Ele(a) não gosta de mim e ainda assim insisto. Estou errado(a)?

Cris Souza Fontes

Cá estou eu de volta ao assunto. Ao mesmo assunto que você leu outro dia, que achou que o ajudou, mas daí, voltou à mesma questão.

Você sabe que o outro não lhe quer, leu que ser disponível demais é ruim mas, ainda assim, gosta tanto da outra pessoa, que não resiste a olhar para ele ou ela e ficar imaginando vocês dois juntinhos, felizes para sempre.
Meu Deus! Eu poderia perguntar “como assim?’, mas, eu sei o quanto somos bobos quando o coração nos gerencia. Sei que, por mais que a gente tente, por mais que mantenhamos a atenção em outra coisa, ainda assim, continuamos pensando na pessoa que não gosta da gente.

Eu já insisti tantas vezes em um sentimento tolo que hoje ando treinada e penso que todos os sentimentos são tolos. Daí, acabo não me entregando como deveria por, em um passado, ter amado e não sido correspondida da forma que eu queria.

Mas hoje, é você aí quem sofre. É você que enche outra pessoa de presentes, telefonemas, mensagens e palavras de carinho e admiração. É você que bajula acreditando que um dia, quem sabe, o outro venha a amar você.
Se eu dissesse agora que, sim, ele(a) ainda vai amá-lo(a), com certeza! Estaria eu sendo, de todo,sincera?

Escrevo este textão agora, ouvindo Amos Lee e seu jeito melancólico de cantar. Lembrei das vezes em que eu amei tanto que pensei que meu peito explodiria de tanto amor e, lembrei também, das vezes que insisti num sentimento que só existia da minha parte e no imenso tempo que perdi.

Hoje, observando as pessoas e ouvindo suas histórias, chego à conclusão de que tem muito mais gente sofrendo de amor do que sendo feliz no amor. O que está errado?

Você ama e insiste nesse amor mesmo sabendo que o outro não o ama. Estaria você errado? Como posso dizer? Ninguém é errado em amar e em acreditar que pode ser amado também.

Algumas vezes, a insistência acaba dando certo e o outro se rende, mas, tem vezes… que é tão claro que o outro não nos ama e nem nunca nos amará que, neste caso, eu acho que sim, você está errado em insistir.
É fato que uma hora todos cansamos. Nem é justo com a gente mesmo que insistamos em algo sem futuro, ao invés de nos abrirmos para outras oportunidades.

Vi outro dia, uma moça falar sobre um rapaz (que eu sabia o quanto a amava) de forma tão indiferente que meu coração frouxo cortou-se. Só pensei: “e ele faria tudo por ela…” Refleti no quanto algumas pessoas não valorizam o amor que vem de forma tão linda e pura do coração de outra pessoa. Não sei dizer o que desejo a ela, mas, ao certo, que um dia ela se apaixone tanto, mas tanto, que com certeza sentirá na carne o que é amar alguém e despedaçar o coração do outro.
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, claro! Mas não abuse de quem o(a) ama, isso não! Isso faz mal, faz sofrer.

Bom, e no mais, desejo que você que agora se pergunta se deve insistir ou não, pense se o tempo desperdiçado e todo o esforço vale mesmo a pena. Talvez, você esteja só perdendo seu tempo, acreditando em uma possibilidade que nunca virá ou em sonhos que não se realizarão.

Choque de realidade? Pode ser que sim. Mas, e sua vida, onde fica? E você onde fica nessa história toda? Só correndo atrás e correndo atrás e ninguém correndo atrás de você? Pode não, vida! Você precisa ser amado também. Se não pelo outro, que seja por si mesmo!

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Cris Souza Fontes
Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor e o amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.

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