Meu gatilho mais doce.

Resiliência Humana

Por Aline Vallim

Eu faço mil coisas, eu estudo, eu me informo. Ao longo dos meus dias, eu faço algumas atividades, viajo ao redor do mundo e do tempo e volto à mim.
E dentre essas distrações, obrigações, deveres, prazeres,
depois que um gatilho é disparado, eu não consigo parar.
Sempre me vem à cabeça, a mesma imagem. O mesmo contorno que é do seu corpo bem na minha frente, essa coisa que você faz com a bochecha e seu olhar de rabo de olho, enquanto eu faço alguma careta.
De uma forma covarde, você é a minha paixão mais platônica, um desejo infundado, eu sinto o seu cheiro, sem nunca ter sentido. Seu gosto tá aqui, na minha língua e de fato nunca esteve.
Eu quero muito te sentir ofegante, perto da minha boca, eu quero realmente sentir a sua pele tocando a minha de uma forma rude e delicada, ao mesmo tempo.
E quando penso em você fico inquieta, quase explodo com essa vontade e nada me resta. Nada além de imaginar você aqui entrelaçado em meio as minhas pernas, pesando em mim, forçando a proximidade à ponto de nos tornarmos um, enquanto me olha e fala umas bobagens bem ditas aqui no meu ouvido e usa a língua de forma muito bem coordenada.
Você nunca me fez nada de mau e eu tenho vontade de te bater, e fisicamente expor essa raiva de ser tão atingida por você. Acho injusto, acho um ultraje, só porque te quero muito.
Não gosto de você, porque gosto além do que posso explicar.
É como admirar uma foto, ou sei lá, uma pintura famosa. É irreal.
Talvez você seja como os outros, e por um lado positivo,
é bom pensar que a chance de isso se provar não tenha surgido.
E quando apareceu, por segundos nos foi tirada.
Eu fico com a melhor parte, essa parte que me diz que você é diferente, que você vale a pena.
Esse, porventura, pode ser o lado positivo.
Talvez eu nunca possa comprovar isso, mas fico com os melhores e piores pensamentos ao seu respeito. Me dou esse direito. A lascívia espertada segue uma progressão incontrolável, é como estar algemada e ser de todas as formas estimuladas. É insuportável. Mas eu gosto.
Contudo, eu espero o dia que você vai me apertar, que vou ter seus dedos marcados em mim, como um lembrete agradável e dolorido que você foi meu. Talvez por uma noite, talvez por mais.
Talvez nunca, talvez sim.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS





Resiliência Humana
Bem-estar, Autoconhecimento e Terapia

COMENTÁRIOS