Entendendo o Eu que existe dentro do meu Eu

“Penso nisso a todo instante, pois quando avalio o que está escrito na Bíblia, nos primeiros versículos do primeiro capítulo de Gênesis, quando é relatado por Moisés como a vida iniciou acredito, não pensando como uma mente cristã ou um fanático qualquer, mas sim, como um ser em desenvolvimento, eu observo ali a manifestação da forma cósmica de cada ser humano. Veja o que está escrito: “No princípio criou Deus o Céu e a Terra, e a Terra era sem forma e vazia e, o Espírito de Deus vagava por sobre a Terra… e Disse Deus: haja luz e houve luz…Haja separação entre terra seca e água… e assim foi…”.

Bem, nessas poucas palavras podemos avaliar uma conversa cósmica sobre as coisas, pois vemos nessa passagem o caos: “…a Terra era sem forma e vazia…”, tudo estava em pura energia, porém completamente desorganizada, o Caos imperava sobre a Terra e tudo que existia sobre ela, porém o “EU SOU” o Grande Deus, O Arquiteto, ou seja lá no Deus que você acredita manifestou seu poder e com um “gesto” mudou o Caos para o Cosmo-Sim!

Do nada foi organizado o Caos, de uma palavra toda a Terra foi transformada e dentro dessa organização Divina (Energia). Lá pelas tantas é criado o homem e como a bíblia relata, o homem vem do pó da Terra. Mais uma vez não quero aqui exaltar o criacionismo ou qualquer outra forma de religião, estou apenas contatando que independente da “história” da criação, ou não, o homem está envolvido com a Terra e a Terra envolvida com o “CÉU” ou o cosmo e assim fazemos parte de um território onde o todo está dentro de tudo e o tudo está interligado com o todo, sendo que o tudo é o próprio cosmo e o todo é o puramente o ser humano, na sua forma mais simples de existência.

Dentro desse tudo acredito que na integralidade do todo, somos dependentes uns dos outros, e essa dependência é a manifestação da necessidade de convivência com o ecossistema e, o propósito real de estarmos nesse tempo de vida é para nos adaptarmos uns com os outros em uma dimensão de realização da integração dos mundos existentes em tempo real. Bem, quero com isso dizer que acredito que os mundos (internos e externos) vivem em tempo real.

Sim! Passado, presente e futuro são estados de latência para quem está em cada um. O passado é para o presente o mesmo que o futuro é para o presente – tudo está em sintonia e por não estarmos conectados e às vezes, muito preocupados com outras coisas não percebemos as conexões entre esses mundos cósmicos (passado, presente e futuro).

Não deveríamos perder tempo com discussões sobre de onde viemos e para onde vamos. O ideal seria nos preocuparmos com o que estamos fazendo, com o agora que na realidade é o passado, presente e futuro. Sim! A descoberta de que estamos vivendo tudo ao mesmo tempo nos revelará uma sensação de satisfação e tranquilidade, pois hoje o que nos assusta é a ansiedade de não sabermos o que acontecerá amanhã, ou a depressão de perceber que perdemos o tempo e não sabemos se voltará.

A descoberta do “aqui agora”, ou a cosmolidade de cada um de nós – eu fui, sou e serei – nos dará uma nova perspectiva da vida, no sentido de vivência a cada momento, pois o tempo se move como cada um de nós, pois a cada minuto somos impulsionados para o cosmo da integralidade. Nessa manifestação vemos que Jesus quando instituiu seu reino a mais de 2 mil anos, ou seja, o Reino do Amor, o Reino da Mutualidade, o Reino da Justiça (equilíbrio) – Todos pensaram que isso seria uma utopia, porém não é a constituição de um novo governo e sim de um Reino – e reinado é instituído de dentro para fora. Sim! Nasce na mente (consciência-espírito) vai para a alma (emoções-sensações) e desemboca no coração (corpo-fisiológico) e eu acredito que estamos vivendo esse momento em nossa história humana.

Sei que não estou dizendo algo novo, somente estou constatando que na atual conjuntura de mundo que vivemos, a real saída para a sustentação de nossa mente, alma e corpo é de suma importância a retomada da visão cósmica.

Sim! Na observância dos pontos de convergências entre cada um de nós e o desejo de relacionarmos com o tudo e todo e dessa forma, sairmos da catastrófica vivência com o Caos.


Sei, claro, que o Caos tem seu valor na história, pois é sempre dele que renascemos para o aprendizado, o Caos está para o Cosmo como Deus está para o homem e vice-versa. A vida está para a morte, como a morte para a vida… Mas a busca é na real das hipóteses a integração entre todos os sistemas do mundo. Não conseguiremos mais viver isolados sem a compreensão das diferenças entre nós mesmos e com os outros seres que habitaram, que habitam e habitarão nosso sistema planetário.

Por isso, minha busca é a descoberta do “Eu” ou o “Self”, sabendo que essa busca me levará sempre para a integralidade e nunca ao isolamento, por isso, cada um de nós têm como ponto fundamental o se descobrir e ao mesmo tempo descobrirmos o outro e também o tudo que está a nossa volta. Reaprendendo a dar valor as mínimas coisas e sem medo das descobertas de nosso passado -seja ele particular ou coletivo- no presente seja ele aqui agora ou acolá ou no futuro – seja ele nessa dimensão ou qualquer outra que possamos viver.

 
Como desenvolver essa capacidade Cósmica de relacionamento?

Creio que para respondermos essa questão é muito importante salientarmos que dentro da visão que tenho de mundo e vida, tudo tem solução e uma saída apropriada.

Tudo que passamos ou sentimos ou vivemos, tem na essência o desejo de aprendizado e desenvolvimento, a isso chamamos de Amor Incondicional – que é a instituição do novo reino, conforme falamos acima.

A busca então é para aprendermos e desenvolvermos esse Amor Incondicional. Sim! Um amor que tudo suporta, um amor que tudo aceita, um amor sem preconceito, um amor sem o modelo de amor que conhecemos, um amor que não busca nada em troca, um amor sem barganhas, um amor sem crise de ser amado, um amor que busca o bem do outro, um amor que nos leva a refletir antes de qualquer ação, um amor que renova as energias para vivermos, um amor que nos remete a profunda busca do próprio Eu, um amor que nos liga com o Próprio Deus, um amor singular, que não parece com nada, um amor que surge sem sabermos da onde, um amor que se satisfaz em si mesmo, um amor que faz-nos viajar para dentro (passado) e para fora (futuro) e nos permite alegria no agora (presente), um amor onde nossas faculdades mentais são aclariadas com simples ações e gestos, um amor difuso, onde todos e tudo pode participar, um amor tradicional e moderno, um amor incondicional.

Creio que com simples ações poderemos viver o que citamos acima:

1-   Aprenda a perdoar as pessoas a sua volta;

2-   Exercite a paciência com você mesmo e as outras pessoas;

3-   Acredite nas mudanças, sejam elas quais forem;

4-   Busque a sensibilidade entre você, natureza e as outras pessoas;

5-   Crie um ambiente saudável onde você estiver;

6-   Seja você mesmo, desde que não atrapalhe os outros.

VIAPAULO BREGANTIN
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Resiliência Humana
Bem-estar, Autoconhecimento e Terapia



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