A gente deixa pra lá coisas que são importantes e “surta” com coisas pequenas, pelo simples fato de não saber como temos que agir

Adriana Biem

A dificuldade de entrar em contato com seus próprios sentimentos é uma realidade muito constante no consultório.

Pessoas chegam aqui querendo se livrar dos sentimentos de raiva, tristeza ou rejeição, sem ao menos entender o motivo de estarem sentindo aquilo. Parece que sentimentos são feitos única e exclusivamente para que nos livremos deles. Até a alegria pode ser evitada, quando achamos que nossa alegria pode incomodar ou causar inveja a alguém. Melhor não mostrar, dizemos.


Por trás desses sentimentos, existem histórias, existem pessoas, cada uma com suas formas de lidar, com o repertório que aprendeu durante a sua vida, ou seja, é natural que algo que não deixa uma pessoa triste, pode deixar outra; e é aí que começa a grande maioria dos problemas e desencontros de comunicação e acolhimento, é aí que a gente começa a ficar confuso e começa a permitir que o outro nos diga o que é que devemos sentir ou não, como se sempre o outro soubesse o que é melhor pra gente mais do que nós mesmos.

Isso começa lá na infância quando nos dizem: “Mas você vai chorar por isso?”, continua na adolescência quando os amigos acabam tirando algum sarro ao demonstrarmos algum sentimento que eles não conseguem lidar. Rir e ridicularizar o outro acaba sendo o caminho mais fácil. Isso continua naquele relacionamento, quando o nosso namorado nos diz: “Se controla, tá parecendo louca” quando esbravejamos com alguma atitude de falta de respeito por parte dele, ou quando a namorada diz pra ele que “homem não pode chorar” (Sério que ainda existe isso?).

E isso pode continuar na vida toda com amizades, trabalho, família e relacionamentos, fazendo com que a gente acabe perdendo a referência. A gente perde a nossa própria capacidade de discernir se o que sentimos é real ou é “exagero”. A gente deixa pra lá coisas que são importantes e “surta” com coisas pequenas, pelo simples fato de não saber como temos que agir, como “deveria” fazer segundo o manual que nos disseram que precisaríamos seguir.

Deixar o sentimento vir, entendê-lo, saber nomeá-lo, é o único modo de recuperar esse contato com nós mesmos e com o nosso mundo interno. É o único modo de se reconectar com a nossa essência e fazer as pazes com a história de vida que temos e com que somos.

Nunca deixe que alguém diga como você deveria estar se sentindo!

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Adriana Biem

Adriana Cardoso Biem
Psicóloga Clínica, especialista em Gestalt-Terapia
CRP 06/80681
Formada pela Universidade São Marcos, especialista pelo Instituto Sedes Sapientiae
Atende em Alphaville (Barueri/SP) e Granja Viana (Cotia/SP)
Contatos: [email protected]
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