara que sabe se fazer entender com respeito e delicadeza. A comunicação é uma arte que nem todos sabem usar.

Acredite se quiser, todos nós cometemos erros na hora de nos comunicar. As ironias, os duplos sentidos, os gritos e a incapacidade de fazer uso eficaz da comunicação emocional costumam ser sem dúvida os fatos mais comuns. 

Nunca devemos erguer a voz a uma criança

O estilo de comunicação com o qual se educa uma criança costuma ter grandes implicações no seu desenvolvimento pessoal e emocional. É comum, por exemplo, encontrar nas salas de aula alunos retraídos caracterizados por uma baixa autoestima por causa de pais que exercem rotineiramente uma comunicação agressiva baseada em ordens e ameaças.

Isso não é o correto. Agora, um fato que é preciso considerar é que muitas vezes podemos perder a paciência e acabar erguendo o tom com os pequenos. Não é necessário sermos “pais autoritários” para cometermos o erro de recorrermos a um grito para que a criança obedeça. Todos sabemos disto e sempre procuramos que isso não aconteça.

Conseqüências de gritar com as crianças

Especialistas em terapia de comportamento infantil falam da necessidade de não gritar com os filhos ou alunos pelos seguintes motivos:

Cada vez que você for realizar uma correção, pare para pensar nas conseqüências que esta pode provocar na criança. Nós somos o seu modelo a imitar.

Educar com gritos fará que no início a criança se assuste e obedeça, mas pouco a pouco irá produzir uma “tolerância” nos mesmos. Será preciso gritar mais e mais, e o mais provável é que eles também gritem conosco.

O grito acaba se transformando em um modelo de comunicação que nossos filhos assumirão com o passar do tempo.

O uso abusivo do grito traz outras conseqüências: a criança deixará de relacionar esse tom elevado com uma bronca, deixará portanto de empatizar com as pessoas e de entender quando alguém está bravo ou quando lhe fala normalmente.

Os gritos são um tipo de maus-tratos, é preciso ter isso claro. Uma comunicação persistente baseada no grito gera em um muitos casos uma baixa autoestima e depressão em adolescentes, assim como revelou uma pesquisa realizada na Universidade de Michigan (EUA).

Desça o tom, melhore o seu argumento

Nos casais, os gritos podem ser autênticos alfinetes que se cravam no interior para ferir a integridade e fazer sangrar a autoestima. É uma conduta destrutiva que não deve ser tolerada. Porque quem ama respeita, quem gosta não agride, e a comunicação agressiva machuca.

Também é verdade que há quem já tenha se acostumado a erguer a voz, a pensar que só por gritar irá impor sempre a sua verdade e a sua razão, por isso é necessário refletir sobre a necessidade de descer o tom, melhorar o argumento e fazer uso da comunicação emocional. Estes são os pilares básicos:

Descreva comportamentos e não pessoas

O simples fato de comparar a outras pessoas é, sem dúvida, uma falta de habilidade emocional e comunicativa: (você é burra como a prima do fulano, falso como meu colega de trabalho).  

Não é adequado; não faça isto, nem permita que o façam com você. É mais construtivo melhorar seu argumento e definir comportamentos: “não gosto que você não seja sincero comigo, você tem que procurar me falar a verdade”.

Faça uso de verbos que permitam uma conexão emocional

As emoções se contagiam e as palavras são autênticas canalizadoras de emoções positivas que todos temos ao alcance das nossas mãos. Por que não fazemos uso delas?!

Eu gosto que…
Eu acho, acredito…
Eu gosto da forma como…
Sinto que…
Acho que…
Um tom que traga calma

Com um tom adequado você pode seduzir, acalmar, oferecer confiança e criar uma proximidade adequada. Um grito, ao contrário, fará que você provoque a raiva, a desconfiança, e o temor no seu interlocutor. Não é construtivo nem respeitoso, e por isso você precisa administrar as suas próprias emoções e ter um controle sobre este aspecto.

As palavras mornas, relaxadas e dotadas de um bom argumento e respeito são laços que nos unem com as pessoas que amamos.

A verdadeira comunicação não se faz falando ou gritando, a comunicação começa sempre sabendo ouvir a partir do coração.

VIAValéria Amado
FONTEA mente é maravilhosa
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