Defensores do nesting dizem que ficar em repouso depois de uma semana de trabalho faz bem ao corpo e à cabeça

Resiliência Humana

Ler, estudar, cozinhar para os amigos, dormir ou simplesmente não fazer nada. É assim que Mariana, enfermeira, de 44 anos, gosta de passar alguns fins de semana. Sem sair de casa. Nunca foi “daquelas pessoas que precisam de estar sempre a socializar”. Vive a um ritmo alucinante durante a semana, o que a faz querer ficar em casa quando não trabalha. “Descansar, não ter a ansiedade de fazer coisas.” Tem sido assim nos últimos 10 anos, muito antes de ouvir falar em nesting, uma “nova tendência” que convida a não sair do ninho durante todo o fim de semana.

Há pessoas que se sentem culpadas se passarem o sábado e o domingo fechadas em casa, mas sempre existiu quem preferisse não sair. Segundo os defensores do nesting, o tempo de repouso em casa reduz os níveis de ansiedade e melhora as conexões mentais. Ler, cozinhar ou cuidar das plantas são atividades com benefícios comprovados cientificamente. Ou até mesmo ficar no sofá e não fazer nada, o que, segundo alguns psiquiatras, reduz o stress e a fadiga e aumenta os níveis de produtividade e criatividade.

“A casa é um conceito central para os seres humanos, porque se relaciona com aspetos fundamentais da boa saúde psicológica como segurança, conforto, genuinidade. Como grande parte do nosso tempo é passado no exercício profissional, o tempo em casa é equilibrante e precioso na redução de tensão emocional. É como quem tira o pé do acelerador e deixa o motor descansar”, explica Madalena Lobo, diretora-geral da Oficina de Psicologia.

Para existir equilíbrio, além de “fazer”, é preciso apenas “estar”. Nos momentos de repouso, explica a psicóloga, “há um trabalho interno” que permite “um certo reordenamento de conceitos intelectuais e emocionais”. O facto de poderem ser passados em casa, parcial ou totalmente, ajuda “na medida em que “casa” é, regra geral, o contexto de tranquilidade e equilibra o tempo passado fora”. No entanto, Madalena Lobo ressalva que enquanto uns valorizam mais atividades “neste modo nesting, outros preferem reequilibrar-se em contextos sociais”.

Vítor Bertocchini, fundador e presidente da Sociedade Portuguesa de Meditação e Bem-Estar, refere que, na procura pela felicidade, é importante “abrandar e apreciar as coisas mais simples da vida, como passar o fim de semana sem agenda, sem local para onde ir, sem nada de “especial” para fazer, desacelerando e abrindo para a vida”.

Segundo o psicólogo, “cozinhar pode ser uma excelente atividade, experimentando novas receitas e com alimentos saudáveis”, bem como “criar uma pequena horta ou simplesmente semear aqueles legumes que mais aprecia”. Por outro lado, “a ciência tem também provado que praticar mindfulness tem um impacto muito positivo na mente e no corpo”. Estas são tarefas “neutras”, que permitem “reduzir o stress e a ansiedade, obtendo também benefícios para a saúde física”.

Raquel Ribeiro, proprietária do Alma Yoga Porto, gosta de ter tempo para estar consigo mesma. “Vivemos voltados para o exterior. Por vezes, a necessidade de sair e estar com outras pessoas resulta do facto de não sabermos estar sozinhos. Não fazer nada é tempo muito útil”. Cada vez mais se sente “melhor com menos confusão”, o que a leva a ficar mais em casa ao fim de semana ou sair para passear à beira-mar. “Às vezes fazemos muita coisa na rua que não contribui para nada.”

O ioga, explica Raquel Ribeiro, dá ferramentas “que nos ensinam a estar mais connosco, seja com técnicas de respiração, seja com as posturas”. É por isso que procura praticar todos os dias, mesmo quando não está a trabalhar. Porém, sublinha, ler, ouvir música ou passear são excelentes alternativas.

Se a ideia é ficar em casa, importa torná-la confortável e acolhedora. Paula Margarido, arquiteta e consultora de Feng Shui, já não é só procurada por pessoas ligadas à área espiritual, mas cada vez mais por “pessoas com ritmos alucinantes, como médicos, juristas ou economistas”. Segundo a autora do livro Destralhe a Sua Casa, “há uma preocupação cada vez maior em ter a casa confortável, bonita e arranjada”. É importante a pessoa “ter o seu canto, o seu ninho”.

Para uma vida mais feliz, sugere que se mantenham apenas as peças das quais se gosta em casa. Além disso, propõe “um canto onde a pessoa possa desligar-se”: fazer meditação, ler, ouvir música. “Estamos muito tempo em ambiente de escritório e isso provoca um desgaste muito grande. Vejo muitas pessoas num estado de limite.”

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