Eu sou sensível, não sou dramática

Iara Fonseca

Quantas vezes na sua vida você já ouviu alguém pedindo para você parar de ser dramática? Quantas vezes já falaram para você ir viver a sua vida? Quantas vezes já disseram de maneira agressiva para você parar de pedir atenção? Quantas vezes você já se entristeceu com a atitude de alguém e te pediram para parar de melindre? Ou pediram para você parar de chorar quando você estava triste por alguma situação que aconteceu e não era aquilo que você queria que tivesse acontecido?

Muitas pessoas se incomodam com a sua sensibilidade e não sabem como lidar com isso. Pedem logo para você parar de drama. É muito fácil para as pessoas te julgarem de dramática porque você se emociona facilmente. A frieza de certas pessoas que consideramos nossas amigas, frente a situações que nos entristece, é o que nos coloca em uma situação mais vulnerável.

As pessoas sensíveis, geralmente se emocionam porque se colocam frequentemente no lugar do outro e não são capazes de fazer coisas que fariam o outro sofrer, mas vira e mexe recebem golpes de amigos, parentes, que não estão nem aí para os seus sentimentos.

As pessoas sensíveis são capazes de deixar o que estão fazendo para socorrer um amigo, se preocupam com as pessoas a ponto de não conseguirem realizar suas tarefas do dia a dia enquanto aquela pessoa que ela ama não volte a se sentir feliz.

O problema é que quando a pessoa sensível se encontra frente a frente com um problema pessoal, ela não encontra respaldo e muito menos um ombro como aquele que ela oferece para essas mesmas pessoas. E isso é um motivo que a deixa inconformada, infeliz, e a faz se sentir sozinha em meio à multidão.

Pessoas sensíveis na maioria das vezes são os seres mais sinceros que existem. Elas vão te dizer, sempre, exatamente o que estão sentindo, e na maioria das vezes, também, as outras pessoas não estão nem um pouco afim de escutar o que ela tem a dizer e dizem logo: Pare de fazer drama, pare de se vitimizar!

É muito fácil julgar o sofrimento alheio sem se colocar no lugar dele. Aliás, o que as pessoas frias, egoístas e calculistas menos fazem é se colocar no lugar do outro. Na visão dessas pessoas, elas já possuem problemas demais para se preocuparem com aquela pessoa que elas julgam ser “dramática”, e simplesmente se afastam dela. Param de convida-la para as reuniões festivas entre amigos porque não querem saber das suas lamentações, ou seja, não estão preocupados em estender uma mão amiga, justamente porque não são amigos verdadeiros.

Aquele coração sensível, normalmente é o coração mais belo que existe. De uma beleza encantadora, que se faz entender por um olhar. Pena que os julgadores de plantão não conseguem identificar essa pureza genuína e singela.
Não, não somos dramáticas, somos sensíveis.

Temos dentro de nós os problemas do mundo e queremos resolver todos eles com um simples abraço. Enquanto aqueles que julgam os “sensíveis” de “dramáticos” pensam que somos problemáticos, somos totalmente o contrário disso, somos leves e simples, porque somos verdadeiros.

Nenhum problema se mantem depois que as lágrimas secarem. A principal qualidade das pessoas sensíveis é o poder que elas têm em perdoar. Sabemos da importância de cada lágrima que cai, do porquê ela deve cair exatamente naquele momento, e cada lágrima, após tomar o seu curso, se transforma em um amigo, em um ombro, em uma acolhida que não nos foi dado quando mais precisávamos.

Quando minimizamos o problema e colocamos a sensibilidade da outra pessoa em um nível de drama, demonstramos nosso poder em reduzir, de ignorar, de nos colocar alheio a situação que pode nos incomodar e que não queremos ajudar a resolver.

Simples e claro. Mas o fato é que as pessoas sensíveis geralmente estão cercadas de pessoas indiferentes. Aquelas que sempre estão correndo, que se colocam em primeiro lugar na lista de pessoas que tem um lugar no céu garantido. Aquelas pessoas que se acham a última bolacha do pacote, mesmo sabendo que ninguém come a última bolacha, talvez por isso são assim, porque não são comidas por ninguém ou não gostam de serem comidas por ninguém.

A famigerada e efervescente vontade de comer uns aos outros, nesse mundo de insensíveis é o que torna a pessoa sensível cada vez mais “dramática” aos olhos desses antropofágicos amigos. Eles querem comer o que você tem de melhor, roer até o osso, mas quando chega na cartilagem, eles a atiram para longe, sem pensar duas vezes. E quando um amigo precisa comer algo de bom que existe nele, ele simplesmente some. Se enfurecem ainda se recebem alguma reclamação, porque odeiam cobranças, odeiam quando cobramos amor, carinho, atenção, acreditam que quem faz isso são pessoas chatas, carentes, grudentas e saem em busca de pessoas diferentes que ofereçam comidas boas… E assim seguem, de comida em comida, roendo até o osso.

Engraçado né, porque a pessoa sensível quando recebe um pedido de carinho, um pedido de atenção, age totalmente diferente dos poderosos seres que não precisam de atenção e cuidado de ninguém e que vivem muito bem sozinhos. As pessoas sensíveis se colocam a disposição, dão conselhos ótimos e querem o bem do outro. Quanta diferença, né?
Pois é…

Então, nunca chame uma pessoa sensível de dramática, sabe por quê? Porque quando você faz isso, você está apenas mostrando a sua capacidade de ser cruel e a sua incapacidade geral na arte da compaixão e da gentileza. Está colocando em pratica toda aquela sua dureza e ruindade que são resultado da sua constante tentativa em se manter “por cima da carne seca”, mas o fato é que, o que está seco é o seu coração!

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Iara Fonseca

Jornalista, poeta, educadora social, fundadora e editora de conteúdo do Rede de Ideias: PRODUÇÃO DE CONTEÚDO. Seu interior é intenso, sempre foi, transforma suas angustias em textos que ajudam muito mais a ela própria do que a quem lê. As vezes se pega relendo seus textos para tentar colocar em prática aquilo que, ela mesma, sabe que é difícil. Acredita que viemos aqui para aprender a ser, a cada dia, um pouco melhor, para si mesmo, e para o outro!


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