A desertificação da vida

Você já parou para pensar sobre os desertos? Porque eles existem? É possível recuperá-los? E sobre a vida: você tem pensado nela? Quer saber como viver em abundância e feliz? Pois saiba que muita gente conhece as duas realidades, mas poucos fazem algo de positivo para interagir e tornar o mundo melhor.

Se formos pesquisar no dicionário Aurélio vamos constatar que a definição de deserto é: “região despovoada e árida; lugar solitário”. Já para a palavra vida há muitas definições. No entanto, a mesma fonte nos revela que “a vida é o tempo decorrido entre o nascimento e a morte”. Donde, podemos depreender que o deserto é um espaço físico; um lugar, já a vida é um acontecimento, ou melhor, somatórios de pequenas ocorrências. Tanto o deserto quanto a vida são resultados de nossas atitudes.

Muitos desertos surgiram pela ação desastrosa do homem. Por outro lado, alguns foram recuperados graças à nossa exemplar atuação. Recentemente, estive sobrevoando a cidade de Las Vegas. Depois de muitas decolagens e aterrissagens daquela metrópole, só recentemente pude perceber o quanto ousado foi o homem em criar um verdadeiro oásis onde não havia nenhuma vida humana. Há outros casos análogos em várias partes do planeta, a exemplo, de algumas regiões do Oriente Médio.

Mas, foi caminhando pelos grandes centros das principais cidades brasileiras que me levou a refletir e a escrever sobre o tema. Não precisamos ir muito longe para perceber que as pessoas buscam felicidade. Porém, parece que a única forma de obtê-la e ser ligeiro e ganhar muito dinheiro. Daí, se você pára na esquina de uma grande avenida, a exemplo, da Paulista em São Paulo ou Rio Branco no Rio de Janeiro, poderá facilmente notar o ritmo frenético da vida.

As pessoas andam rápido, umas falando ao celular outras olhando para o relógio e algumas correndo para encontrar um táxi ou não chegar atrasado ao compromisso. Se você passa em frete a um restaurante do tipo fast-food irá perceber as pessoas engolindo o alimento sem sequer olhar para os lados. As igrejas estão vazias e os bares estão quase sempre lotados – talvez porque as pessoas tenham mais coisas para serem esquecidas do que lembradas, não é mesmo? Se olharmos para o trânsito iremos, provavelmente, testemunhar algum motorista comendo e bebendo algo para saciar a fome e a sede, enquanto dirige e fala ao celular.

As pessoas já não se cumprimentam mais como antes, já não têm mais tempo para o próximo, já esqueceram as boas maneiras. Pedir licença pode ser uma enorme perda de tempo, daí, muitos optam por empurrar. Dizer muito obrigado parece desnecessário, afinal de contas a vida é muito prática e ninguém vai notar se eu não agradecer. Reconhecimento então, nem pensar. Veja o quanto retardador é dizer parabéns. Primeiro, teremos que parar, mesmo que por alguns instantes para admirar e reconhecer algo, depois olhar para a pessoa que desejamos homenagear, em seguida pensar na entonação correta e ainda por cima ter que sorrir para que não pareça falso. Impossível: isso é muito para alguém que vive nas grandes metrópoles e não tem tempo a perder, não é mesmo?

Dizer “bom dia” pode ser motivo de grandes transtornos. A coluna do Ancelmo Góes, no Jornal O Globo, do dia 19/12/2007, revelou que um passageiro agrediu um funcionário da bilheteria do metrô, só porque ele foi educado e antes de atendê-lo disse-lhe um cordial “bom dia”. Foi a gota d’água para quem estava apressado demais para boas maneiras.

O que dizer então de encontrar tempo livre para conversar com os filhos que ficaram a maior parte do dia longe da família? Com a esposa que tem que se desdobrar para manter a rotina da casa e do trabalho? Das amizades que já não mais conseguimos cultivar como antes? E do telefonema para aqueles parentes distantes que só os encontramos na morte do ente querido?

Mas, afinal de contas aonde ou para onde essas pessoas pensam estarem indo? Talvez tão ou mais importante que a direção que desejam tomar, seja a forma como elas estão guiando as suas vidas. Não podemos esquecer que o deserto é um local e a vida acontecimentos. Daí, fico imaginando: estaria a busca incessante pelo paraíso criando imensos desertos no interior das pessoas? Estaríamos transformando as nossas cidades em grandes desertos de relacionamento? Será esse mesmo o tipo de vida que buscamos e desejamos aos nossos filhos?

Pense nisso e ótima semana.

 

VIAEvaldo Costa
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Resiliência Humana
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