A dor da solidão amorosa…

Leitura indicada para pessoas que estão sozinhas, mas não gostariam de estar. Se você não busca um relacionamento, essa leitura não é para você.

Alguém sofre muito com uma dor profunda causada pela solidão e por não conseguir finalmente conhecer outro alguém para viver (novamente) um grande amor. Essa pessoa já está há muito tempo sozinha, já fez de tudo que se possa imaginar, já publicou anúncios, já buscou na internet, já perdeu noites procurando em bares e discotecas, já tentou até se apaixonar pelo(a) melhor amigo(a), já experimentou realmente de tudo, sem encontrar o príncipe encantado (ou a princesa encantada). Os sapos que beijou continuaram sapos ou viraram monstros, resultando em muito sofrimento. Essa pessoa nada mais deseja tão ardorosamente da vida que uma relação de amor, de não ter mais que dormir sozinha, de sexo, de carinho, de cumplicidade… A falta disso dói e dói muito e termina roubando toda a energia da pessoa, que quer muito um relacionamento.

Mas como conhecer alguém se a coragem já falta, depois de tantas tentativas frustradas, depois de tantas decepções, de tanta frustração? Onde é que essa pessoa vai achar força para sair, conhecer gente e ter contato social se sua solidão já dói tanto que até o corpo já sofre, a saúde já anda abalada, já que a tristeza da solidão cuidou para que ela não se cuidasse, talvez engordando (ou emagrecendo) muito, se deixando levar, enfraquecendo, perdendo a autoestima, se achando feio(a), se rejeitando, duvidando de si mesmo, entrando talvez até numa depressão?

A pessoa sofre e sofre muito. A solidão a devora. E ela sabe porque sofre. Mas se sente presa na situação, pois sabe que não pode resolver o problema “relacionamento” sozinha, que para isso ela precisa conhecer alguém. Como não consegue, ela sofre, mas permanece no sofrimento, pois tem medo de terminá-lo, pois sabe que isso significaria ter que começar a aceitar certas verdades das quais foge o tempo todo: que ela tem sido exigente e extremamente seletiva com seus pretendentes, que ela deu muita importância a coisas secundárias e superficiais, como aparência, status social, etc., rejeitando pretendentes de bom caráter, porém “pobres e feios”, para correr atrás de “cafajestes bonitos”. É possível que a pessoa tema reconhecer que ela busca alguém que caiba em sua lista de critérios e não alguém que caiba em seu coração. E ela possivelmente também iria perceber que sua impaciência de alma sedenta sufocou pretendentes, assustando-os, colocando-os para correr.

Talvez ficaria também claro para ela que sua autoestima baixíssima fez com que ela se humilhasse muito no passado e buscasse relacionamentos ruins, talvez por achar (inconscientemente?) que não merecia algo melhor. A pessoa reconheceria seus modelos de comportamento e relacionamento, que se repetem, e teria que admitir tantas coisas a si mesma que termina ficando com medo, medo de ver essas coisas, medo de entender que o primeiro passo para sair dessa situação seria aceitar sua solidão, aceitar sua própria companhia, começar vivendo a dois consigo mesma e tentar tirar o melhor proveito da situação, cuidando bem de si, gostando de si, saindo, se divertindo, voltando ao centro da vida, mas sem a fixação de que tem que conhecer alguém a qualquer custo, chegando ao ponto de até acreditar no absurdo que qualquer relacionamento seria melhor que ficar só.

Não há qualquer garantia de que essa pessoa conheceria alguém se finalmente reconhecesse que ela mesma tem que reagir e mudasse então sua postura e suas atitudes. Não, não há garantia alguma, mas com certeza isso aumentaria muito suas chances, que seriam então bem maiores do que se ficasse onde estava, sozinha, recolhida, resignada.

Uma pessoa que aprende a ficar bem consigo mesma, sem precisar de alguém ao lado para ser feliz, se torna muito mais atraente e termina conhecendo alguém mais facilmente que uma pessoa que permanece no estado de “vítima do destino”. Mas para chegar a esse estado de “paz consigo mesmo”, é necessário ter coragem de ser sincero, de não enganar mais a si mesmo, de ver as coisas como são, de gerir melhor suas expectativas e desejos.

Muita gente “prefere” ficar só por causa de algum sofrimento do passado, de algum relacionamento que feriu e doeu muito. Essa gente termina se fechando por medo de algo se repetir, por medo de sofrer novamente por causa de certas coisas. Só que alguém que assim age não está realmente fugindo do sofrimento, mas somente o substituindo por outro: pelo sofrimento da solidão.

Já outras pessoas ficam sós por timidez, por não terem coragem de expor seus sentimentos por alguém, por medo de serem rejeitadas, por medo de ouvirem um “não”, por medo de sofrerem. Também essas pessoas se bloqueiem por medo de sofrer, e terminem sofrendo: pelo sofrimento da solidão.

Alguns ficam sós por causa de uma autoestima baixa, por não acreditarem que merecem um relacionamento feliz, por se acharem feios, pouco interessantes, por acreditarem que não teriam muito a oferecer num relacionamento, o que é uma tolice, algo autodestrutivo e irreal, já que não existe realmente gente feia e bonita neste mundo, já que o amor não quer amar aparência, já que ninguém é feio ou desinteressante demais para viver um grande amor.

Alguns resignam e começam a se entregar totalmente, por exemplo, ao trabalho para distrair a solidão e o desejo de conhecer alguém, trabalhando muito, o tempo todo, não tendo tempo para mais nada, sem perceber que esse comportamento, a longo prazo, só aumenta a solidão.

Tem gente também que, por um lado, sente falta de um relacionamento, mas não está disposta, por outro lado, a abrir mão de sua liberdade de solteiro, o que é uma contradição, o que é contraprodutivo e algo que poderá cuidar para que essa pessoa termine sozinha, caso não entenda que na vida não se pode tudo, que na vida precisamos tomar decisões.

E há os prepotentes, que têm uma visão exagerada de si mesmos, que acham que merecem a “melhor mulher” ou o “melhor homem” deste mundo e, assim, nunca encontram a pessoa certa por acharem que ninguém é suficientemente bom para eles, e terminam ficando igualmente sozinhos.

Penso que todo mundo pode encontrar o companheiro ou a companheira que busca. Não acho que alguém precise viver sozinho sem querer, penso que “toda panela tem uma tampa” e que é possível sair da solidão amorosa, mas para isso é necessário rever seus critérios, sendo sincero, não se deixando guiar por conceitos e preconceitos, se abrindo para as chances que a vida na verdade vive trazendo. Quem quer escapar da solidão amorosa, precisa se livrar de algumas ideias erradas que colecionou durante sua vida, pois são essas ideias que impedem que enxerguemos os amores que batem em nossa porta. Se você está sozinho e deseja conhecer alguém que caminhe ao seu lado, verifique se não é você mesmo que está bloqueando o que tanto deseja. Pense no seguinte:

– Não faz sentido nenhum se preocupar com a opinião de amigos e amigas ou com a opinião da família. Você busca um relacionamento para você e não para os outros. Não é importante que o parceiro ou a parceira agrade aos outros. O importante é que ele/ela agrade a você. Pior ainda seria querer um “homem bonito” ou uma “mulher bonita” para meter inveja nas amigas ou nos amigos.

– Quando conhecer alguém, faça a pergunta certa! Jamais indague se “ele ou ela lhe quer”. Essa não é a primeira pergunta a se fazer. A pergunta certa seria: “Quero realmente essa pessoa?”.

– Reveja se você não tem um parceiro/parceira pré-moldado na cabeça, já definido em todos os detalhes: alto ou baixo, branco ou negro, rico ou pobre, “feio” ou “bonito”, desse ou daquele modo… Se você tem essa imagem já pronta de quem você procura, saiba que isso normalmente é fruto de preconceitos seus e de outros à sua volta, que excluem e eliminam muita gente interessante que aparece em sua vida, que limitam muito seu espectro social/amoroso e que, no final das contas, impedem que você finalmente encontre alguém. Reflita sobre isso e talvez você descubra que aquela pessoa “pré-moldada” que você tem em sua cabeça não existe assim dessa maneira, que você nunca a encontrará, já que amor jamais se encontra através de critérios, mas sim de um coração aberto e dando uma chance real ao outro.

– Se você está só porque se decidiu assim depois de ter sofrido muito em um relacionamento no passado, lembre-se: existem 7 bilhões de seres humanos no planeta, metade homens, metade mulheres. É gente de tudo quanto é tipo. Se um desses seres humanos (ou mesmo dois ou três) lhe decepcionaram muito, lhe feriram e lhe fizeram sofrer, isso não significa que todos os demais fariam a mesma coisa. São 7 bilhões de pessoas, são 7 bilhões de chances de encontrar alguém. Achar então que não adianta procurar porque todo mundo seria igual ao(s) seu(s) parceiro(s) do passado não seria algo muito sensato, é algo que não faz sentido.

– Se você teve relacionamentos fracassados e isso lhe desanima, não culpe seus parceiros por isso, muito menos culpe a você mesmo! Não existem parceiros bons ou ruins, o que existe são constelações erradas. Se não deu certo com alguém, não é porque ele ou ela ou mesmo você não prestava. Ele ou ela foi simplesmente a pessoa errada para você. Lembre-se: um parceiro ou parceira que não deu certo com você pode ser muito feliz com uma outra pessoa. E o mesmo vale para você!

– E por falar em constelações erradas, seja sincero: quantas vezes você mesmo buscou essas constelações falsas, por medo de achar a certa e ser feliz ou por causa de algum modelo, de algum comportamento que você carrega desde sua infância, como a mulher que tinha um pai alcoólatra e que agora só busca homens com o mesmo vício, ou o homem que tinha uma mãe dominante e que agora só se envolve com mulheres que tentam controlar sua vida… Isso é algo muito comum. Carregamos conosco modelos que foram impregnados (ou nós mesmos impregnamos) em nós, modelos que, em geral inconscientemente, regem nossos relacionamentos, nos fazendo repetir “erros”, fazendo com que nos envolvamos exatamente com aquele tipo de pessoa que nos faz mal, que fortalece nossos medos e inseguranças, que nos atrai por exalar o cheiro de um sofrimento familiar, porém extremamente nocivo. Esses modelos estão bem dentro de nós, bem lá no fundo, e não é fácil livrar-se deles. Mas já ajuda muito se temos consciência de que eles existem, se nos observamos e compreendemos que fazemos algumas coisas nesta vida com certo automatismo e que, às vezes, é esse automatismo que nos conduz a determinados relacionamentos “errados”. Se esses “modelos” forem um problema sério em sua vida, talvez valesse a pena refletir sobre uma psicoterapia, para compreender a coisa melhor e talvez até resolvê-la.

– Se você quer conhecer alguém, pare de criar estratégias para isso, deixe de procurar o tempo todo, desligue-se dessa fixação, abandone as listas de critérios e saia, vá para fora, para o meio do mundo, para o meio da vida (não é dentro de casa que você conhecerá alguém!), e conheça gente nova, de coração aberto, dando uma chance real àqueles que cruzam seu caminho. Sim, seja crítico, observe e diga não se perceber que não é a constelação certa para você, mas não faça isso logo de cara, sem realmente ter dado uma chance a uma pessoa que se interessou por você. E se essa pessoa não for o príncipe ou a princesa que você esperava, lembre-se da história e do que pode acontecer quando se beija um “sapo”. É o amor que torna uma pessoa realmente bela e, sem o amor, nenhuma beleza é real.

– Se alguém se interessa por você, jamais a rejeite com a desculpa de você mesmo não ser bonito(a) ou interessante o suficiente para esse alguém. Se a pessoa gostou de você, ela tem motivos para isso. Deixe, portanto, que ela mesma julgue se para ela você é feio ou bonito, interessante ou desinteressante. Isso não é de sua competência ?

– Antes de poder ser feliz com outra pessoa, você deveria aprender a ser feliz consigo mesmo. Aprenda a ficar bem (!) sozinho, aprenda a não precisar ninguém para ser feliz. E você verá: no momento em que você aceitar sua própria companhia e fizer as pazes consigo mesmo, deixando de parecer “desesperado” no desejo de conhecer alguém, sua atração aumentará e você conhecerá alguém muito mais fácil.

– Goste de você mesmo! Como é que o outro/a outra vai gostar de você se você mesmo não se gosta? Pessoas que se rejeitam são pouco atraentes. Então, antes de esperar que alguém goste de você, comece fazendo isso você mesmo.

Repito: ninguém neste mundo precisa ficar sozinho. Há gente sobrando por aí. Quem estiver sozinho assim mesmo, deveria rever sua postura, seu comportamento, seus modelos e suas expectativas, pois é muito provável que a própria pessoa esteja bloqueando seu caminho e evitando ela mesma que seja feliz também no lado amoroso.

 

VIAGustl Rosenkranz
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