Declaração verdadeira sobre mentirinhas cotidianas

Luiza Dal Grande

Eu preciso confessar uma coisa.. eu menti pra você. Eu sabia que mais dia, menos dia, chegaria o dia de contar a verdade, mas nunca poderia imaginar que fosse tão rápido, que fosse agora. Refleti comigo por alguns poucos minutos se seria realmente melhor falar tudo de uma vez só. Mas da mesma forma que encarei minha mentira como um cuidado a ti, acho que contar-te a verdade nesse momento também o seja.

Tenho certeza que concordarás comigo assim que eu apresentar meus motivos. Eu garanto, são nobres.

O primeiro deles é que naquela frase em nossas primeiras conversas, a verdade soaria menos poética. Ela tiraria a cadência da oração e revelaria somente um conjunto de palavras organizadas de forma displicente. Hoje, conhecendo-o um pouco melhor, tenho certeza que mesmo de maneira inconsciente, você teria parado ali…
A verdade naquele contexto provavelmente o faria perder o interesse na conversa.

Afinal era a segunda mensagem que trocávamos e eu precisava garantir algumas palavras a mais por pelo menos aquela tarde de terça-feira. Se fosse para perder seu interesse, que fosse por conta da minha mesmice, falta de assunto ou desinteresse crônico pela vida alheia e não por conta de uma informação fria, desinteressante e de caráter duvidoso.

O terceiro motivo, mas não menos nobre é que eu sinto essa mentira como verdade. Já sei, não consegues entender como é possível, mas te explico mais uma vez. Essa mentira só não é verdade por uma questão temporal e de localização geográfica. Eu garanto!

Me desculpa… Estou me sentindo meio boba, mas juro que não foi por mal. Na hora me pareceu o melhor a fazer. Se esse mundo e nossas relações não estivessem tão pautados em primeiras impressões, se as pessoas estivessem mais livre do preconceito e se eu verdadeiramente não me importasse tanto com a primeira imagem transmitida, provavelmente eu teria falado a verdade desde o início. Realmente tive a melhor das intenções ao falar que não usava meias para dormir… afinal, convenhamos… como confiar em alguém que usa meias em sua própria cama?

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Luiza Dal Grande

Designer de formação, com alma aventureira e em busca da sua melhor expressão artística. Alimenta um amor não tão secreto por fotografia, cerâmica, pinturas e escrita. Navega entre centros urbanos e natureza intocada, se alimenta de mar e sol e já percebeu que a falta de água salgada enferruja e faz mal. É entusiasta de projetos e parcerias inspiradoras. Consultora e empreendedora de negócios com propósito, trabalha com inovação e mercado digital.


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